Sabrina Noivas 09
Jack Of Hearts

O destino desse amor estava marcado nas cartas do baralho. Laurel fracassara como atriz, mas, ao voltar para Dallas viu-se diante do papel mais desafiador de sua vida: derrotar, em um jogo de pquer, o homem que arruinara seu pai. Para tanto, contaria com a ajuda de Jack Hartman, um homem que, alm de atraente, era perito em jogos de pquer. Porm, logo Laurel descobriria que ter sorte com as cartas no significava o mesmo que ter sorte no amor. Afinal Jack queria mais que 1 simples parceira no jogo. Queria 1mulher disposta a conquistar seu corao... para toda a vida! E Laurel no tinha de ser o ideal de mulher com que ele sempre sonhara!

Digitalizao e correo: Nina

 

Srie Irms Hall

Ordem	Ttulo	Ebooks	Data
1	Deck the Halls
???	Dec-19902	Jack of Hearts
Sabrina Noivas 09 - A Dama De Copas	Sep-19923	Ivy's League
Sabrina Noivas 08 - A Vitria Do Amor	Jun-1993

Ttulo original: Jack Of Hearts

Dados da Edio: Editora Nova Cultural 1994

Gnero: Romance Comtemporneo

 Estado da Obra: Corrigida






CAPITULO I

O txi que transportava Laurel Hall percorreu a rea 'circular e exclusiva do Highland Park, em Dlias, parando diante de uma suntuosa manso, em cuja construo destacavam-se vrias colunas brancas.
Ao ouvir o preo anunciado pelo motorista, ela abriu a bolsa e aos poucos foi fingindo uma expresso de surpresa.
	Minha carteira!
Sua voz sara com a dose perfeita de espanto e desespero, pensou consigo.
Claro que o motorista no ficou impressionado, mas Laurel no queria desperdiar todo seu talento com ele. Guardaria o melhor para sua famlia.
	Espere aqui, por favor.
O motorista deu de ombros e ligou o rdio. Laurel subiu correndo os trs degraus e parou diante da entrada. Deveria tocar a campainha? A casa j no lhe parecia to familiar, depois dos trs anos em que ficara fora.
Tocou a campainha. A porta foi aberta quase imediatamente por seu cunhado. "Droga", pensou. Suas irms, Holly e Ivy, pagariam o txi de bom grado se Laurel inventasse que sua bolsa havia sido roubada. Adam, porm, logo suspeitaria de que sua histria no era verdadeira. Bem, mas ser que dois anos de escola dramtica no serviriam para nada?
	Gi, Adam! Uh...
At que um script ajudaria muito agora.
	Laurel! Que bom rev-la. Eu...
O motorista tocou a buzina do txi. Adam desviou a vista para o veculo, antes de voltar a olhar Laurel. "Droga de novo", pensou ela. Adam logo se daria conta do que ela negara para si mesma durante dois anos: Laurel Hall era um fracasso.
	Adam, eu...
	Tudo bem.  Ele tocou-a de leve no ombro e foi pagar o txi. No meio do caminho, voltou-se para ela:  Trouxe bagagem?
Laurel balanou a cabea que no. Tudo que trouxera da Califrnia estava na mochila pendurada em seu ombro: roupas ntimas e um vestido preto.
Conseguiu encarar Adam quando este subiu as escadas. Ao alcanarem a varanda, ele parou e voltou-se para ela.
Laurel submeteu-se a um dos olhares crticos do cunhado. Adam sempre via mais do que ela queria demonstrar, mas era um homem muito justo tambm. Ele at ficara do seu lado quando ela decidira deixar a Hall e Companhia, empresa de decorao de festas natalinas de suas irms, para ir tentar a sorte como atriz.
	Minha bagagem se perdeu no aeroporto  disse ela, esperando que Adam acreditasse.
Na verdade, vendera quase todos seus pertences antes de partir. Adam no perguntou por qual companhia area ela viajara. Ainda bem, j que Laurel viera de nibus. Seria muito difcil perder a bagagem em um nibus.
	H alguma chance de recuper-la?  ele indagou.
	No.
Laurel tinha quase certeza de que Adam sabia que ela mentira. Sem dizer mais nada, ele passou o brao pelos ombros dela e conduziu-a para o interior da casa.
Ser que Holly tinha noo do quanto tinha sorte em ter um marido como Adam? Algum em quem se podia confiar?
	Holly est na cozinha  ele avisou.
Laurel assentiu, observando o ambiente.
	Est tudo diferente aqui  comentou.
	Redecoramos os aposentos.

	Esta sala est parecendo uma recepo  Laurel percorria a vista pelo aposento.
	A ideia  essa mesmo. Holly recebe os clientes aqui. Convertemos vrios quartos em escritrios. Agora estou trabalhando como mediador exclusivo da empresa. Atender os clientes em uma casa, parece deix-los mais  vontade  ele sorriu.
Laurel forou um sorriso. Estava apreensiva pelo reencontro com a irm. Ser que Holly a repreenderia? A quietude da casa contribua para deix-la ainda mais nervosa. Nessa poca, prxima ao Natal, a casa costumava estar sempre agitada com ela e a irm arrumando presentes e enfeites para decorar vrias rvores de Natal. Todo o lucro da empresa girava em torno da poca natalina.
No restava dvida de que Holly continuava a ter lucro mesmo sem sua ajuda ou a de Ivy, que tambm sara de casa para cursar faculdade. Mas onde estavam as caixas de presentes? Os cartes? A movimentao pela casa?
Quando ela e Adam se dirigiram  cozinha, Laurel sentiu-se estranhamente nervosa. Agora que no tinha nada, oque poderia dizer a Holly, que, pelo visto, tinha tudo?
	Laurel!
Ivy, sua irm caula, desceu as escadas correndo e a alcanou. Adam sorriu, dirigindo-se  cozinha enquanto as duas se abraavam.
	Olhe s para voc!  Ivy afastou-se, observando-a com mais ateno.  Puxa, est to esbelta! O que fez nos cabelos?
Laurel sorriu, meio embaraada.
	Pintei-os de preto para o teste de um papel de cigana.
	E conseguiu passar?  Ivy inquiriu, ansiosa.
	No.
	Bem, mesmo assim estou contente. Caso contrrio, voc no teria vindo, certo?
	Sim  Laurel confirmou.  Eu no teria vindo.
	Veja s  Ivy levou-a at um espelho.
A tintura preta j estava um pouco mais clara, fazendo os cabelos de Laurel se assemelharem aos castanho-escuros de sua irm. Ivy, estudante de jornalismo, usava os cabelos longos e soltos. Os de Laurel tambm estavam longos, tornando-as bem parecidas.
	Agora estamos parecendo irms de verdade  Ivy afirmou, olhando-a atravs do espelho.
Laurel sorriu para ela.
	Esperava ver caixas de presentes espalhadas por toda a casa  comentou, afastando-se do espelho.  Os negcios no esto bons este ano?
	A Hall e Companhia est melhor que nunca, mas  que Holly tem vrios empregados agora  Ivy explicou quando as duas se dirigiram  cozinha.  Eles trabalham no andar de cima.
	E quantas pessoas foi preciso para nos substituir?
	Doze  Ivy riu.
	Talvez eu devesse ter ficado por aqui.
	Est brincando?  Ivy lanou-lhe um olhar admirado.  Claro que trabalhar em filmes  muito melhor do que elaborar festas de Natal!
	Ser atriz no  to glamouroso quanto voc pensa.
Laurel participara apenas de um filme. Uma produo barata que fora direto para as prateleiras de locadoras de vdeo. Seu papel fora o de uma estudante universitria encontrada morta, vestida com uma lingerie que ela nunca usaria se fosse uma estudante "viva".
Embora houvesse oferecido ao diretor todo o benefcio de seu talento, ele no apreciara muito seu desempenho. O total de tempo em que ela aparecia no filme era menos de um minuto.
No incio, pensara que fosse alguma perseguio do diretor, mas agora sabia que sua participao fora to insignificante que ele, tambm insignificante, no teria tido motivo para prejudicar uma carreira que nem mesmo existia.
Suspirou ao entrar na cozinha.
	Laurel! Fico to feliz que tenha vindo!
Holly estava sentada  mesa, diante de um enorme pote de sorvete de caramelo. Laurel parou, sentindo o estmago roncar. Seu desjejum havia sido um pouco de ketchup dissolvido em gua quente; ouvira dizer que tomates eram uma boa fonte de vitamina C.
	Oh, querida... Voc est to magra!  Holly comentou. E eu to gorda!  completou, comendo outra colherada de sorvete.
	No acredito que ela est fazendo isso de novo  Ivy sussurrou.
Laurel pestanejou, confusa. Aquela era sua enrgica irm mais velha? A mesma que enfrentara legies de advogados quando a morte de seu pai deixara os negcios pendentes?
	O que fez a ela?  Laurel perguntou ao cunhado.
Adam fez uma expresso risonha, tirando alguns outros doces do alcance de Holly.
Olhando melhor para a irm, Laurel entendeu a situao. Sorriu para ele:
	Parabns, Adam. Quando ser pai?
	Ainda falta algum tempo. Infelizmente  acrescentou.  Desse jeito, Holly acabar me dando prejuzo.
	Eu ouvi isso!  ela ralhou.
	Oh, querida... Precisa se controlar um pouco.
Laurel divertia-se com a cena. Seu cunhado nunca parecera to preocupado.
	Voc no me ama mais!  Holly choramingou.
	Claro que amo!
Houve mais nfase que o necessrio na resposta de Adam e isso deixou Holly mais aflita.
 No acredito!  ela insistiu.  Estou parecendo uma baleia!
	No sei se aguentarei isso por muito tempo  Ivy sussurrou ao ouvido de Laurel.
	Desse jeito o casamento deles  que no ir aguentar.
	Holly no foi cochilar porque queria estar acordada quando voc chegasse.
Laurel arregalou os olhos.
	Ela cochila durante o dia?
Ivy levantou dois dedos, indicando o nmero de vezes.
	, realmente as coisas mudaram por aqui  Laurel arqueou a sobrancelha.
	Oua, Holly  Ivy adiantou-se, pegando um livro sobre a mesa , uma mulher grvida, saudvel, deve engordar apenas alguns poucos quilos nos trs primeiros meses...  interrompeu-se quando Adam lhe fez um sinal, mas j era tarde.
	Oh, Deus! J engordei nove!  Holly empurrou o pote de sorvete para longe.
	Por acaso esse livro tambm menciona algo sobre descansar demais?  Laurel questionou.
	Oh, sim  Ivy assentiu.  Est tirando cochilos demais, Holly.
	Mas me sinto cansada!  reclamou ela, enquanto Adam a ajudava a se encaminhar para a porta.
	Com quanto tempo de gravidez ela est?  Laurel perguntou quando Holly se foi.
	Dois meses  Ivy respondeu.
	S isso?!
As duas olharam-se alguns segundos e comearam a rir.
	Pobre Holly  Ivy disse.
	Pobre Adam, isso sim!  Laurel replicou, indo at os doces que o cunhado havia escondido.
Pegou um deles, forando-se a manter os movimentos controlados enquanto comia. No queria demonstrar a fome que estava sentindo.
	Quer beber alguma coisa?  Ivy ofereceu, abrindo a geladeira.
	Sim  respondeu ela, apreciando cada pedao do doce.
Adam voltou algum tempo depois. Permaneceu  porta, observando-as.
Aps terminar o doce, Laurel pegou um pacote de batatas fritas e sentou-se  mesa. Segundos depois, Adam colocou um generoso sanduche diante dela.
	Obrigada  Laurel agradeceu, sabendo que o cunhado estava guardando a desconfiana para si mesmo.
	Puxa, estou mesmo contente que esteja aqui  Ivy suspirou, pegando uma batata frita.  Holly est simplesmente impossvel desde que descobriu a histria sobre Conner Mathison.
	Ele era scio do pai de vocs em vrios negcios  Adam salientou, sentando-se  mesa com elas.  Um deles foi aquele poo no Texas.
	O... o que se incendiou?  Laurel indagou.
Ivy e Adam balanaram a cabea que sim. Os pais de Laurel se dirigiam para l quando o avio colidiu, arruinando suas vidas e a dela e das irms tambm.
	Pensei que esse assunto estivesse resolvido.  Laurel no gostou nem um pouco. Estava cansada de batalhas legais, embora Holly houvesse lidado com a maioria delas.  O que descobriram?
Ivy inclinou-se para a frente com uma expresso sria que no lhe era comum.
	Holly andou cuidando da decorao de vrias festas da alta sociedade e ouviu algumas histrias muito interessantes sobre Conner.
Laurel fitou Adam, buscando confirmao.
	Tais como?
	Fizemos algumas investigaes e...
Ivy interrompeu o cunhado:
	Desconfiamos que ele incendiou o poo para receber o dinheiro do seguro e pagar dvidas de jogo.
Os olhos de Laurel brilharam de fria.
	Mas... todos acusaram papai de haver mandado incendiar o poo! Disseram que o negcio estava falindo.
Ela nunca acreditara que o pai tivesse sido capaz de fazer aquilo.
	Conner desviou dinheiro da empresa  Ivy explicou.  Papai nunca soube disso.
	Mas papai devia saber que os negcios no iam bem...
	E sabia  Ivy confirmou.  Mas tambm desconfiamos que Conner alterou os livros de contas. Lembra que no sobrou dinheiro algum? No acha que papai devia ter ao menos um pouco guardado para ns?
Foi como se uma cortina do passado houvesse sido aberta, permitindo a Laurel enxergar os fatos de oito anos antes, agora com uma viso adulta.
	Conner teve oportunidade para agir  Adam falou.  Como scio, ele tinha acesso ao escritrio de seu pai.
Laurel cerrou os dentes, lutando para conter a raiva. Ela e as irms haviam suportado todos os tipos de humilhaes depois da morte dos pais. Por um bom tempo tiveram que trabalhar duro para sobreviver. Foram abandonadas pelos amigos, tradas por homens de negcios e perseguidas por advogados. E agora parecia que o culpado de tudo aquilo fora apenas um homem: Conner Mathison.
	Por que nunca desconfiaram dele at agora?
	Porque Conner  um mentiroso muito competente  Adam respondeu.  A nica coisa que ele parece levar a srio na vida so as apostas que faz no jogo.  Ele respirou fundo, como as pessoas fazem quando esto prestes a dar uma m notcia.  Falei com o advogado principal. Ele desistiu do caso.
	Malditos!
A indignao de Laurel dirigia-se tanto a Conner quanto ao advogado. Adam tocou a mo dela com gentileza.
	Direi a voc o que j disse a Holly: deixe essa raiva de lado.
Raiva e mgoa no as levaro a lugar algum. No h mais nada que possamos fazer agora.
	Oh, h sim!  disse uma voz vinda da porta.
Era Holly, segurando um baralho.
	Pensei que tivesse ido cochilar  Adam ralhou.

	Como posso pensar em dormir se minha irm acabou de chegar? Alm do mais, no confio em voc e Ivy para contar o plano direito.
	Plano?  Laurel indagou.
Holly colocou as cartas no centro da mesa.
	Ns, ou voc mesma, Laurel, iremos derrotar Conner Mathison em seu prprio jogo.  Ela tambm sentou.  Ouvi dizer que ele adora pquer.
	Hei, esperem um pouco  Laurel olhou para as irms. Esto querendo dizer que terei de jogar pquer com Conner Mathison?  esse o plano?
	Pelos menos at encontrarmos um melhor, se  que conseguiremos  Ivy disse.
Laurel respirou fundo.
	No jogo desde a poca em que papai me deixava assistir as partidas entre ele e os amigos  ela avisou.
- Ento s o que precisa  treinar um pouco  Holly sugeriu, apontando o baralho sobre a mesa.
	Papai dizia que voc era muito boa nisso  Ivy assegurou-a.
	Mas no o suficiente para derrotar Conner  Laurel lembrou.
	Por isso compramos todos esses livros para voc  Ivy anunciou, comeando a ler uma lista de ttulos:  Como Ser um Vencedor no Pquer, Vencendo no Pquer, Mil Dicas sobre Pquer, Estratgia de Cartas.
	Pois para mim tudo isso ser uma grande perda de tempo disse Laurel, comeando a embaralhar as cartas.
Seria mais fcil demonstrar sua incompetncia no jogo do que tentar discutir com as irms. Porm, para seu "azar", ela venceu a primeira partida.
	Eu disse!  Holly exclamou, triunfante.  Conner j est derrotado!
No era de admirar que Adam estivesse preocupado. Holly estava mesmo ficando maluca.
	A gravidez no afetou apenas seu peso, minha irm  disse Laurel, olhando as cartas que Ivy segurava.  Holly, querida, por mais revoltada que eu esteja, no pretendo passar o resto de minha vida tentando me vingar de Conner.
	S um jogo  Holly lanou um olhar apelativo para o marido.
 Faremos um jogo apenas, mas que valer por muitos. Tiraremos todo o dinheiro daquele patife. Sem trapaas, claro. No quero me rebaixar ao nvel dele.
Laurel olhou para o cunhado.
	So os hormnios  sussurrou, balanando a cabea.
	Eu ouvi isso!  Holly lanou um olhar de censura para os dois.  No posso fazer nada sem que me acusem de estar sendo vtima de uma crise hormonal!  explodiu.  Quero derrotar Conner para que ele possa sentir o gostinho da derrota ao menos uma vez!
	E isso mudar alguma coisa?  Laurel perguntou.
Estava surpresa com a atitude da irm. Admirava o cunhado cada vez mais.
	No quero que o primeiro neto de papai cresa pensando que nem ao menos tentamos...
	Holly  ralhou Adam.
	No me referi a vingana  ela salientou.
	Mas foi o que disse para mim  Ivy contraps.
	 que... Oh, eu no sei!  Holly ficou de p.
	Eu a entendo  Ivy mencionou.  Quer contar essa histria para seu filho, mas espera que ela tenha um final do tipo: "Sua tia Laurel desafiou o vilo para um jogo de pquer e ela o venceu!"
Laurel riu. At que fazia sentido tal pensamento partir de Holly. Alm disso, gostava da ideia de se tornar a herona. Ao menos uma vez conseguiria desempenhar o papel principal em alguma coisa.
	Ok  declarou.  Empreste-me um desses seus livros, Ivy.
Pegue as cartas, Holly. Vamos ver de quanta prtica preciso.
Todavia, aps duas horas de jogo, Laurel concluiu que seria necessrio muito mais que prtica.
	Isso no vai dar certo  disse, desanimando.
	Talvez se mudarmos um pouco de ttica...  Holly sugeriu.
	No  Laurel balanou a cabea.  Precisarei de ajuda profissional.
	Posso cuidar disso  Adam suspirou.  Embora possa me arrepender depois.
Laurel riu da expresso desesperanada que viu no rosto dele.
	O que  isso agora, Adam, querido?  Holly perguntou.
	 que...
	No quer que eu me preocupe mais com esse assunto, no ?
 Holly indagou em tom de discusso.
Ivy fez uma careta, encolhendo-se na cadeira. Adam tornou-se tenso. Laurel decidiu intervir:
	Holly! Isso deveria convenc-la do quanto ele a ama, e, no entanto, voc insiste em agredi-lo!
	Mas estou falando srio sobre esse assunto!  exclamou Holly com os lbios trmulos.
	Compreendemos que est nervosa devido ao seu estado Laurel acrescentou.
	Estou grvida, e no doente!
	Mas se continuar a ter um acesso de raiva cada vez que menciona o nome de Conner Mathison, acabar doente mesmo!
Holly arregalou os olhos, seus lbios pararam de tremer. Laurel notou que Adam e Ivy a observavam, expectantes. Sentiu a autoconfiana que adquirira em Hollywood voltando aos poucos.
	No precisa se preocupar com Conner, Holly. Preocupe-se com meu sobrinho ou sobrinha. Eu cuidarei de Conner.  Voltou-se para o cunhado.  Como pode conseguir ajuda, Adam?
Ele lanou-lhe um sorriso resignado.
	Um de meus melhores amigos, Jack Hartman, era muito bom com cartas quando estudvamos. Nunca perdia um jogo.
	Por acaso eu o conheci no seu casamento?  Laurel perguntou.
	No. Jack , ou era, corretor da bolsa de valores e no pde comparecer porque estava trabalhando no dia. S que estou tendo
um pouco de dificuldade em localiz-lo. Ele no trabalha mais para a mesma corretora. A me dele me disse que ele est escondido em uma cabana de pesca. Deixei um bilhete com o dono de uma loja prxima  cabana. A me de Jack disse que ele aparece l de vez em quando para ligar para ela.

	Sem dvida ele dever ligar para a me no Natal  Ivy comentou, pensativa.
	Talvez seja difcil ele encontrar passagem de avio antes do Ano Novo. Os voos estavam muito cheios, Laurel?  Holly perguntou.
Laurel hesitou. Seria melhor contar a. verdade agora? Algo no fundo de sua mente alertou-a de que magoaria muito as irms se fizesse aquilo.
Antes de ela admitir o quanto seria difcil conseguir uma vaga em algum vo, Adam disse:
	Sei que Jack chegar aqui assim que puder. Ele me deve um favor.
Notando o olhar atencioso do cunhado, Laurel retribuiu com um de agradecimento. Agora ela tambm devia um favor a Adam.

CAPITULO II

Se Jack fosse mesmo aparecer era provvel que ele s chegasse dentro de alguns dias, pensou Laurel,
na manh seguinte. At l, ela teria outras preocupaes. Como faria para comprar os presentes de Natal se no tinha dinheiro algum?
Quisera tanto voltar logo para casa que no considerara as compras de Natal.
O piso de cermica da lavanderia regelou seus ps descalos. Tremendo de frio, Laurel colocou o jeans, a camiseta e as roupas ntimas na mquina de lavar. Vestiu a outra nica roupa que levara: um vestido preto, curto e sem mangas. A saia no era curta quando Laurel o comprara, mas  que aps algumas lavagens ele encolhera.
A campainha soou assim que ela acionou a mquina de lavar. Correu para atender  porta antes que o barulho acordasse algum.
	Jack Hartman se apresentando.
Exibindo um belo sorriso, ele estendeu a mo para Laurel. Por cima do ombro dele, ela viu um jaguar azul-metlico parado diante da casa.
	Qual o problema?
Ele foi entrando sem esperar pelo convite.
	Problema?  Laurel repetiu, confusa.
	Sim. Adam mandou me chamar, no foi?
Jack no olhava para ela ao falar. Laurel observou-o enquanto ele percorria a vista pelo aposento. Voltou  porta e pegou duas bolsas grandes, deixando uma terceira ainda maior.
	Pode ajudar, se quiser  ele disse.
 Pode entrar, se quiser  Laurel replicou com um gesto teatral. Essa sim  a hospitalidade sulista sobre a qual tanto ouvi falar  Jack ironizou.
Tratamos todos assim, at os animais  Laurel respondeu no mesmo tom irnico.
Jack soltou as bolsas de viagem e respirou fundo.
	Eu disse a Adam que no me adapto em meio aos humanos.
- E est certo.
Ele olhou-a por um instante, um sorriso insinuando-se em seus lbios.
	Voc no  Holly, ?
Laurel puxou a terceira bolsa para dentro, fechando a porta.
	No consigo imaginar Adam casado com voc  ele acrescentou, olhando para as pernas de Laurel.  No  o tipo dele.
Laurel achou melhor no retrucar, pois se o fizesse acabaria sendo grosseira.
	Por acaso  alguma parente desgarrada que veio passar as frias por aqui?  ele indagou.
	Sou Laurel, irm de Holly.
	Ento  para voc que darei as aulas de pquer?  Jack indagou um tanto surpreso.  Muito prazer  voltou a estender a mo para ela.
Laurel apertou-a automaticamente. Ficou espantada com a energia que sentiu emanar daquela mo. Jack parecia ser um homem muito dinmico. Observando melhor os olhos verde-escuros, Laurel notou um brilho diferente, como se uma chama de ousadia os animasse.
Apreensiva, tentou retirar a mo da dele. Porm, para sua surpresa, Jack tambm tomou sua outra mo. Voltou as palmas para cima e, por um breve instante, Laurel pensou que ele fosse beij-las. Deslizando os polegares pelas leves calosidades, ele perguntou:
	No qu voc trabalha, Laurel?
	Sou atriz  ela respondeu, antes mesmo de lembrar que de sistira da carreira.
Jack virou as palmas para baixo, observando o dorso das mos dela. Laurel encolheu os dedos, mas ele os esticou e levantou a vista para ela.
	Andou trabalhando como garonete ou algo do gnero?
	Sim.  Laurel retirou as mos das dele.  E da?
	 um trabalho honesto. Por que se envergonha disso?
E ela que pensara que somente Adam tinha o poder de observ-la alm do normal! Sua vida no era da conta de Jack e ela no tinha inteno alguma de discutir seus sentimentos com ele.
Jack a olhava com ateno. De fato, parecia muito interessado na resposta dela. Era desconsertante ser o objeto de total ateno de algum.
	Pode pr ao lado das outras  ele apontou a bolsa que ela ainda segurava.  Seus ps devem estar doendo. Os meus sempre
doam quando eu trabalhava como garom.
Os ps de Laurel realmente estavam doloridos. Ps a bolsa ao lado das outras. Lembrando-se do jaguar que vira l fora, ela comentou:
	Deve fazer um bocado de tempo que voc no serve mesas.
	Sim, mas nunca senti vergonha de ter feito isso. Na poca gostaria de estar fazendo outra atividade, mas no me sentia envergonhado.
	Bem, mas eu me sentia!  Laurel confessou para sua prpria surpresa.
	Por qu?
	Porque eu deveria estar em um palco e no servindo mesas!

	 uma iniciante, ento?
Laurel engoliu seco.
	No. Nem chegua me tornar atriz, para dizer a verdade.
Ela viu Jack perscrutar os contornos de seu rosto.
	Investiu tudo que tinha na carreira?
Laurel pestanejou, voltando a se surpreender com o poder de deduo daquele homem.
	Sim  respondeu, encarando-o.
Os olhos verdes mostraram aprovao.
	Muito poucas pessoas admitiriam o fracasso de um sonho, como voc acabou de admitir.
Laurel desviou o olhar.
	Demorei a admiti-lo para mim mesma  confessou.
Jack se aproximou dela.
	Fazer o seu melhor  tudo que podem exigir de voc.
Laurel balanou a cabea, desolada.
	Meu melhor no foi bom o bastante.
O rosto de Jack exibiu a mesma preocupao que Adam demonstrava ao olhar para Holly. Era como se Jack, apesar de ser um completo estranho, conseguisse entend-la. Quando Laurel deu por si, j contava as tentativas e derrotas dos ltimos trs anos. Todos os testes, o filme fracassado, as centenas de aulas...
	Algum mais sabe de tudo isso?  Jack indagou quando ela parou de falar.
	No.  Laurel sentiu-se mais aliviada em ter contado a ele.
 Creio que Adam desconfia.
Jack riu.
	Perturbador, no ? O homem quase l pensamentos.
	Voc tambm no fica atrs.
Dessa vez Jack riu com mais prazer.
	Alm de bonita, tem um bom senso de humor  disse.  Tenho certeza de que nos daremos muito bem, Laurel.
Jack tinha algo de diferente. Nem a prpria Laurel estava entendendo como acabara contando boa parte de sua vida a ele. Como Jack conseguira que ela fizesse aquilo?
	Quando falou com Adam?  perguntou a ele.
Jack enfiou as mos nos bolsos da jaqueta.
	Poucas horas atrs.
"Ento o barulho do telefone no foi um sonho", pensou Laurel.
	Ele contou o que queremos?
	Vagamente. Adam disse apenas que precisava de minha ajuda. Aqui estou.
Laurel sorriu, apesar do embarao. Com certeza Jack riria quando soubesse o motivo pelo qual o haviam chamado. De repente, sua garganta tornou-se seca. Jack era o charme em pessoa. E isso era perigoso.
	Aceita um caf?  ofereceu a ele.  Sou a nica acordada, por enquanto  acrescentou, incerta se seria seguro ficar muito tempo sozinha com ele.
	Claro que aceito  Jack respondeu, mantendo o sorriso.  Tenho mais facilidade para conhecer uma mulher durante o desjejum do que nas outras refeies.
Laurel esforou-se para ignorar o frio no estmago, enquanto encaminhava-se para a cozinha.
Sem o mnimo embarao, Jack vasculhou os armrios at encontrar as xcaras.
	Pode se servir  Laurel disse num tom de censura.
Jack parou de encher a xcara e olhou-a, surpreso.
	Est ocupada com alguma outra tarefa?
	No  Laurel respondeu, calculando que a mquina ainda devia estar lavando suas roupas.
	timo, ento me acompanhe.
Dizendo isso, ele encheu outra xcara para ela. Laurel aceitou-a, sentindo-se meio idiota com a situao. Jack abriu a porta da geladeira.
	Ouvi dizer que os texanos gostam de desjejuns fartos  comentou.  Ovos! Que timo.  Voltou-se para ela:  Gosta de farelos de aveia?
	No.
	Maravilhoso. Realmente vamos nos dar muito bem.
Laurel no teve como discordar dele. Era difcil no se sentir  vontade na presena de Jack.
	J comeu huevos rancheros?  indagou ela, adiantando-se para pegar uma frigideira.
	Creio que no.
	timo. Tenho minha prpria receita.  Apontando a geladeira, acrescentou:  Sei que h salsa em um dos compartimentos. Que tal um pouco de queijo tambm?
Jack encontrou o que ela pedira.
	J estou gostando da sua receita  disse, sorrindo.  Quer manteiga tambm?
Laurel assentiu. Ficou admirada quando viu Jack encontrar os talheres e arrumar a mesa. Quando ele terminou, os ovos j estavam prontos.
	Puxa, o aroma est timo  ele elogiou quando ela serviu os pratos.
Comeram em silncio durante alguns minutos.
	Como conseguiu vir to rpido?  Laurel foi a primeira a falar.
	Avio particular. Quer mais caf?
Laurel balanou a cabea que sim.
	Seu?
	No. De um cliente que me devia um favor.
	E o carro?
	Peguei emprestado.  Ele deu de ombros.  Outro cliente; outro favor.
Jack devia ter clientes abastados. Mas Adam dissera que ele no estava mais trabalhando na corretora. Ento qual seria o trabalho de Jack e que tipo de clientes ele tinha?
Ele encostou-se na cadeira e a encarou.
Vamos, pergunte o que est morrendo de vontade de saber.
Laurel realmente estava curiosa, mas estava comeando a ficar
preocupada com a maneira como Jack adivinhava seus pensamentos.
	Por que est aqui e no com sua famlia?  inquiriu.
	E ignorar o pedido de ajuda de um grande amigo? Nunca!
Laurel no disfarou um sorriso de descrena.

	Se eu recebesse um telefonema de um amigo pedindo que eu fosse ensinar sua cunhada a jogar pquer dois dias antes do Natal, eu acharia, no mnimo, estranho.
	Isso porque voc no  uma jogadora de pquer.
	Voc disse que eu podia perguntar.
	Mas no afirmei que iria responder.
	Tem razo  Laurel admitiu.  Mas se voc fosse um personagem que eu tivesse de estudar, eu deduziria que algo aconteceu recentemente e voc no quer discutir o assunto com sua famlia.
Por isso, aproveitou o pedido de Adam e usou isso como desculpa para se afastar.
O rosto de Jack tornou-se plido, indicando que Laurel acertara a suposio.
	Laurel, minha cara, voc tem todas as caractersticas de uma grande jogadora de pquer.
Ela sentiu-se estranhamente envaidecida com o elogio.
	Sim, voc est certa  Jack admitiu.  Sou um corretor muito competente. s vezes fao dedues precisas, como a que voc acabou de fazer. Estudo muito e observo as pessoas. Alguns corretores menos bem-sucedidos no entendem a razo da minha incrvel sorte.
Laurel ficou de p.
	Continue falando  pediu, interessada.  Vou retirar a mesa.
Jack deu de ombros.
	No h muito mais a ser dito. Sabe o que significa espionagem comercial?
	Trapaa?
	Mais ou menos. Trata-se de uma prtica altamente ilegal. Recuso-me a fazer isso.  Havia um tom de desafio em sua voz. A empresa para a qual trabalho me pediu para ficar ausente por algum tempo enquanto... deixe-me ver se lembro as palavras exatas... "as coisas esfriam".
Laurel colocou a loua sobre a pia.
	Por isso veio para c  disse.
	No. Sa do emprego e fui passar uns dias na cabana de pesca da minha famlia.
	Soa como se voc estivesse fugindo de alguma coisa.
A expresso de Jack tornou-se fria.
	Nos trs anos em que trabalhei para aquela empresa, obtive mais lucros do que qualquer outro corretor. Corria riscos calculados e meus clientes entendiam isso.
Laurel deduziu que os clientes de Jack deviam ser apostadores, como ele.
	S que os outros corretores no eram to compreensivos, certo?
A inveja comeou a se manifestar e j sabemos o resto da histria.
	Isso mesmo  Jack confirmou, ajudando-a a tirar o restante da mesa.
	E agora pretende voltar a jogar pquer?

	Viver de apostas no  uma boa maneira de se sobreviver.
Laurel sorriu para ele.
	Voc deve saber disso muito bem, por experincia.
	Sim  Jack permaneceu srio.  No jogo mais.
	Ento por que est aqui? E por que Adam pediu que viesse?
	Vim pelo favor que devo a ele. Adam no sabe que parei de jogar.
O olhar de Jack avisou-a de que seria melhor manter as coisas nesses termos.
	No consigo imagin-lo devendo algum favor a algum.
	E uma dvida antiga.
Pelo visto, pagar os dbitos era algo muito importante para ele. Laurel entendia perfeitamente. Afinal, no voltara para pagar a sua para com Holly?
No podia negar que simpatizara muito com Jack. Ele aparentava ser uma pessoa de confiana. Um leve assobio interrompeu seus pensamentos.
	O que aconteceu com voc?
Jack observava um porta-retratos exibindo uma foto de Laurel com as irms no primeiro baile de caridade que a empresa delas havia decorado. A Laurel que aparecia na foto estava bem mais voluptuosa, exibindo um belo vestido de lam prateado. Quanto tempo tem essa foto?  Jack insistiu.
Laurel deu de ombros.
Uns trs anos, acho.
Virou-se para a pia, evitando o olhar dele. Jack aproximou-se dela e.a fez voltar-se novamente para ele.
	Trs anos?!
Laurel fitou-o nos olhos.
	Sim. Por qu?
	No acha que ainda  muito jovem para estar com essa expresso de cansao?  ele indagou.
Laurel permaneceu em silncio, sabendo que Jack tinha razo.
	Laurel! Encontraram sua bagagem no aeroporto?  Holly foi perguntando antes mesmo de notar a presena de Jack.
	As bolsas pertencem a Jack  Laurel o apresentou  irm.
	Oh, isso  timo!  Holly exclamou.  Acha que pode ajudar Laurel?
Jack sorriu para ela.
	Ainda nem jogamos. Estamos nos alimentando primeiro.
	Boa ideia  Holly foi  geladeira. Quando virou, notou que Jack a comparava com a fotografia.  Sim, reconheo que engordei um pouco, mas tenho motivos para estar assim.
	Meus parabns, ento  Jack cumprimentou-a, deduzindo qual era o motivo.
	Voc... no imaginou que eu estivesse apenas gorda, no ?
	Hoily arregalou os olhos.
	Oh, no  Jack negou com mais veemncia que o necessrio.
	Claro que no.  que a experincia j me ensinou a no cumprimentar uma mulher mais gordinha antes de ter certeza de que ela est nesse estado, caso contrrio ela se sentiria muito ofendida.
Holly sorriu, visivelmente aliviada.
	O que comeram no desjejum? - ela quis saber.
	Huevos rancheros Laurel respondeu.
Notando o vestido da irm, Holly comentou:
	Eu ia lhe oferecer algumas roupas, mas pensei que houvessem encontrado sua bagagem no aeroporto.
Laurel sentiu o rosto enrubescer, devido ao embarao. Seu vestido no parecia muito apropriado para estar na presena de um estranho, tomando o desjejum.
Involuntariamente, olhou para Jack, notando a expresso confusa que ele exibia. Embora houvessem conversado antes, Laurel no; contara que estava sem dinheiro.
	A maioria das minhas roupas no esto mais me servindo  Holly disse.  Posso emprestar quantas voc quiser.
	Obrigada, Holly  Laurel agradeceu. Gostaria de ter contado a verdade sobre a bagagem para a irm, mas seria humilhante faz-lo na frente de Jack.  Vou levar Jack para o andar de cima, depois pegarei algumas roupas suas. Como nos velhos tempos.
Holly riu.
	S que dessa vez com a minha permisso.
Laurel forou um sorriso, murmurando algo sobre ajudar Jack com a bagagem.
Enquanto subiam a escada, Jack curvou um lado da boca, num sorriso compreensivo, e olhou para Laurel.
	Tambm j usei a histria da bagagem perdida uma ou duas vezes.
	S isso?  ela ironizou.
	Talvez mais. Isso lhe serve de consolo?
O embarao que Laurel sentira antes no era nada, se comparado ao que estava experimentando agora.
	No, creio que no.
	Pois a mim serviria  Jack replicou.
Sem entender muito bem o que ele quisera dizer com aquilo, Laurel olhou-o por um instante, fazendo sinal para que seguissem em frente. s vezes parecia que aquele homem era um completo enigma.

CAPITULO III

Jack conhecia aquelas pernas. Estavam vestidas em uma cala agora, mas ele lembrava das formas arredondadas, ressaltadas por um vestido preto curto, enquanto a mulher que o usava preparava os melhores ovos fritos que ele j comera.
Jack diminuiu a velocidade do jaguar vermelho que comprara momentos antes. Se ia permanecer mesmo na cidade, no podia ficar com o do amigo. Alm do mais, esse modelo era bem mais atraente que o outro.
Comeou a andar atrs de Laurel enquanto ela seguia a p pela estrada. As botas de salto tornavam seu andar muito sexy. A certa altura, a ala da bolsa dela quebrou. Laurel parou, fazendo um gesto impaciente. Colocou a bolsa sob o brao e seguiu em frente, jogando os cabelos escuros por sobre o ombro.
Jack emparelhou o carro com ela e abaixou o vidro.
	Que tal uma carona?
No fundo, ele queria exibir o carro novo. Laurel o ignorou. Qual era o problema com ela?, pensou Jack. Quando ele a levara para um passeio na cidade, pela manh, notou que Laurel gostara de sua companhia, mas agora ela estava preferindo andar a p do que entrar em seu carro. O que acontecera, afinal?
Lembrou de fragmentos do que haviam conversado durante o j passeio, enquanto Laurel seguia pela estrada, ignorando-o. S conseguiu pensar em uma razo para ela estar agindo daquela maneira: Laurel no gostava de velocidade.
Ouviu uma buzina atrs de si. Num gesto tipicamente adolescente, acelerou o carro muito mais que o necessrio e bloqueou o caminho de Laurel. Ela fez meno de atravessar a rua.
	Laurel!  Jack abriu a porta do passageiro.  Entre, por favor. Prometo dirigir como se estivssemos indo para a igreja. Desculpe se fiz algo que no devia.  Impaciente, ele desceu do carro e se aproximou dela.  Quer fazer o favor de me dizer onde errei?
	Jack?  ela arqueou as sobrancelhas.
Ele retirou os culos escuros.
	Quem voc pensou que fosse?
Laurel se aproximou do carro, observando-o com expresso confusa.
	No sei. Mas seu carro no era azul hoje de manh!
Ao se dar conta da confuso, Jack comeou a rir.
- Oh, desculpe se a confundi.  Ajudou-a a entrar no carro.  Deve levar muitas cantadas por onde anda.
	Costumava levar  ela salientou, acomodando-se no assento confortvel.
Jack lembrou da foto de Laurel trajando o vestido prateado e acreditou nela. Seu semblante agora era o de uma mulher cansada, at mesmo desiludida. Nem parecia a mesma pessoa.
Colocando a chave no contato, voltou-se para ela:
	Est brava comigo?
	Por haver esquecido de que seu jaguar mudou de cor?
A resposta de Jack foi um sorriso charmoso.
	Gostou?
	E bonito.
Jack esperava uma reao mais animada.
	Gostei tanto de dirigir o outro jaguar, que decidi comprar um para mim tambm.
Houve um momento de silncio.
	O que far com ele quando voltar para Nova York?
	No sei se vou voltar para l.
Laurel arqueou uma sobrancelha. Jack continuava sendo um enigma. Tomava decises importantes como se no passassem de assuntos banais. Um carssimo carro novo. Uma viagem imediata. Jack era impulsivo, impetuoso.
Laurel, ao contrrio, preferia segurana, estabilidade.
	Ser que vai demorar tanto tempo assim para eu aprender a jogar?
	Depende do quanto nos entendermos  ele olhou-a de soslaio.
	At agora estamos nos dando bem.
	Diga isso com mais entusiasmo, Laurel.
Ela prendeu a respirao, entendendo a insinuao por trs das palavras de Jack. Era melhor ele no tentar nada. Ela no era nenhuma garota ingnua que cairia facilmente na armadilha dele.
	E que tipo de pagamento espera receber em troca das aulas?
 arriscou ela.
	O qu?
Se Jack fosse ator, Laurel diria que ele estava exagerando no desempenho.
	Quer que sejamos muito amigos, certo?  ela demonstrou sarcasmo em cada palavra.
Jack estacionou o jaguar diante da casa dela. Quando voltou-se para fit-la, havia espanto em seu rosto.
	O que aconteceu com voc na Califrnia?
- Nada. Por isso mesmo no consegui nenhum papel. Jack segurou o volante com fora.
	E eu que pensei que esse velho problema j no existisse mais.
	Pois enganou-se.
	Oua, Laurel, no sou do tipo que tira vantagem das situaes.
	Isso quando no surge uma oportunidade, certo?  Laurel retaliou, sarcstica.
Jack se aproximou dela.
	Isso mesmo  sussurrou.
Laurel inspirou o perfume masculino que ele usava. O efeito foi a ativao de todos seus sentidos. A energia da atrao entre ambos chegava a ser quase palpvel. S ento Laurel entendeu que Jack no precisa tirar vantagem de nenhuma mulher, qualquer uma se sentiria envaidecida em se doar completamente a ele.
	Foi por isso que me ignorou ainda h pouco?
Laurel meneou a cabea, confusa.
	Quando ofereci carona  ele esclareceu.
Jack ainda estava muito prximo. O bastante para Laurel perceber o brilho de desejo em seu olhar. Teve vontade de tocar o rosto dele, mas conseguiu se conter.
Afastou-se um pouco para trs, insegura com aquela proximidade. Jack exibiu um sorriso de compreenso, afastando-se tambm.
	Qual o problema de ficarmos prximos?
O alvio de Laurel cedeu lugar ao embarao. Limpou a garganta.
	Nenhum.
De repente o carro tornou-se claustrofbico para ela. Jack estava perto demais. O magnetismo de sua presena era algo perturbador.
Laurel forou um sorriso de despedida, abrindo a porta. Precisava sair dali antes que acabasse se rendendo ao charme daquele homem.
Laurel ensaboou os cabelos pela terceira vez. Nascera loira, considerava-se loira e, por Deus, queria voltar a ser loira! Todavia, quando secou os cabelos eles ainda pareciam uma nuvem escura obscurecendo o sol.
Entrou no quarto e olhou para as roupas sobre a cama, satisfeita em poder vestir algo diferente do jeans e camiseta. Deixara o vestido preto sobre uma cadeira. Ele at lhe fora til durante um bom tempo. Sua tonalidade j no era to escura, devido ao tempo de uso.
No fundo, Laurel odiava aquele vestido. Fora fazer a maioria dos testes vestida com ele. Considerava-o como o smbolo de todos seus fracassos. Porm, no podia simplesmente jog-lo fora. No depois de tudo que haviam compartilhado. Melhor seria queim-lo.
Vestiu um conjunto de cala e suter vermelhos que tomara emprestado de Holly e levou o vestido consigo para o andar de baixo.
Ouviu vozes vindas da sala de entrada e do escritrio de Holly. Laurel acendeu a lareira da sala de estar e sentou-se no cho, de costas para o sof. Aos poucos as chamas foram aumentando. Quando viu que elas haviam atingido um bom tamanho, colocou o vestido no meio delas. Houve alguns estalos na madeira e logo o fogo consumiu o tecido e os sonhos de Laurel.
	Trata-se de algum tipo de tradio familiar?
Laurel estava deprimida demais para se importar com a sbita presena de Jack. Ele atravessou o aposento, aproximando-se da lareira.
	Eu gostava desse vestido  disse ele.
Laurel notou um tom pesaroso na voz dele. No pde deixar de nr. Fez um sinal para que ele se sentasse ao lado dela.
Fiz quase todos meus testes vestida nele  declarou com um suspiro.
Jack pegou uma almofada e entregou outra a Laurel, antes de se sentar ao lado dela.
O que pretende fazer agora?  perguntou a ela. Laurel abraou os joelhos, encostando o queixo sobre eles.
Treinar minhas habilidades no pquer.
	E depois?
	No sei. Honestamente no sei.
Houve um momento de silncio.
	O que voc deseja fazer?  Jack inquiriu.
	Quero ser atriz.
Pelo canto dos olhos, Laurel percebeu que ele a observava.
	No  isso que voc quer  Jack disse.
	Claro que !
Ele balanou a cabea.
	Disse que queria ser atriz, mas no proferiu uma palavra sobre representar.
Laurel empertigou-se.
	E o que mais uma atriz faz?
Jack fitou-a com divertimento no olhar.
	Leva uma vida muito boa, se for famosa, claro. Muita badalao e atenes. Roupas caras, presentes valiosos...
Laurel estreitou o olhar.
	Est me acusando de ser volvel e materialista  afirmou.
	E voc no ?
i No, no sou.  Ficou de p e abaixou a vista para ele.  No sou!  repetiu.
Jack segurou-a pelo pulso.
	No h nada de errado em se ser um pouco materialista.
O primeiro impulso de Laurel foi se desvencilhar da mo dele e sair da sala. Entretanto, algo mais forte a impeliu a ficar.
O que Jack sabia a respeito de sua famlia? A manso cercada por colunas brancas impressionava as pessoas. Talvez Jack houvesse se impressionado tambm. Ele ficaria muito mais surpreso se tivesse visto a casa antes da crise que atingira a famlia.
Felizmente ela e as irms haviam conseguido ficar com a casa. Ela passara a lhes pertencer por direito, aps haverem pagado os devidos impostos.
Queria ignorar o comentrio de Jack, mas no conseguiu:
	Voc fala como se ainda vivssemos no sculo dezoito  replicou.  Riqueza  bom. Riqueza obscena  melhor ainda. Consumismo corruptvel ento,  maravilhoso!
	Exatamente  ele anuiu com um sorriso preguioso.
	Voc  detestvel, Jack Hartman.  Laurel desvencilhou-se da mo dele.
	Mas voc me adora mesmo assim.
	Imagine!
	Adora sim. S no quer que eu saiba disso.
Ele riu, cruzando os braos sobre o peito.
Laurel sentiu o sangue comear a ferver nas veias. Teve vontade de esbofete-lo.
	V em frente  Jack mandou, rindo.
	O qu?
	Est evidente que quer se vingar de mim. Pegue  entregou uma almofada a ela.
Laurel a aceitou de bom grado. Se Jack pensava que ela no teria coragem de atir-la nele, estava muito enganado! A almofada o atingiu no rosto, com uma preciso muito satisfatria.
	Sente-se melhor agora?  O sorriso de Jack estava perigosamente tranquilo.
Claro que ele no ousaria atirar a almofada nela. Convencida disso, Laurel voltou a se sentar ao lado dele.
	Jack, eu...
Tarde demais. A almofada a atingiu em cheio, indo parar em seu colo, antes mesmo que ela tivesse tempo de ver o que acontecera. O que deveria fazer agora? Xing-lo, depois de ter feito o mesmo com ele?
Levantando a vista, viu que Jack a observava. Ele era muito atraente e o pior  que tinha conscincia do poder que exercia sobre as mulheres.
	Isso no foi educado, Jack  ela disse num tom manhoso.
Aquilo sempre afetava os homens de alguma maneira.
	s vezes, educao  algo muito chato.
O olhos verdes refletiam as chamas da lareira. O brilho alaranjado tornava-os enigmticos, intimidadores. Olharam-se por um longo tempo, sem se mexer.
Laurel pegou-se imaginando que tipo de mulher atrairia Jack. Rosto bonito, corpo escultural... Uma mulher magra e de aspecto abatido, como ela, no despertaria o interesse de um homem como Jack. A mulher que ela havia sido, porm...
Deixou escapar um suspiro. Por uma frao de segundo, desejou que Jack pudesse v-la como ela era antes de viajar para a Califrnia. O desejo foi to intenso que trouxe lgrimas a seus olhos.
Apoiando as mos no cho, Jack inclinou-se, parando bem prximo a ela. Laurel queria que ele a beijasse, mas nunca ousaria
diz-lo. Cerrou os dentes, evitando que as lgrimas inundassem seus olhos.
Jack encurtou mais a distncia que os separava. O beijo foi leve, gentil. Uma carcia inocente. Lgrimas rolaram pelo rosto de Laurel, molhando a face de Jack.
	Hei - ele sussurrou, surpreso , leva esse negcio de representar mais a srio do que pensei.
	No  isso  respondeu ela, embaraada.
	Vem c...
Jack enlaou-a em seus braos. Murmurava palavras carinhosas enquanto a beijava. A energia que ele irradiava envolveu-a de uma maneira deliciosa, fazendo ressurgir a chama de um sentimento h muito apagado dentro dela. Durante meses a determinao cega de ser atriz tornara-se o foco de toda sua ateno, fazendo-a esquecer-se de que havia outros objetivos importantes na vida. Como encontrar o amor, por exemplo.
Uma voz interna avisou-a de que estava demonstrando carncias que seria melhor manter escondidas. Uma voz mais forte, porm, lembrou-a de que nunca sentira sensaes to intensas nos braos de outro homem.
Preferindo ignorar ambas as vozes, Laurel inalou o perfume al-miscarado da pele de Jack. Levou a mo  nuca dele, explorando os cabelos macios com dedos tmidos.
Jack a segurou mais junto de si, terminando o longo beijo. Laurel no queria que ele terminasse. Estava adorando sentir aqueles lbios insistentes junto aos seus.
Com um suspiro, lembrou de quando Jack dissera que no tirava vantagem de mulheres. Ele fora sincero. E Laurel se sentia grata por isso.
Pouco antes de Jack se encostar contra o sof, ela percorreu os dedos pelo rosto dele, coisa que h muito desejava fazer. Adorou sentir a aspereza quase agressiva da barba dele sob a pele delicada de seus dedos.
	Minha barba a incomoda?  Jack indagou.
Dando-se conta de onde e com quem estava, Laurel empertigou-se no mesmo instante.
	No  respondeu.
Imitando o que ela fizera, Jack passou o dedo pela trilha que uma lgrima deixara no rosto dela.
	Estava representando ainda h pouco?
Minta!, dizia uma parte dela. D uma chance a voc mesma e diga a verdade!, aconselhava a outra.
	No  Laurel decidiu se dar uma chance.
L estava o brilho de convencimento que ela no queria ver nos olhos de Jack. Mudou de ideia no mesmo instante:
	Foi apenas um beijo, Jack  emendou.
	Um beijo muito agradvel, por sinal  ele acrescentou.  Precisamos repetir isso mais vezes.
Com certeza, Laurel pensou.
	Talvez  respondeu.
Com certeza, foi o que viu nos olhos dele.
Precisavam mudar de assunto. Laurel no estava disposta a experimentar outro enlevo emocional. Tentou encontrar uma maneira polida de perguntar a ele como se tornara um perito no pquer e quando ela poderia ver alguma demonstrao de seus talentos.
Todavia, Jack falou primeiro:
	Deixando um pouco de lado a carreira de atriz como est sua vida?
	No muito bem, obrigada  Laurel ironizou.  Qualquer pessoa que diga "j fui rico e fiquei pobre, mas acredite-me: ser rico  bem melhor", est coberta de razo.
	Ento foi para a Califrnia com a inteno de ficar rica de novo?
L estavam eles falando de dinheiro! Ser que Jack no conhecia outro assunto?
	Voc  muito impertinente, sabia?  desafiou-o.
	Por que acha que a verdade  impertinente?
	Porque  a sua verdade, e no a minha! Tentei me tornar atriz, s isso.
Jack tinha tanto poder de confundi-la, que Laurel se perguntou se ele no teria estudado .advocacia.
	Note que voc procurou enfatizar a ideia de se tornar atriz.
No a de querer representar  Jack persistiu.  Se quisesse mesmo representar, nada a teria feito desistir.
Jack fazia a situao soar simples demais.
	E quanto a no conseguir nenhum papel ou pagamento?
Meras desculpas  ele respondeu.
Como Jack ousava acus-la de estar usando desculpas? Logo ele, que usava roupas caras e comprava carros novos quando bem queria?
	Por que se sente atrada pela carreira de atriz, Laurel?
Ela abriu a boca para responder, mas viu-se obrigada a fech-la no mesmo instante. Era difcil admitir, mas no fundo Jack tinha razo.
Roupas caras, adulao, fama, fortuna. Especialmente fortuna. Mas nada sobre criar personagens inesquecveis. O desejo de se tornar atriz aparecera tarde em sua vida, e somente depois que ela e as irms haviam perdido os pais e o dinheiro que tinham. Teria ela interpretado mal seu sonho de adquirir fama e prestgio? Ser que era mesmo volvel e materialista? .
	Deve haver algum fundamento no que voc est dizendo  admitiu, embora contra a vontade.
	Claro que h  Jack assegurou-a.  Posso ter defeitos, mas estar errado nas minhas opinies no  um deles.  Ele olhou-a com mais ateno.  O que a fez escolher a carreira de atriz?
Poderia ter escolhido a d modelo.
Laurel notou que ele falara no tempo passado.
	No foi o que mais me atraiu na poca.
	E o que teria acontecido a Laurel Hall, a jovem determinada a se tornar atriz, se as circunstncias houvessem sido drasticamente alteradas?
Laurel esboou um sorriso incerto.
	O usual, suponho  respondeu.  Tiraria meu diploma de esposa dedicada. No me importaria em ajudar meu marido a fazer o que fosse preciso para ganhar mais dinheiro.  Fitou as chamas da lareira.  Bem, mas tambm tenho um diploma de comrcio.
Talvez quando meu marido estivesse estabelecido, eu montasse meu prprio negcio. Voc sabe, desenhar roupas ou jias. S que com horrios flexveis, para que eu pudesse continuar comparecendo aos eventos sociais.  Olhou-o por um momento.  Ora, diga alguma coisa! J lhe ofereci material suficiente para crticas.
	A mim, tudo o que disse parece normal.
	Talvez porque seja to volvel e materialista quanto eu.
J que o assunto era investigao de vidas, por que no a dele?
	Talvez. Mas qual o homem que no gostaria de ter uma esposa devotada a ele?
Teria sido esse o tipo de vida que ela descrevera?
	No tive inteno de dizer que me tornaria uma escrava domstica  explicou Laurel.
	Claro  Jack anuiu.
	J foi casado?
Certamente ele no era agora. Homens casados no deixam a famlia na poca de Natal.
	No.
	Por qu?
	Nunca me interessei em assumir um compromisso desse tipo.
	Prefere a boa vida de solteiro?
	Acha que levo uma boa vida?  ele fitou-a com olhar surpreso.
	Bem...  ela indicou a roupa cara que ele estava usando.  E o carro... Sim, creio que voc leva uma boa vida.
Jack continuou srio.
	Por acaso no lhe ocorreu que devo ter lutado para merecer isso?
Havia indignao na voz dele, como se Laurel houvesse dito algo que o ofendera.
	Sei que os corretores de Wall Street trabalham duro. Claro que voc merece o que tem  ela anuiu.
O olhar frio de Jack amenizou-se um pouco.
	Sim. Trabalhei duro. Muito duro.  Ele respirou fundo.  E ento?  mudou de assunto.  O que far depois que eu a tornar uma exmia jogadora de pquer? Ficar no clube da cidade, apostando e vencendo todas as partidas?
	No sou scia do clube  Laurel respondeu.
	Ah, no est na lista de preferncias.
	Quanta gentileza sua dizer isso!
	Desculpe.  Jack deu um tapinha no ombro dela, como teria feito com um de seus amigos.  Adam me contou sobre Conner Mathison. Disse que voc j jogou com ele antes.
	Foi h muito tempo, na poca em que meu pai reunia os amigos para jogar s quartas-feiras.
	yoc costumava vencer?
	s vezes.
	Provavelmente deixavam que voc vencesse  Jack sugeriu.
	Hei, eu jogava muito bem!  Laurel indignou-se.
Hmm  Jack percorreu a vista pela sala.  Onde esto as cartas?
Laurel apontou um pequeno armrio de madeira ao lado da lareira. Jack ficou de p e pegou o baralho, fazendo um sinal para que ela o acompanhasse at a mesa de jogo.
Ok, Laurel  disse, entregando as cartas para ela.  Vamos ver o quanto voc  boa nisso.
CAPTULO IV

Anime-se, Laurel. Perdeu um livro e o  desjejum na cama, s isso  Jack sorria enquanto observava Laurel preparar um lanche para os dois.
	No me lembro de haver apostado o local  ela replicou, pegando pratos no armrio.
Jack disfarou o riso.
	Quando for rrie levar caf na cama, lembre-se: gosto de huevos rancheros com muito queijo  disse a ela.
Laurel fez uma expresso de desagrado, mas Jack fingiu que no a vira.
	Nunca trapaceio no jogo  declarou ela, colocando o prato diante dele.  Sou do tipo que prefere soprar as cartas para chamar a sorte.
	Claro, s que as cartas dos outros  Jack provocou-a.
	Nunca insulte uma mulher que estiver segurando uma garrafa de caf quente, Jack Hartman.
	A menos que seja para pedir que ela encha sua xcara respondeu ele, erguendo a xcara.
Laurel encheu-a e sentou-se diante dele.
	Fui mesmo muito mal no jogo, ou  voc que  bom demais?
	Utilizei minhas piores tcnicas.
	Isso no  nem um pouco consolador  Laurel resmungou.
	Como foi o jogo na noite passada?  perguntou Holly, entrando na cozinha com Ivy e Adam logo atrs.
Grato pela interrupo, Jack cumprimentou-os.
	Laurel tem potencial  ele comeou.
	Puxa, obrigada!  ela ironizou.
	Por isso ainda no vou desistir  Jack assegurou-as.
Uma olhada para as irms o fez perceber que ele no poderia faz-lo mesmo que quisesse.
	timo  Holly assentiu, esquentando uma xcara de leite no microondas.
Laurel parecia insegura, dando a Jack a impresso de que se Holly dissesse "vamos desistir", ela concordaria no mesmo minuto.
	Oh, isso parece timo  Ivy olhava o prato de Laurel.  Est cozinhando para todo mundo?
	Claro  Laurel ficou de p.  Pode ficar com o meu, ainda no comi.
Ivy hesitou, mas Laurel a fez sentar-se  mesa.
	Pode comer  insistiu. Olhando para os outros, acrescentou:
 Todos vo querer huevos rancheros?
Holly empalideceu um pouco.
	Acho que vou s tomar um iogurte  disse.  No estou com fome.
Todos olharam-na em silncio, sem entender a mudana radical.
	Tambm quero iogurte, querida  Adam finalmente se manifestou, passando o brao pelos ombros da esposa.  Terei que atender uns clientes daqui a meia hora e ainda quero revisar o arquivo.
	Na vspera de Natal?  Jack perguntou.
	No me diga que no fecharia um bom negcio hoje, se a oportunidade surgisse?  Adam questionou.
	Dinheiro no paga um bom feriado  Jack sorriu.
	Definitivamente, esse no  o velho Jack que conheci  Adam tambm sorriu.
Saiu aps pegar um copo de iogurte e uma colher.
	Acha que pode fazer de Laurel uma boa jogadora de pquer dentro de uma semana?  Holly perguntou a Jack.
Ele hesitou. O rosto espectante de Laurel mostrou que sua resposta era importante para ela. Contudo, uma semana era muito pouco tem-po. Mas se Laurel tinha mesmo a determinao que demonstrara, qualquer coisa seria possvel.
 Ela precisar de muito treino.
Laurel concordou. Sabia que precisaria treinar, s no tinha certeza se queria ter Jack como professor. No conseguia relaxar quando estava perto dele.
O que terei de fazer quando nos encontrarmos com Conner? - ela interviu.  Ir at ele e dizer: "Ol, que tal um jogo de pquer com altas apostas?"
	J cuidei desse detalhe  Ivy afirmou.  Descobri que agora Conner faz parte da diretoria de um hospital. Com certeza, dinheiro ser um assunto que o deixar muito interessado.
	Ser oferecida uma festa beneficiente para o hospital  Holly explicou.  Recebemos convites, naturalmente.
	Naturalmente  Laurel repetiu.
Ivy riu.
	A decorao da festa vai se basear em cassinos. Claro que a ideia s pode ter sido dele. Sendo diretor, Conner ter de participar da festa e  evidente que ele no resistir em jogar.
Ela foi at a mesinha do telefone. Pegou um envelope e o entregou a Jack.
	Aqui est seu convite. Vocs dois podero v-lo em ao.
	A festa ser na vspera do Ano Novo  Laurel disse, aps ler o convite por cima do ombro de Jack.
	Agora j tm um lugar para ir e se divertir  Holly sorriu eles.
Laurel forou um sorriso. No sabia o que era pior o fato de sua irm querer que ela fosse quela festa, ou ter que ir em companhia de Jack. Alm do mais, no tinha nenhuma roupa elegante para usar.
	Sabe de uma coisa?  Jack balanou o convite.  Essa  uma grande ideia! Laurel ter chance de assistir Conner jogar e quem sabe at jogar com ele. Depois disso, ser melhor conseguirmos um convite para um de seus jogos particulares.
	Maravilhoso  Laurel resmungou, lembrando-se de como perdera feio para Jack na noite anterior.
	Calma, Laurel  ele tranquilizou-a.  Ainda temos uma semana pela frente.
Jack ficou de p, pousando a mo no ombro dela. O gesto simples, mas sincero, provocou ondas de calor pelo corpo de Laurel. Ouviram o som da campainha.
	Mais um dia de trabalho  Holly declarou, indo atender  porta.
	Ela vai supervisionar a decorao da ala das crianas esta noite. Laurel, quer me ajudar a fazer as compras para a ceia de amanh?  Ivy perguntou, levando a loua para a pia.
	Continua adiando as coisas at o ltimo minuto, maninha?
Assim  mais emocionante, no acha? Jack limpou a garganta.
	Tomei a liberdade de providenciar tudo para a ceia de Natal  anunciou ele.   um presente meu para vocs. Assim no precisaro lavar pratos sujos.
	Oh, que maravilha!  Ivy abraou-o, radiante.
"Que presente perfeito", pensou Laurel. Estaria ela com inveja por no poder fazer o mesmo?
	Geralmente ficamos to atarefadas na vspera de Natal que preparar a ceia torna-se um desafio quase impossvel. Agora pode remos descansar o dia inteiro!  Ivy bateu palmas, radiante.
S ento Laurel lembrou que a vspera de Natal era o aniversrio de Holly. Esquecera completamente, embora o comentrio sobre a decorao devesse t-la feito lembrar que a famlia tinha por tradio decorar a ala das crianas de um hospital no dia do aniversrio de Holly. No haver cumprimentado a irm fora realmente embaraoso.
Ivy se retirou pouco depois, deixando Laurel e Jack sozinhos.
	At que ler alguns desses livros ajudar  comentou Jack, pegando um dos livros sobre pquer que Ivy comprara.  Por que no l esse aqui para que possamos discuti-lo  tarde?
Laurel viu que o livro era sobre estratgias de pquer.
	Acha mesmo que a leitura ajudar?
Jack ficou de p.
	Aprender a jogar  apenas uma parte do jogo. H uma... atitude que  necessria para um vencedor.
O olhar de ambos se encontrou. De uma maneira indireta, Jack dissera que ela no tinha a atitude de uma vencedora.
	Mas no se preocupe  ele disse, tocando o queixo dela com gentileza.  Ns conseguiremos.
Laurel abaixou as cartas, desolada.
	Mas voc disse para eu nunca apostar Com menos de um par de ases quando eu estiver jogando perto do lado esquerdo do carteador!
Voc  a terceira a apostar, e esse jogo est praticamente Perdido. Podia ter passado a sua vez.
Ento para qu devo aprender todas essas regras? Para saber quais voc pode ou no utilizar.
Laurel meneou a cabea, ocupando o lugar seguinte na mesa de jogo. Jack era o carteador e jogava por mais cinco pessoas.
	Estou tentando ensin-la a enxergar a melhor jogada na hora certa  ele explicou.  No deixe que a classifiquem como muito conservadora, caso contrrio no conseguir realizar nenhuma jogada mais ousada quando a oportunidade surgir.
	E quanto aos blefes?
	Precisa ter cautela com eles. No deve blefar mais de duas vezes em um jogo, principalmente se for flagrada.
Jack mostrou as cartas, mas Laurel estava desmotivada demais para prestar ateno. Ele olhou para as cartas  sua esquerda.
	Professor Plum passou a vez.  Ele olhou para as cartas seguintes.  Coronel Mustard checa as cartas... o que isso significa, srta. Scarlet?
Laurel riu.
	Que o coronel Mustard provavelmente tem um par mdio ou alto, mas est querendo ver se algum tem algo melhor.
	Ou?  Jack incentivou-a.
	Que o professor Plum est esperando um momento mais apropriado para usar seu trunfo, j que tem uma tima jogada em mos  ela disse num tom brincalho.
	Ou  isso que ele quer que voc pense  Jack salientou.
	Nesse caso ele est blefando, e eu continuo sabendo tanto quanto antes.
	Exceto que nenhum dos dois se deixa levar por um rostinho bonito como o da srta. Scarlet  Jack lanou-lhe uma piscadela.
Laurel jogou os cabelos, fingindo convencimento.
	E quanto  sra. Peacock?  indagou ela.
	Oh, ela est sempre por dentro  Jack respondeu.
	Claro que est, s que suas cartas no esto muito favorveis.
Laurel levantou suas cartas. Era a vez da srta. Scarlet. Alm de um nico s, ela no tinha mais nada, absolutamente nada. Aps fazer a jogada, olhou para Jack. Ele examinava as cartas do sr. Green.
	J joguei  Laurel avisou.
O sr. Green jogou em seguida. A sra. White passou a vez.
	Bem, de qualquer modo ela tinha que servir o lanche  Jack brincou.
	E voc, sr. Jack Conquistador?
Ele fingiu examinar as cartas. Laurel sabia que ele tomava decises num piscar de olhos durante o jogo. Estava fazendo aquilo apenas para intimid-la. Os dedos longos pegaram um punhado de fichas, deixando que cassem uma a uma sobre a mesa.
Laurel detestava quando ele fazia aquilo. E desconfiava que Jack sabia disso. Voltou a se concentrar nas cartas, prestando ateno no jogo.
	Jack Conquistador analisa a jogada  disse ele, separando uma nica ficha , o sr. Green aumenta a aposta  separou outra ficha.
Laurel sabia que seria melhor passar sua vez; na verdade seria pssimo para ela apostar agora. Entretanto, havia a possibilidade de Jack estar blefando.
	Bem, e quanto ao coronel Mustard?  perguntou ela.
	Acho melhor ele tambm passar a vez. Entretanto, a sra. Peacock vai apostar mais duas fichas, e voc, minha cara srta. Scarlet, deve fazer o mesmo, a menos que queira perder.
Laurel fitou-o com expresso confusa, mas apostou logo as duas fichas, afinal, Jack era o professor.
Ele jogou pela sra. Peacock e voltou-se para Laurel:
	Srta. Scarlet?
Laurel sentiu o rosto corar. Sem encarar Jack, pediu mais quatro cartas, revelando assim que no tinha nada de valor nas mos. No podia ter apostado e sabia disso. Agora Jack tambm sabia. Ela entrara feito uma idiota na jogada dele. Bem, talvez algum milagre ainda pudesse acontecer.
Foi olhando uma por uma das quatro cartas. Nada de milagre.
	Jack Conquistador pega uma carta  ele anunciou.
"S uma?", pensou Laurel, sem encar-lo. Jack devia ter algum trunfo em mos.
 A sra. Peacock passa a vez  ele avisou.
Era a vez de Laurel. Jack comeou a brincar com as fichas novamente. Ela lembrou do conselho dele: nunca aposte em uma rodada de apenas uma carta. E Jack pegara apenas uma.
Passo  ela suspirou.  O que voc tinha?  perguntou togo em seguida.
	 No pagou pelo privilgio de ver minhas cartas, srta. Scarlet - disse ele pegando todas as fichas para si.
	Ora, Jack!
Laurel pegou as cartas da mo dele. Arregalou os olhos, estupefata.
Uma dama! E ela tinha um s! Jack a enganara outra vez! Ele olhou para as cartas.
	Muito mal  disse, sem aparentar o mnimo arrependimento.
	Seu...!  Laurel olhou as cartas da sra. Peacock.  E voc a fez passar, sendo que ela tinha dois pares!
Jack deu de ombros.
	No eram pares muito bons.
	Mas voc sabia que no tinha nada!
	Mas ganhei todas as fichas.
	Trapaceando!
Jack segurou o pulso dela e a encarou com olhar frio.
	Nunca me chame de trapaceiro.
Ela tentou se desvencilhar, mas Jack nem moveu os dedos.
	Est bem  Laurel disse.
Jack segurou-a mais alguns segundos, antes de solt-la devagar. Laurel olhou para as marcas brancas em seu pulso.
	No precisava ter ficado to bravo.
Ela ficou de p, com a inteno de sair do jogo.
	Sente-se  Jack mandou.
	No.
	Eu disse para sentar.
-E eu respondi que no!
Contudo, Laurel viu que seria obrigada a obedec-lo. Ela, ou melhor, ela e a famlia precisavam de Jack. No era ele que precisava] deles. A posio dele era mais vantajosa que a dela.
	Voc no disse "por favor"  arriscou como um meio de voltar atrs.
Jack ficou de p. Aps uma mesura teatral, puxou a cadeira para ela.
	Obrigada  Laurel agradeceu voltando a sentar.
	Trapaa no  uma palavra para ser dita durante um jogo.
Entendeu?
	Sei que os trapaceiros so...
Jack ergueu a mo, interrompendo-a.
	H no muito tempo atrs, um comentrio desse tipo teria nos obrigado a um duelo de honra.
	Sempre achei os homens um tanto exagerados com essa histria de honra.
Mas isso era no passado. Felizmente, as coisas mudaram desde ento.
A ira de Laurel se amenizou um pouco. Jack fizera uma boa jogada, mas o mtodo que utilizara no fora muito honesto. Por outro lado, nunca mais esqueceria a lio.
	Pode, por favor, explicar por que fez a sra. Peacock passar, sendo que ela tinha dois pares?
	Cada jogador de pquer tem uma personalidade diferente. Seu objetivo  deduzir essas personalidades. Voc faz isso muito bem, provavelmente devido  experincia de representar.
Laurel procurou no se sentir envaidecida.
	A sra. Peacock ficou com receio de jogar  Jack concluiu.
	Por qu? Pedi quatro cartas, o que foi uma idiotice, mas ela sabia que eu no tinha nada!
Jack hesitou.
	Boa observao. Mas eu s peguei uma carta.
	Por qu?
	Porque no era a atitude tradicional com o jogo que eu tinha em mos.
	Ento voc arriscou alto s para me derrotar?  Laurel indignou-se.  Eu poderia ter feito um jogo bem melhor. Na verdade, podia at t-lo derrotado!
	Estava irritada comigo  Jack afirmou.  Isso no a deixou raciocinar direito. Depois, quando se deu conta do que havia feito, ficou nervosa.
	No fiquei nervosa  Laurel teimou.  S no quis me arriscar a perder mais fichas.
Jack sorriu, fazendo-a dar-se conta da situao.
	 isso!  exclamou ela.  Foi por isso que voc pegou apenas uma carta! Havia me ensinado a no apostar quando apenas uma carta estivesse em jogo e esperou que eu lembrasse disso!
	Muito bom, Laurel.
	Mas minhas atitudes so to previsveis!  ela lamuriou-se.
Esto prontos para um intervalo?  Ivy colocou a cabea  porta.
	Eu estou  Laurel respondeu.  Hora de cozinhar?
    No!  Ivy fez uma careta.  Vamos comer peru assado m as enfermeiras, no restaurante do hospital. Elas sempre fazem  bolo para Holiy tambm.
	Ento  melhor nos vestirmos  Laurel sugeriu, incluindo Jack no convite.  Aposto que aquela fantasia de duende ainda me serve.
	Tambm aposto, mas...  Ivy mordeu o lbio  ...Holly no conseguiu fechar o zper da fantasia de Mame Noel. Por isso, decidiu usar a cala e os sapatos da fantasia de duende. At que no ficou to mal, mas diga a ela que ficou timo, ok?
	Ento no teremos nenhuma Mame Noel?
	Pensamos se voc no aceitaria usar a fantasia, Laurel.
	Eu?  Ela pensou um instante sobre a proposta.  Est bem  sorriu para a irm.  Jack, por acaso tem alguma camisa vermelha?
Ele brincava com as cartas.
	No. Acho que vou ficar por aqui e preparar um lanche para mim.
	No quer ir decorar as rvores conosco?  Ivy indagou, espantada.
Jack balanou a cabea que no.
	Oh, venha. Voc vai se divertir  Laurel insistiu.
	No.
	Far as crianas felizes.
Jack continuou olhando para as cartas.
	No estou com vontade de sair  respondeu.
Ele insistia em manter-se a distncia, lembrando a todos que estava ali apenas para prestar um favor e que iria embora assim que terminasse sua tarefa.
Laurel achou melhor lembrar-se disso, para sua prpria segurana e de seu corao tambm.

CAPITULO V

Confusa, Holly olhou para o novelo de l envolto pelo papel de presente.
	Mas nem sei tricotar direito!
Laurel descartou o comentrio com um gesto de mo.
	Vai adorar tricotar. E justamente o que voc est precisando; uma atividade que a mantenha sentada e no exija esforo.
Holly voltou a olhar a l.
	O primeiro Natal de um bebe! Posso fazer ornamentos com tric para enfeitar o hospital no ano que vem!
	Holly! O presente  para que tricote para seu filho!  Laurel ralhou.
Manh de Natal. Todos estavam reunidos, trocando presentes. Exceto Jack, pensou Laurel com certo desapontamento.
	Onde est Jack?  inquiriu Holly, abrindo outro presente.
	Talvez ainda esteja dormindo  Ivy sugeriu, distribuindo as caixas de presentes sob a rvore de Natal.
	Ele est no quarto, trabalhando no computador  Adam informou-as.
	No acredito que ele esteja fazendo isso na manh de Natal!
 Laurel indignou-se, dirigindo-se  escada.  Mas que insulto!
Deixou todos rindo, mas realmente sentia-se frustrada com a atitude de Jack. O Natal sempre fora uma data muito importante para sua famlia. Era desapontador que Jack no quisesse participar da festividade. Mas o que mais se podia esperar de um homem que preferia passar o Natal com estranhos, em vez de estar com a famlia?
	Jack?
Ela parou do lado de fora do quarto, apurando os ouvidos. A porta estava entreaberta permitindo ouvir o som da impressora.
Jack!  Laurel alteou a voz.
Abriu a porta e espiou o aposento, esperando encontrar Jack ainda vestido com o pijama. Para sua surpresa, ele estava apenas com uma toalha enrolada na cintura. De p, tinha as mos apoiadas na cintura, enquanto olhava atentamente para a tela do computador. Voltou-se para ela com um ar despreocupado:
	Falarei com voc em um minuto.
Laurel engoliu seco. Sabia que seria mais sensato se retirar, mas viu-se invadida por tantas sensaes que no conseguiu sequer se mover. Tornou-se muito cnscia de estar no quarto de um homem vestido apenas com uma toalha, sendo que ela prpria ainda estava de pijama.
Um clima de tanta intimidade e a ateno dele totalmente voltada para uma tela de computador! Laurel abaixou a vista para si mesma. O pijama cinza de Ivy com alguns bichinhos desenhados nos bolsos no era o que se poderia chamar de sedutor. Todavia, queria que Jack a achasse atraente.
Num gesto inconsciente, ele passou a mo pelos cabelos, ainda observando as imagens na tela do computador. Quando inclinou-se para olhar o papel que saa na impressora, Laurel notou os msculos firmes de suas costas. O porte atltico denunciava que ele se mantinha em forma, embora no fosse fantico pela ideia.
Os movimentos fizeram a toalha escorregar um pouco. Laurel comeou a suar. Inconsciente do quanto a torturava, Jack ajustou o n da toalha e inclinou-se para digitar algo no teclado.
Laurel no conseguiu desviar a vista das pernas musculosas que surgiram sob a toalha um pouco levantada. Eram de tirar o flego.
	Como consegue trabalhar sem ao menos tomar o desjejum?
 ela esforou-se para quebrar o silncio.
Jack lanou-lhe um rpido olhar, um sorriso insinuando-se nos lbios. A sombra da barba por fazer tornava os dentes perfeitos ainda mais brancos.
	Hbito  ele respondeu.  Sempre penso que vou apenas ligar o computador, esquent-lo um pouco, sabe, mas acabo me entusiasmando.
Laurel deu alguns passos  frente, tentando demonstrar a mesma casualidade de Jack. Ele a tratava como se ela fosse uma irm caula, por isso era melhor tentar se comportar como uma.
- E no que est trabalhando em plena manh de Natal?
Mercados internacionais.
Laurel espiou o monitor, mas este estava longe demais para que ela pudesse enxergar as letras.
- Est perdendo o melhor da festa  comentou.
	Todos j terminaram de abrir os presentes?  Jack perguntou.
	Estamos esperando por voc.
	Tambm vou ganhar presentes?  ele surpreendeu-se.
	Claro  Laurel sorriu.
	Comprou um presente para mim?
	No, eu...  ela interrompeu-se, sem deixar de notar uma sombra de desapontamento no semblante de Jack.
	Tudo bem  ele respondeu.  No esperava mesmo que comprasse um presente para mim. A menos que...  ele olhou-a de alto a baixo  ...voc seja o prprio. Devo fechar a porta?
	Jack! O que eu quis dizer  que no comprei um presente para voc, mas que tenho algo que o agradar.

	Um presente usado.
Laurel suspirou.
	Antiguidades podem ser consideradas como usadas.
	 uma antiguidade?  Jack interessou-se.
	No...
	Artigo de segunda mo?  ele arriscou.
	Jack!
	Sucata?
	No!
	Oh, j entendi.  um presente tpico de Natal. Daqueles deixados escondidos atrs da rvore, no caso de algum vizinho ou parente distante aparecer na ltima hora.
Laurel comeou a rir.
	Preferia ganhar um beijo seu como presente de Natal  Jack completou.
Ela parou de rir. Aquilo no era engraado ou fraternal. Jack a fitava nos olhos, esperando uma resposta. Laurel no foi capaz de pensar em nenhuma.
Num impulso, ela afastou-se e correu. Jack a alcanou em frao de segundos. At que ele era muito hbil mesmo com uma toalha enrolada na cintura. A nica arma que Laurel encontrou foi uma almofada, que segurou diante de si, como um escudo.
	No acham que esto um pouco grandinhos para brincar de guerra de almofadas?  Ivy perguntou da porta.
	No!  Laurel e Jack gritaram ao mesmo tempo.
	E isso ainda vai demorar?  Ivy indagou.  Estou com fome.
	Oh  Jack conferiu o relgio.  S vai demorar mais uma hora para o pessoal do restaurante chegar com meu presente: petiscos para comermos durante o dia e a ceia de Natal.
A ateno de Jack estava voltada para Ivy e, embora fosse injusto, Laurel aproveitou para acert-lo com a almofada.
Devagar, ele voltou-se para encar-la. Laurel mordeu o lbio, receosa da reao que ele teria.
	Ivy  Jack disse num tom profundo e ameaador , acho melhor sair agora.  jovem demais para ver isso.
Ivy se retirou com um risinho. Jack avanou para cima de Laurel. Ela manteve a almofada diante de si, afastando-se para trs, devagar. Parou ao sentir a borda da cama encostar em sua perna.
	Jack...
Ele segurou-a pela cintura. Laurel apertou os olhos, encolhendo os ombros. Jack escorregou os dedos pelo tecido do pijama, mas-sageando a cintura dela com gestos sensuais.
Laurel sentia o calor emanando do corpo dele e a essncia al-miscarada de sua pele. Seu pulso se acelerou. Espere um pouco, disse a si mesma, esse era Jack. O mesmo homem por quem ela no devia se sentir atrada!
Prendeu a respirao quando ele deitou sobre ela na cama. Apreensiva, abriu os olhos, deparando-se com os penetrantes olhos verdes que fitavam cada detalhe de seu rosto.
	Ser que precisarei gritar, Conquistador?  perguntou ela. Meu nome  Jack  sussurrou com os lbios bem prximos aos dela.  Diga meu nome.
Laurel observou os detalhes do rosto bonito pouco acima do seu. No podia negar que Jack era um homem muito atraente. Um homem que tinha o poder de despertar a chama do instinto feminino que havia dentro dela.
	Jack...  murmurou com um suspiro.
Deliciava-se com a sensao de ter seu corao batendo junto ao dele. Jack queria beij-la, ento por que no o fazia logo? Quanto tempo ele pensava que ela aguentaria ficar naquela expectativa?
Tentou se mover mas parou no mesmo instante. O sorriso insinuante de Jack avisou-a do perigo. A toalha que ele usava se fora.
Os braos de Jack moveram os dela ao longo da cama, at que ela tocasse seu quadril nu. Laurel prendeu a respirao, tentando, em vo, no pensar no restante das partes nuas.
	Posso beij-la?  Jack sussurrou.
Claro que ele podia!
	Por que pergunta?
Em resposta, ele abaixou a cabea at que seus lbios tocassem o canto dos dela. Laurel respirou fundo, encostando mais o corpo ao dele.
Jack gemeu baixinho, continuando a beij-la enquanto dizia:
	Algumas mulheres... no gostam... de minha barba crescida.
	No passam de tolas  Laurel ouviu-se dizer.
Deslizou as mos pelas costas dele at alcanar-lhe a nuca, trazendo-o mais para junto de si. Jack a beijava como ningum, explorando com uma preciso torturante os recantos de sua boca.
Aquilo no daria certo. Jack era um homem experiente. Podia facilmente enganar uma mulher com todo seu charme, mas ela no podia se deixar levar. Caso contrrio, acabaria tendo mais uma decepo na vida. Como a que tivera em relao  sua carreira.
Segurando-o pelos ombros, empurrou-o com gentileza e insistncia ao mesmo tempo. Jack afastou-se um pouco.
	Esse foi o melhor beijo de Natal que j tive  ele disse.
	Eu tambm.
Laurel tinha de confessar a verdade. Aquele fora mesmo o melhor beijo que ela j recebera.
Jack rolou para o lado, pegando a toalha e colocando-a de volta na cintura.
	Sei que esto nos esperando l embaixo, e, depois do que sua irm deve ter dito, devem estar imaginando o que estamos fazendo aqui.
	Oh  Laurel se recomps no mesmo instante.  Tem razo. 
Jack passou um dedo pelo rosto dela.
	Eu a avisei...
Laurel enrubesceu.
	Corar no deixa de ser um bom truque. Esconde um pouco as olheiras  ele comentou, dirigindo-se ao banheiro.
Jack!  Laurel fechou os olhos um instante.   sempre to... indelicado?
Ele virou-se para ela:
	Se eu no tivesse dito nada e voc descesse, ficaria zangada por eu no t-la avisado sobre seu rosto.
	Est to mal assim?  Laurel preocupou-se, levando as mos ao rosto quente.

	No  Jack sorriu, gentil.  Est perfeito.
O corao dela se acelerou.
	Para voc, talvez.
	Sim  ele anuiu.  Para mim.
Laurel no pde deixar de perceber a onda de afeio que os envolvia. Por que no conseguia se distanciar desse homem? Encenara muitas cenas romnticas quando fazia o curso dramtico, mas nunca sentira aquilo. Talvez devesse imaginar que Jack representava. Quem sabe essa no fosse mesmo a verdade?
	Vejamos...  Jack segurou o queixo dela entre o polegar e o indicador, virando-o de um lado, depois do outro.  J est melhor.
Deixe eu me vestir para irmos abrir os presentes.
To logo Laurel e Jack apareceram na sala, Ivy correu at eles, entregando um embrulho a ele.
	Abra primeiro o presente que comprei para voc  ela disse.
 Encontrei algo perfeito!
Jack riu, aceitando o embrulho. Ao abri-lo, deparou-se com dois dados felpudos, pendurados em uma corrente.
	Para voc pendurar no retrovisor do carro!  Ivy exclamou.
	So...  Jack procurava as palavras certas.
	Lindos!  ela terminou por ele.  Eu sei! Sabia que iria gostar!
	S mesmo algum com um carro como o seu pode gostar de uma coisa dessas  Holly comentou.
	Acho que sim - Jack achou mais sensato no se manifestar alm disso.
Percebendo a situao embaraosa do amigo, Adam achou melhor entregar seu presente. Dessa vez, Jack ficou visivelmente aliviado ao ver um par de luvas de couro.
Enquanto todos mantinham a ateno em Jack, Laurel foi pegar o presente que deixara sob a rvore. Jack abriu-o devagar, vendo que Laurel estava ansiosa por sua reao. Ao ver a pequena caixa dourada, levantou a vista para ela.
Acertou  disse com um sorriso charmoso.  Eu sempre quis ter uma relquia dessas.
Com cuidado, Jack abriu a caixa de baralho que nunca fora aberta desde que Laurel a comprara no Palcio Schonbrunn, em Viena.
	Eu lembro desse baralho  Holly disse.  Voc me fez ficar na fila por mais de uma hora para compr-lo.
Laurel sorriu, tambm lembrando-se da ocasio.
	Achei-o bonito.
	 realmente belssimo  anuiu Jack, examinando as cartas que mostravam representaes da realeza europeia, durante o reinado de Maria Theresa da ustria.  Tem certeza de que no quer guard-lo?  ele perguntou a Laurel.
Ela balanou a cabea que sim.
	Quero que fique com ele.
	Obrigado.  Jack olhou-a por mais algum tempo, como que reconhecendo a atitude que ela tivera.
	Agora um ltimo presente  anunciou Adam, entregando uma caixa a Laurel.
Ao abri-la, ela encontrou uma bonita bolsa de couro.
	Oh, obrigada, Holly  Laurel olhou para a irm, imaginando que havia sido ela quem comprara o presente.
	Notei que a ala da sua estava quebrada  disse Holly.  Mas foi Adam quem escolheu o modelo  ela sorriu para o marido.
	Ele tem muito bom gosto, no acha?
Laurel concordou, admirando cada detalhe da bolsa. A campainha soou de repente.
	Deve ser a entrega do restaurante  Jack avisou.  Laurel 	disse num tom que somente ela pudesse ouvir , guardarei isso como um tesouro. E sua inteno tambm.
	No imagine nenhuma inteno a mais nesse gesto, Jack.
Ele no respondeu; apenas continuou olhando-a. Ivy, que havia corrido para atender  porta, voltou pouco depois.
	O pessoal da entrega quer saber onde podero deixar os alimentos.
Ignorando-a, Jack inclinou-se e beijou Laurel.
	Oh, desculpem se interrompi alguma coisa  Ivy acrescentou.
Laurel ficou embaraada. Sabia que a irm caula a espiava quando os namorados a traziam para casa, mas dessa vez era diferente. Ela estava com Jack.
Ele deu-lhe uma piscadela, como se soubesse o que ela estava pensando, em seguida voltou-se para Ivy:
	O que foi, Ivy?
	O pessoal do restaurante quer saber onde podem deixar a entrega.
	Ok.  Jack voltou-se para Laurel:  Mais tarde estrearemos esse baralho.
	Fico contente que estejam se dando bem  Adam disse a Laurel quando Jack se retirou.
	Jack  uma companhia agradvel  Laurel forou um sorriso.
 A bolsa  realmente linda  disse rpido, tentando mudar de assunto.
	Olhe dentro - Adam avisou, olhando em volta para ver se estavam sozinhos.
	Uma carteira combinando! Oh, Adam...
Ser que ele e Holly tambm tinham visto sua carteira vazia?
	V em frente  Adam apontou a carteira.
Surpresa, Laurel a abriu, deparando-se com um carto de crdito da Neiman-Marcus em seu nome. Ela manteve a cabea baixa enquanto lgrimas marejavam seus olhos.
	Creio que voc sabe como us-lo.
Laurel limpou a garganta:
	Sim.
	Fiz um depsito na sua conta. Se voc e Jack pretendem frequentar o mesmo crculo que Conner, ter de comprar roupas novas.
Laurel ficou comovida com o gesto do cunhado e a confiana que todos estavam depositando nela. Nada de ressentimentos nem recriminaes. Ela precisava retribuir isso de alguma maneira, e o melhor modo seria ajudando-os no plano contra Conner.
	Holly sabe disso?  Laurel levantou a cabea.
	Eu no disse a ela  Adam confessou.  Mas para mim no h problema se ela ficar sabendo.
Em outras palavras, Laurel escolheria se contaria ou no  irm. Ela sorriu, agradecida.
	Acho que Holly no pensou no detalhe das roupas quando tramou o plano contra Conner  comentou Laurel.
	De qualquer maneira ela logo iria notar que voc no tem nada para vestir na vspera de Ano Novo.
	Para mim esse detalhe seria perfeito  Jack comentou, unindo-se a eles.
Adam virou-se para olhar o amigo.
	Aps ter feito uma insinuao como essa,  minha obrigao perguntar quais so suas intenes com a minha cunhada.
	Completamente desonrosas  Jack respondeu sem hesitar.
	Oh, Jack, voc no tem jeito mesmo!  Adam riu.
"Homens so mesmo todos iguais!", pensou Laurel. "Um bando de aproveitadores!"
	Laurel, est escrito no seu rosto que nos considera dois machistas odiosos  Jack comentou, sorrindo.
Ela fungou, cruzando os braos. Jack era mesmo impossvel.
	Como se sente com relao ao plano de sua irm para derrotar Conner?  ele indagou, comeando a embaralhar as cartas de seu novo baralho.
	Sei o que ela est pensando  Laurel comeou devagar.  Conner venceu sempre. Ele nos arruinou. At hoje Holly no conseguiu aceitar as consequncias.
	E quais foram essas consequncias?
	Oh  Laurel passou a mo pelos cabelos , o desespero e a frustrao que nos atingiram. A injustia. Holly quer ter o gosto de venc-lo ao menos uma vez. S assim conseguir esquecer o passado.
	Pensei que o assunto tivesse sido resolvido no tribunal.
	Legalmente foi  Laurel confirmou.  Mas moralmente, no.
	Est falando por Holly ou por voc?
Laurel falara pela irm, mas no fundo sentia o mesmo que ela.
	Devo isso a Holly, mas sinto que farei por mim tambm.
	Ok. Essa era a resposta que eu precisava  disse Jack, entregando as cartas para ela cortar sobre a mesa.
	Por qu?  indagou Laurel, repartindo o baralho em trs partes, como Jack lhe ensinara.
	Porque, querida, voc ter muito trabalho pela frente  de clarou ele, manipulando as cartas.
	Acha que tenho alguma chance? Poderei aprender o suficiente para derrotar Conner Mathison?
De repente, a resposta dele tornou-se muito importante para Laurel.
	Creio que conseguiremos derrot-lo  Jack respondeu.  Juntos.

CAPITULO VI

A cabeleireira favorita de Laurel, no salo de beleza _ _Lda Neiman-Marcus, exibiu com orgulho o resultado de seu trabalho. Quando Laurel mirou-se ao espelho, um leve sorriso de Mona Lisa surgiu em seus lbios.
Finalmente voltara a ser a Laurel de antes, loira, como nascera. Seus cabelos readquiriram o brilho e tonalidade naturais. Algumas mechas haviam sido deixadas estrategicamente mais claras, realando seu rosto para deix-la ainda mais bonita.
Espreguiou-se como uma gata, sentindo os msculos relaxados aps a massagem que fizera depois de haver passado horas fazendo compras. O maquiador estava por perto, pronto para comear sua parte no trabalho.
Pela manh, Laurel e Jack estavam treinando, como passaram a fazer todos os dias, quando Ivy entrara correndo, segurando um jornal. A coluna de fofocas dizia que Conner Mathison participaria de um jantar nessa mesma noite no Black Gold, um restaurante popular em Dlias. No mesmo instante, Jack e Ivy convenceram Laurel de que seria uma boa oportunidade de encontrarem Conner.
	Acha que pode criar um visual atraente o suficiente para chamar a ateno dele?  Jack perguntara.
	D-me tempo e um carto da Neiman-Marcus que posso fazer qualquer coisa  Laurel respondera com um brilho desafiador no olhar.
Jack ficara de apanh-la na Neiman. Sem dvida, o jaguar vermelho seria uma carruagem digna de seu novo visual. Laurel sabia exatamente o papel que teria de desempenhar  noite. Sua aparncia seria chamativa o suficiente para chamar ateno, mas no o bastante para torn-la cafona.
O primeiro vestido que comprara seria perfeito para a festa da qual Conner participaria o Ano Novo. O convite designava vermelho, preto ou branco para os trajes dos convidados. Claro que Laurel no pensara em outra cor alm de vermelho. Seria perfeita para conseguir o efeito chamativo que ela queria causar.
Escolhera um vestido longo com gola alta e um profundo decote nas costas. Nem todas as mulheres ficariam bem em um vestido daqueles, j que ele exigia um porte alto e esbelto. Para Laurel, no entanto, fora a escolha perfeita.
Mas, e para essa noite, em especfico? Black Gold era um restaurante sofisticado. Seria melhor usar um outro vestido vermelho para que Conner a reconhecesse na festa de Ano Novo? A inteno era travar um primeiro contato com Conner para que pudessem abord-lo com mais proximidade na festa beneficiente do hospital.
Essa noite seria crtica e ela precisava fazer as escolhas certas. Laurel olhava cada um dos cabides da loja, tentando se decidir, e foi ento que o viu. Pegou o cabide que exibia um vestido branco, adornado com delicadas contas brilhantes. O modelo era sbrio, elegante. A mulher que o vestisse nunca daria a impresso de estar querendo se vingar de alguma coisa.
No mesmo instante ela deixou de lado a ideia de usar algo chamativo para ir ao restaurante. Algo lhe dizia que esse vestido surtiria um efeito melhor.
Agora que seu cabelo voltara  cor normal, era hora de verificar o efeito que ele causaria com o vestido. Dirigiu-se a uma sala reservada do salo e o vestiu. Admirando-se ao espelho, sentiu-se incrivelmente feminina. A maquiagem daria o toque final para que ela estivesse pronta para o desafio.
No pde deixar de se perguntar o que Jack acharia. 
Jack conteve a respirao. O ar parecia haver sumido de seus pulmes.
Deus, quem era aquela loira estonteante, vestida de branco, que sorria para ele? Laurel? Sim, era ela mesma. S que numa verso que ele nunca imaginaria ser possvel.
Sentiu o estmago contrair-se. Conner seria cego se no a notasse. Uma sbita e inexplicvel onda de cimes o invadiu.
Ele subestimar Laurel. Pensara que ela criaria um visual capaz de despertar algum interesse, mas no todos os olhares do restaurante.
Nenhum homem, em s conscincia, deixaria de not-la. E o pior era que nenhuma mulher poderia acus-la de estar se exibindo.
Jack respirou fundo, perturbado com o efeito que Laurel surtia sobre ele. Gastara uma boa soma em dinheiro para se assegurar de que a mesa que ele e Laurel ocupariam no Black Gold seria ao lado da de Conner. Podia at ter economizado aquele dinheiro. Claro que Conner notaria Laurel onde quer que ela estivesse.
Aturdido, andou em direo a ela.
	Jack!  Laurel o saudou, ampliando o sorriso.
Embora houvesse tido tempo para se preparar, Jack no conseguiu pensar em alguma coisa digna de ser dita quela deusa loira.
Ela sorria, expectante, mas a mente dele estava simplesmente vazia. Enfiou as mos nos bolsos, impedindo-se de tom-la nos braos ali mesmo.
"Diga alguma coisa!", a mente lhe ordenava.
	Bem, diga alguma coisa!  Laurel pediu, impaciente.  Pensei... ' no terminou a frase.
Jack estava quieto demais. Ser que ele no aprovara seu visual? Claro que ele e Ivy haviam sugerido que ela vestisse algo chamativo, mas ser que Jack no via que algo mais sbrio chamaria a ateno da mesma maneira? A beleza do vestido branco seria atraente para os homens e no causaria problemas com as mulheres. Todavia, o silncio de Jack j no a fazia ter a mesma certeza de antes.
Imaginava que se Conner lembrasse dela, recordaria-se da filha de seu antigo scio, a menina que jogara pquer com ele h mais de uma dcada. No queria se apresentar como uma ameaa para ele, mas sim como uma boa lembrana do passado. Seria o melhor meio de se aproximar dele.
Notou que Jack esforava-se para falar. Provavelmente tentava encontrar uma maneira de dizer a ela que sua aparncia no estava apropriada.
Ele tambm estava muito atraente. Trajava um terno escuro, novo, j que no trouxera nenhum na bagagem. O rosto bonito, porm, mantinha uma expresso confusa.
Laurel desejou poder estar nos braos dele, em um lugar distante, sem ter que pensar na vingana contra Conner Mathison. Passara o dia imaginando qual seria a reao de Jack ao v-la. Queria que os olhos verdes houvessem escurecido de desejo e que Jack lhe dissesse o quanto ela estava bonita. No sabia se suportaria ouvi-lo dizer que ela no escolhera o vestido adequado.
	Se quiser, posso voltar  loja e trocar esse vestido por outro... 	sugeriu, incerta do que ele diria.
	Nem ouse fazer isso  Jack respondeu quase num sussurro.
	 uma mulher perigosa, Laurel  seus lbios curvaram-se num sorriso charmoso.  Gosto de mulheres assim.
Ao ouvi-lo dizer aquilo, ela recobrou a autoconfiana.
	Estou bem, ento? Voc gostou?
S ento os olhos verdes escureceram-se de um modo enigmtico.
	Conner no ter a mnima chance.
Saram dali direto para o restaurante. Chegando l, permaneceram no bar, at um dos garons avisar com discrio que Conner chegara. Laurel pretendia fazer uma entrada triunfal. Ser que Conner a reconheceria? Ou ela a ele?
	Est pronta?  indagou Jack, pegando-a pelo cotovelo.
O corao de Laurel batia descompassado. Andaram devagar por entre as mesas, evitando olhar diretamente para as pessoas que ocupavam a mesa de Conner.
Laurel andava com calma, ciente dos olhares masculinos que a observavam com ateno. No momento que considerou mais adequado, olhou para a mesa de Conner.
Reconheceu-o no mesmo instante. Tratava-se de um homem elegante, com cabelos grisalhos. Mantinha um sorriso polido no rosto, mas seus dedos brincavam com os talheres, demonstrando impacincia.
Conner sempre fora um homem impaciente. Vivia apressando os outros com seus afazeres. Chegara a ficar aborrecido quando uma menina precoce o vencera em algumas partidas de pquer. No era de admirar que houvesse parado de frequentar os jogos que o pai de Laurel promovia. Conner no suportava perder. Ainda mais para uma criana. Se ao menos ele tambm tivesse sado da empresa!
	 o homem com o garfo na mo  Laurel sussurrou para Jack.
Jack inclinou-se um pouco, pousando a mo sobre as costas dela.
	Eu sei  respondeu.
O modo como ele a fitou, demonstrou que Jack sabia o que ela estava sentindo. A mo quente em suas costas era confortadora. Era hora de atacar. O pensamento a trouxe de volta  realidade
e com ele veio a determinao de derrotar Conner. At agora ele no a vira. Ela precisava agir logo.
Dirigiram-se  mesa que Jack havia reservado. Laurel escolheu uma cadeira que ficasse de frente para Conner. Lanou um olhar significativo para Jack. Ele lhe respondeu com uma piscadela, puxando a cadeira para ela sentar. Com o movimento, fez a cadeira esbarrar em outra, pertencente  mesa de Conner.
	Oh, mil perdes  desculpou-se com a mulher que a ocupava.
	Tudo bem  a mulher respondeu com um sorriso polido.
	Conheo voc.
O comentrio de Conner fez todos se voltarem para Jack e Laurel. Esta se permitiu encarar Conner, mantendo uma expresso confusa no rosto.
	Eu...
S ento notou que Conner no estava olhando para ela, mas sim para Jack. Este estreitou o olhar, como que tentando lembrar de algo.
At que Jack representava bem, levando-se em conta que no esperavam tal reao por parte de Conner, pensou Laurel.
Enquanto Jack ainda esforava-se para lembrar, Conner voltou a falar:
	Foi em Las Vegas. No sei em que ano, mas chegamos a jogar juntos no Campeonato Mundial de Pquer.
Aquilo era novidade para Laurel e, pelo visto, para Jack tambm, pois ele permaneceu em silncio.
	Nunca esqueo o rosto de quem me derrota no pquer _Conner declarou.
	Eu o derrotei?  Jack indagou, surpreso.
	Sim  Conner confirmou, apontando uma cadeira prxima a ele para que Jack sentasse.
Pelo jeito, Laurel se preocupara  toa com o visual. Jack estava fazendo mais sucesso que ela.
	Conner?  disse a mulher que ocupava a outra cadeira.
	Desculpe, Patrcia  Conner empertigou-se, disfarando a irritao.
Pretendia iniciar uma conversa com Jack, como se Laurel e os demais convidados da mesa dele no existissem.
	Esse  um velho companheiro de jogo  ele apontou Jack.
	Todos so seus velhos companheiros de jogo  foi a resposta fria de Patrcia.
	Jack Hartman  Jack interviu, poupando Conner do embarao de ter que admitir que no sabia o nome dele.  E essa  minha acompanhante, Laurel Hall.
Um brilho diferente surgiu nos olhos de Conner, mas no foi de reconhecimento. Hall era um nome comum. Seria melhor se Jack pudesse t-la apresentado como Laurel Schnitzenheimer. Com certeza, Conner nunca esqueceria um nome assim.
- Creio que no o conheo  ela mentiu, fingindo dvida no tom de voz.
	Muito prazer, sou Conner Mathison.
Ficou claro que ele no a reconhecera. Ao ser apresentada aos demais, Laurel recebeu olhares de aprovao dos homens, aos quais respondeu com ^im mero sorriso. Sabia que tal ttica contaria com a aprovao das mulheres.
Conner, entretanto, interessou-se mais em manter a conversa com Jack. Todos ouviam apenas por educao os interminveis comentrios sobre os jogos de pquer.
Laurel comeou a se impacientar. Precisava encontrar uma maneira de abordar a festa benefciente do hospital.
	Onde est jogando ultimamente?  Conner perguntou a Jack, continuando a ignorar os demais convidados.
	Na verdade, estou na cidade para participar de uma festa beneficiente  Jack comentou, como que adivinhando os pensamentos de Laurel.  A festa benefciente do hospital, que ser realizada na vspera do Ano Novo.
	O hospital de crianas?  Patrcia indagou.
	Sim  Jack confirmou.
	Oh, ns tambm iremos!
O entusiasmo de Patrcia provavelmente devia-se  oportunidade de falar sobre outro assunto alm de pquer.
	No  muito do seu estilo, no , Jack?  a voz de Conner continha um tom de sarcasmo.  No h desafio; todos so amadores.
O sorriso de Jack desapareceu. Laurel no estava perto o suficiente para pousar a mo no brao dele e acalm-lo. Cutucou a perna dele sob a mesa e o viu engolir seco antes de recuperar a expresso gentil.
	A ideia  arrecadar dinheiro para a campanha de caridade.
	E o que acabei de dizer: no  do seu estilo  Conner insistiu.
Por que ele estava provocando Jack? Laurel rezou para que Jack no acabasse perdendo a pacincia. Podia sentir a ira dele e isso no era bom para o plano. Num impulso, fingiu esbarrar no copo de gua e derramou o lquido bem na direo dele.
Ao notar que Jack disfarava um sorriso, esperou que ele estivesse apreciando seu desempenho.
	Ooh, que desastrada que eu sou! Mil perdes, Jack.
A sobrancelha que ele arqueou indicou a ela que o tom falsamente ingnuo, como o que Marilyn Monroe costumava usar, no ficara muito bom.
	Pode ocupar outra mesa, se quiser, senhor  disse o garom que aparecera de repente.
	No, obrigado, vou sentar perto da senhorita  respondeu Jack, aproximando-se de Laurel.
Ela imaginou que a interrupo seria suficiente para pr um fim nas insinuaes de Conner. Porm, logo percebeu que se enganara.
	Qual  a verdadeira histria, hein, Hartman? Por que voc est na cidade? H algum grande jogo programado?
Laurel no pde deixar de sentir-se solidria com Patrcia. O vcio de Conner fazia dele um homem extremamente enfadonho.
Ficou apreensiva ao ver Jack pegar outro copo de gua. No seria nada difcil ele derram-lo sobre Conner. S voltou a respirar aliviada quando viu Jack tomar um gole do lquido.
	Estou aqui para participar da festa benefciente, como um favor para um amigo  ele afirmou.  A esposa dele  irm de Laurel. Ela trabalha com a decorao dessas festas sociais.
Patrcia sobressaltou-se:
	Sua irm  dona da Hall e Companhia?
	Sim  Laurel confirmou.
Todos passaram a olh-la com mais respeito a partir de ento. Holly ficaria espantada quando soubesse daquela reao, pensou Laurel.
	Deve sentir-se muito orgulhosa dela  Patrcia comentou.
	 verdade. Trabalhei com ela durante algum tempo.
Laurel fez questo de no mencionar os trs ltimos anos de sua vida.
	Ento no trabalha mais?  Patrcia indagou.
	No. Mudei-me para a Califrnia.
	Oh  Patrcia lanou um olhar rpido para outra mulher.  Voc  aquela irm.
Para Laurel o comentrio foi a maior surpresa da noite. Ento sua reputao havia sido afetada? Olhou Jack de soslaio. Arqueando a sobrancelha, ele indicou o copo de gua. Bem que ela sentiu vontade de fazer o que ele deixou implcito e jogar gua naquela mulher.
	No imaginei que voc conhecia as filhas de Doug Hall  Conner ignorou Laurel enquanto falava com Jack.
Qual seria o problema? Conner no estava conseguindo encar-la? Ou ser que no a considerava digna da ateno dele?
	O cunhado de Laurel e eu somos velhos amigos  Jack explicou.
Por fim, Conner dirigiu-se a ela:
	Eu costumava ver uma de vocs quando ia jogar pquer com seu pai.
Laurel sorriu, assentindo.
	Papai me deixava participar do jogo algumas vezes.  Fitou-o nos olhos ao acrescentar:  Sinto muita falta dele.
Conner a encarou.
	Sim. Quando ele se foi, nossos negcios ficaram de pernas para o ar.
Laurel hesitou um instante.
	O senhor fala como se a morte dele houvesse sido uma inconvenincia  ela esforou-se para manter a voz sob controle.
Conner era mesmo to calculista quanto Holly dissera.
	Ele sabia que era perigoso voar to prximo a um poo de petrleo em chamas.
	O que est querendo dizer?
S agora Laurel entendia as razes que haviam levado Holly a querer se vingar daquele homem. Ele sequer sentia arrependimento pelo que fizera!
	Os negcios no estavam indo bem. Talvez tenha sido uma tentativa de se livrar de tudo.
	Mas minha me estava no avio com ele!
Cada palavra carregava um rancor alimentado durante mais de ires anos. O choro ameaava embargar sua garganta. Laurel sentiu Jack pegar sua mo sob a mesa, dando-lhe apoio. O toque era cauteloso e confortador ao mesmo tempo.
Ele insistiu em voar  Conner balanou a cabea, dando de ombros.  Avisei-o para no fazer aquilo, mas ele no me deu ouvidos.
As outras pessoas que ocupavam a mesa comearam a fazer comentrios paralelos, enquanto o garom servia saladas variadas. Conner deixou de encarar Laurel, passando a se concentrar em seu prato.
No havia o mnimo sinal de remorso em seu rosto. Nem tampouco algum receio de que Laurel ou algum mais pudesse desconfiar dele. Nada que pudesse dar indcio de que ele se lembrava das dificuldades pelas quais a famlia Hall havia passado. Estaria ele negando h tanto tempo o que fizera que passara a acreditar em suas prprias mentiras?
Laurel respirou fundo, desolada. Jack levou a mo dela aos lbios.
	Ele age como se no lembrasse!  sussurrou Laurel, irritada.
	Chh.  Havia ternura no olhar de Jack.  Aguente s mais um pouco  murmurou.  Lembre-se do seu papel.
Lembre-se do seu papel, Laurel repetiu inmeras vezes para si mesma. Concentrar-se em desempenhar um papel permitia que ela no misturasse aes com sentimentos.
	Por que no me disse que j havia jogado com Conner?
	Nem eu mesmo sabia disso.
Laurel pegou o clice de vinho, admirada com a firmeza de sua mo.
	Quero derrotar esse homem, Jack.  Tomou um gole do vinho e depositou o copo sobre a mesa.  Ensine-me como.
Jack observou-a por um longo momento. Laurel daria qualquer coisa para derrotar Conner Mathison e ele no podia culp-la por isso.
O ar triste e desanimado que havia nos olhos dela da primeira vez em que a vira, j desaparecera e no voltaria mais. O desejo de derrotar Conner trouxera um novo propsito  sua vida, algo para substituir o sonho de se tornar famosa.
Ainda fitando-a nos olhos, ele sorriu ao responder:
	Eu a ensinarei. 

CAPITULO VII

	Distribua. 
	Mas Laurel...
	Distribua.
Jack deu de ombros e comeou a distribuir as cartas.
	Esse jogo de ltima hora no vai adiantar nada, sabia?
Ignorando-o, Laurel estudou as cartas.
	Quem vai comear?  perguntou.

	Voc precisa adquirir experincia em um jogo real  Jack sugeriu.
	Vou adquirir muita esta noite  replicou Laurel.  Tenho que me sair bem o suficiente para que Conner me convide para outro jogo.  Lanou um olhar para a famlia, sentada em torno da mesa.  Em nome dos velhos tempos  acrescentou.
Todos se entreolharam. Laurel sentiu-se irritada com aquilo. No estavam mais depositando a mesma confiana nela. Jack era o nico que a entendia. Estava com ela quando Conner insinuara que seu pai cometera homicdio e suicdio.
Era difcil entender como aquele homem conseguia conviver sem remorso com a ideia de haver arruinado a vida de uma famlia.
Respirou fundo. J ouvira falar de pessoas que passavam anos alimentando uma raiva, deixando que tal sentimento corrosivo controlasse suas vidas. Laurel no permitiria que isso lhe acontecesse; derrotaria Conner antes. Talvez essa noite ou em alguma outra.
Quando a jogada terminou, Laurel pegou todas as fichas com um sorriso confiante.
	Que tal?  perguntou a Jack.
Ele estreitou os olhos.
	Est muito convencida.
		Oh, ele est indignado porque perdeu...  ela o provocou.
Laurel estava mesmo convencida, mas achava que tinha direito de se sentir assim. Jack, por outro lado, no parecia pensar o mesmo.
	Ainda no est to boa assim, Laurel. No quero ofender sua famlia, mas eles no so jogadores profissionais.
	Estou preparada, sim!  Laurel teimou feito uma criana mimada.
Houve outra troca de olhares. Ela desejou que parassem com aquilo.
	Est preparada para jogar aqui  Jack afirmou.  Vamos ver hoje  noite. Quem ir financi-la?
	Ahn?  Laurel olhou-o, confusa.
	Como far para apostar o dinheiro?
	Mas o jogo de hoje ser beneficiente!  ela olhou de Jack para Holly.
Trajando um vestido preto e um suntuoso colar de pedrarias, Holly adiantou-se:
	Sim, mas ainda assim ter de comprar fichas. E no poder ficar com o dinheiro que ganhar.
	O qu?!
	Laurel, apostar em jogo  ilegal no Texas, exceto em reunies particulares, entre amigos.
	Por acaso Conner tem amigos?  Ivy ironizou.
	Voc entendeu o que eu quis dizer, Ivy  Holly lanou-lhe um olhar de censura.
 Pensei que essas regras no valessem para jogos de caridade  Laurel protestou.
	Pois enganou-se  Adam interviu.
Vendo o sorriso de Jack, Laurel sentiu-se idiota e ingnua.
	O hospital ficar com a quantia arrecadada em fichas  Holly explicou.  Os vencedores trocaro as fichas por prmios adquiridos atravs de doao. Bem, claro que haver prmios muito bons, como um casaco de mink, um carro zero quilmetro e um barco. S que os bilhetes para concorrer a eles custar quinhentos dlares.
Laurel arregalou os olhos.
	Quer dizer que essa "brincadeira" nos custar...
	No se preocupe. O dinheiro que usar nas fichas  nosso  Holly olhou para Adam.
Laurel lanou um olhar aflito para Jack.
O que pensou que as fichas representassem?  ele deu de ombros.
Claro que Laurel sabia que elas valiam dinheiro, mas, de alguma maneira, usar fichas no era o mesmo que usar dinheiro real. A responsabilidade e confiana que a famlia depositara nela comeava a pesar em suas costas.
	Serei seu banqueiro  Adam brincou, tentando descontra-la.
Todavia, em vez de gratido, Laurel sentiu ressentimento. Adam estava sempre lhe dando dinheiro, como se ela no passasse de uma criana. E, pelo visto, fazia o mesmo com Ivy. Ele no se casara apenas com Holly, mas com a famlia inteira tambm.
Ele entregou uma folha de cheque para Laurel quando todos se encaminhavam para a sada. Enquanto Jack tirava o jaguar da garagem, Laurel se deu conta de que tudo que estava usando, incluindo a maquiagem e o esmalte das unhas havia sido pago por seu cunhado.
Ele investira nela, esperando ajudar Holly de alguma maneira. Adam era um bom homem, no podia desapont-lo.
	Voc est quieta demais  Jack comentou.  Tramando alguma estratgia de jogo?
Laurel olhou-o de soslaio.
	Todos esto confiando em mim.
	Sim.
Concentrado no trnsito, Jack no acrescentou mais nada. Laurel olhou para as unhas longas e bem-manicuradas. Talvez tivesse sido melhor deix-las curtas, como eram antes. E se acabasse deixando cair alguma carta por causa delas?
	Acha que estamos todos malucos?  disse num impulso.
Jack fez uma careta.
	No me pergunte isso. Fui contratado para ensin-la, no para fazer julgamentos.
	Contratado?  Laurel franziu o cenho.
	No, no  Jack balanou a cabea.  No escolhi bem as palavras.
	Isso explicaria...
	Explicaria o qu?  ele indagou.
Laurel sabia que estava nadando em guas perigosas.
	Estive imaginando o motivo que o fez vir to rpido para c.
	J falamos sobre isso.
A expresso sria indicava que Jack no queria mais tocar no assunto.
	No deveria estar procurando um emprego a essa altura?  ela persistiu.
Saram da estrada principal e pararam em uma entrada paralela. Jack virou-se para encar-la.
	Com o que est preocupada, afinal?
Laurel no tinha inteno de revelar seu receio de que Jack voltasse a se tornar um jogador profissional, mas j que ele insistia... Aps respirar fundo, declarou:
	Aquelas contas que voc analisa todas as manhs so aplicaes ou...?
	Dinheiro de apostas?  Jack completou com sarcasmo.
Assim que o ouviu falar naquele tom, Laurel soube que cometera um erro. Sentiu um arrepio de pura apreenso. Magoara Jack por no acreditar nele. Contudo, ainda havia uma chance de salvar a situao.
	No foi isso que eu quis dizer  emendou.  Eu ia perguntar se voc  um desses viciados em jogos de computador.
O clima de tenso se amenizou. Um leve sorriso insinuou-se nos lbios de Jack, quando ele se deu conta do erro. Todavia, para Laurel, o erro fora dela. Metera-se em um assunto que no era da sua conta e acabara se arrependendo.
Entendera a mensagem perfeitamente. Jack no gostava de se ligar a nada nem ningum. Seria perigoso ter algum tipo de sentimento mais ntimo com relao a ele. De agora em diante, o que Jack fizesse ou deixasse de fazer seria apenas da conta dele. Laurel estava pouco ligando. Pelo menos, aparentemente.
	No so jogos de computador  Jack esclareceu.  Estou auxiliando alguns clientes particulares.
	Oh.

	Eu trabalhava para eles antes de entrar para a empresa, e continuam comigo para onde quer que eu v.
	Tm confiana em voc.
"Ao contrrio do que demonstrei h pouco", pensou Laurel. Jack sorriu.
	Diga-me, impressionei-a com minha dedicao aos clientes?
 perguntou ele, manobrando o carro de volta para a estrada.
	Era isso que estava tentando fazer?
	Mais ou menos.
	Ok. Admito que fiquei impressionada.
	Muito ou s um pouco?  Jack inquiriu.
	Digamos que o achei uma pessoa conscienciosa.
	S isso?
	Jack  Laurel no pde deixar de rir.
	Vocs so muito intimidadores.
	Quem? Minha famlia?
	Sim. Adam  assim.
	Concordo  Laurel assentiu.
	E sua irm tambm.
	Holly? Eu sei.
	Ela  uma mulher admirvel.
	 verdade.
	E isso a incomoda?  Jack arriscou um olhar para ela.
Sim, o sucesso de Holly a incomodava. Mas Laurel no queria sentir-se assim, pois sabia que a irm merecia o sucesso que tinha.
	Tudo bem, sabemos que Holly e Adam so perfeitos, mas, convenhamos, eu e Ivy...
	Sua irmzinha  um computador humano. Sabia que ela me moriza nmero de cartes?
	 mesmo?  Nem Laurel sabia daquilo.  Ela costumava fazer isso com estatsticas esportivas. Talvez fosse melhor se ela jogasse com Conner  ela riu.
Jack tambm riu, mantendo a ateno no trnsito.
	E por ltimo vem voc  ele disse.
Laurel suspirou, recordando o fracasso da carreira de atriz.
	 uma mulher muito atraente, Laurel  ele afirmou como se o fato fosse inquestionvel.
Era s aquilo que Jack tinha a dizer sobre ela?
	Isso no deveria intimid-lo. Voc tambm  um homem atraente.
	Mesmo?
Ele pareceu to satisfeito que Laurel desejou ter dito aquilo antes. Era bom v-lo feliz. Teve vontade de toc-lo e se satisfez, em arrumar uma mecha de cabelos que cara sobre a testa dele.
Finalmente chegaram no hotel onde a festa seria realizada. Jack entregou a chave e uma gorjeta ao adolescente que estava manobrando os carros.
	Verifiquei a quilometragem, rapaz  avisou antes de o garoto sair com o jaguar. Voltou-se para Laurel:  Ele ter que impressionar as garotas com outro carro. Ento, quer dizer que tambm me acha atraente?
	Voc sabe que , Jack. Tem um rosto e cabelos bonitos, veste-se bem,  educado...
Ele arqueou uma sobrancelha.
	Sempre pensei que as mulheres gostassem mais de homens rudes. Talvez eu deva ganhar um pouco de msculos  acrescentou, erguendo o brao para exibir o bceps.
Laurel lembrou do dia em que o vira apenas com a toalha na cintura. O fsico de Jack era perfeito. Nada precisava ser mudado.
	Algumas mulheres tm um gosto mais refinado  fez um comentrio generalizado, para que ele no percebesse sua preferncia pessoal.
Jack lanou-lhe um olhar surpreso.
	Claro  disse.  Isso  o que dizem, mas basta um cara com um peito mais largo chegar perto para elas se derreterem todas!
Laurel preferiu no entrar em maiores detalhes. No acreditava que estavam tendo uma conversa to idiota em um momento to importante.
Mostraram os convites  mulher que controlava a entrada. Em seguida, foram bombardeados pelas luzes e cores da decorao que Holly criara para o evento.
	Puxa!  exclamou Jack, olhando ao redor.  Sua irm realmente entende do assunto de decorao de festas.
Holly. Sempre Holly. Laurel j vivia cansada de lutar contra a inveja. No queria se sentir assim. Principalmente por se tratar de sua prpria irm.
	Ela deve admirar muito sua beleza  Jack olhou-a com respeito.
	O qu?
De onde diabos ele tirara tal ideia?
	Ela planejou uma decorao de primeira classe porque sabia que quando Conner a visse em meio a tantas luzes, no resistiria  sua beleza.
	No gostei muito da ideia.
	Nem eu  ele confessou com um sorriso.  O que eu quis dizer  que Holly acredita que nenhum homem consegue resistir ao seu charme.
	Mas isso no  verdade.
Jack aproximou-se dela.
	No?
Laurel queria que apenas um homem a desejasse, e esse homem estava longe de ser Conner. No momento, alis, o que mais a interessava era o brilho de desejo que havia naqueles olhos verdes. Chegou a entreabrir os lbios, na esperana de que Jack a beijasse, mas ele apenas sorriu, impelindo-a a seguir em frente.
Mesmo desapontada, Laurel tentou se recompor logo. Tinha um papel a desempenhar e Jack sabia disso. Agradecida pelo modo como ele conseguira distra-la do nervosismo, tomou-lhe a mo, entrelaando seus dedos nos dele.
Jack sorriu para ela de uma maneira que a deixou completamente segura e confiante. Era bom t-lo ali, a seu lado.
Permaneceram de p por mais de uma hora,  entrada do salo.
	Meus ps esto doendo  Laurel disse por entre os dentes, mantendo o sorriso no rosto.
	Continue dizendo a si mesma que esses sapatos de salto deixam suas pernas lindas  Jack sussurrou.
	Mas Conner no est aqui para apreci-las.
	Mas eu estou.
	Ento esses sapatos podem ir para o inferno.
	E quanto ao vestido?
	Por enquanto prefiro mant-lo bem aqui, no corpo.
	Que pena...
Laurel lanou-lhe um olhar repreensivo.
	Acham que Conner no vai aparecer?  Ivy perguntou, pouco atrs deles.
	Ah, voc est a, Ivy?  Jack virou-se para ela.  Holly lhe deu uma folga?
	Holly nunca d folga a ningum. Ela mandou que eu perguntasse aos seguranas se eles aceitam alguns sanduches.
	Eu gostaria de comer um  Laurel disse no mesmo instante.
	Mais tarde  replicou Jack, pegando-a pelo brao para conduzi-la ao outro lado do salo.  Conner finalmente chegou. At mais, Ivy. Est na hora de trabalhar.  Enquanto andavam, ele comentou:  A propsito, eu j lhe disse que voc tem muito bom gosto com roupas?
	No com tantas palavras.
	Escolheu esse vestido vermelho para combinar com meu carro novo? 
Jack olhava para Conner enquanto falava.
	E por acaso eu j lhe disse que voc  muito egocntrico?  foi a vez de Laurel perguntar.
	No com tantas palavras. Vamos parar ali, perto de Conner.
Otimo. Comearemos com uma daquelas suas risadas.
Laurel jogou a cabea para trs, rindo de uma maneira que chamava a ateno, mas que no chegava a ser vulgar.
	Bingo!  Jack sussurrou-lhe.
	No jogaremos bingo, meu caro.
Pousando a mo no brao dele, Laurel riu novamente.
	Como est sua sorte esta noite, Hartman?  Conner aproximou-se, como sempre ignorando Laurel.
Ela virou a cabea o suficiente para fazer os cabelos loiros acariciarem seus ombros de maneira provocante.
	Ol, Conner.
Pensara muito no modo como se dirigiria a ele; decidira que "sr. Mathison" acentuaria demais a diferena de idade entre eles. Alm do mais, Jack era apenas alguns anos mais velho que ela e, no entanto, tratava Conner pelo primeiro nome.
Conner pestanejou, fitando-a de alto a baixo, de um modo que chegava a ser insultante. Jack ps a mo na cintura dela, segurando-a contra si. O calor daquela mo e o gesto protetor, deixaram-na com-pletamente relaxada.
	Laurel e eu estvamos a caminho da sala de jogos.
	Ento irei acompanh-los  Conner disse no mesmo instante.
 Fichas?
Jack indicou o local onde elas estavam sendo fornecidas. Conduziu Laurel para o local onde os jogos ocorriam.
	No vamos esper-lo?  ela perguntou a ele.
	Deixe que ele nos siga.
	O que foi? Est irritado com alguma coisa?
	Pode apostar que sim. Pouco me importa quais so seus planos, mas no vou permitir que ele a olhe daquela maneira novamente.
Laurel sentiu-se nas nuvens. Adorava quando Jack se referia a ela daquela maneira possessiva. Holly aproximou-se deles.
	Ele j chegou? J os viu?
	Sim  Jack respondeu.  Espero que se sinta feliz; ele fitou sua irm com um olhar descaradamente insinuante.
Holly olhou de um para o outro.
	Mas esse era o plano desde o incio.
Jack respirou fundo.
	S que no estou gostando nem um pouco.

	Estamos apenas representando, Jack  Laurel procurou tranquiliz-lo.
	Sim, mas ele no est.
Um pensamento sbito ocorreu a ela:
	Talvez ele esteja.
	Como assim?
Holly e Jack falaram ao mesmo tempo, mas Conner uniu-se a eles antes que Laurel pudesse dar uma resposta. Ele atravessara o salo quase correndo, deixando a pobre Patrcia para trs.
	Conner!  ela protestou.
Por que motivo Patrcia aguentava aquele homem?, pensou Laurel.
	Tome, jogue com essas.
Ele entregou algumas fichas a ela, sem se dar ao trabalho de encar-la. Patrcia abriu a boca para reclamar, mas Holly interviu, conseguindo lev-la para o outro lado do salo. Direcionou um olhar de boa sorte para Jack e Laurel, antes de se afastar.
	O que seria de ns se no fosse o sexo frgil?  Conner lanou um sorriso de cumplicidade masculina para Jack.
Laurel viu os maxilares de Jack se enrijecerem.
	Pelo visto Patrcia no compartilha seu gosto pelo pquer ela dirigiu-se a Conner.
Ele balanou a cabea que sim.
	Pois eu adoro jogar pquer  Laurel acrescentou, fitando-o nos olhos.  No consigo passar muito tempo sem jogar.
Conner observou-a de uma maneira diferente, como que respeitando-a mais a partir daquele comentrio.
	 verdade  confirmou ele.  Voc comeou desde cedo.
Laurel fingiu interesse no jogo de uma mesa prxima a eles.
	Eu teria utilizado uma outra estratgia nessa jogada. E voc, Jack?
	Dependeria das circunstncias.  Ele inclinou-se um pouco para ela:  Se voc lembrar do jogo com o professor...
	Quando foi?  Laurel indagou, adorando cada vez mais de sempenhar seu papel.
	Tera-feira  Jack respondeu.
Laurel notou que ele se esforava para no rir. Jack tambm sabia representar muito bem.
	Oh, sim, claro  ela anuiu.  Foi um jogo interessante.
	Andou aprendendo alguns traques com Jack?  Conner inquiriu com ironia.
	Jogamos juntos com frequncia  Laurel comentou como se o fato no tivesse muita importncia.
	Aposto que sim, doura.
O riso irnico de Conner deixou-a furiosa. Todavia, Laurel sabia que precisava manter a calma, e Jack tambm.
Nenhum dos dois respondeu  insinuao. Ambos mantiveram a ateno voltada para o jogo diante deles.
	Ela  boa?  Conner dirigiu-se a Jack como se Laurel no
estivesse presente.  No pquer, quero dizer  completou.
Engolindo a irritao, Laurel acrescentou mais essa ofensa  lista das que Conner j fizera a ela e  sua famlia. Prendeu a respirao, esperando pela resposta de Jack.
	Por que no descobre por si mesmo?
Ele indicou uma mesa que acabava de ser arrumada pela "prestativa" Ivy.
	Que tal um joguinho, Conner?  Laurel incentivou-o.  Em nome dos velhos tempos.
Conner olhou-a com impacincia contida.
	Seu pai no estar aqui para proteg-la.
Ela arqueou uma sobrancelha, desafiadora.
	H muito tempo que meu pai no est por perto para me proteger.
	Muito tempo...  Conner suspirou.
Quando ele voltou a encar-la, Laurel viu que Conner deixara de v-la como uma mulher atraente. Ela agora tornara-se uma jogadora em potencial.
Com uma leve inclinao de cabea, Conner sentou-se  mesa, fazendo sinal para que ela fizesse o mesmo. Laurel ocupou o lugar diante dele, excitada com a ideia de finalmente poder pr em prtica o que aprendera.
	No vai jogar tambm?  Conner perguntou a Jack, que continuava de p.
	Pensei que quisesse jogar com Laurel  replicou ele, enfiando as mos nos bolsos.
Laurel notou um tom diferente na voz de Jack. Estaria ele nervoso por ela? Aquilo significava que ele no acreditava em suas habilidades?
"Calma", disse a si mesma. Respirou fundo, procurando se controlar. Nervosismo a essa altura do plano s atrapalharia.
A expresso depreciativa de Conner a fez lembrar do passado. De repente, tudo parecia como antes. Conhecia bem aquela expresso no rosto de Conner. Quase pde sentir a mo de seu pai sobre o ombro, tranquilizando-a.
"Farei isso por voc, papai", pensou enquanto arrumava as fichas. "E por mim tambm".
As cartas que recebeu no foram muito boas, mas isso no a intimidou. Jack a prevenira para no revelar seu estilo conservador. Dissera tambm que se ela apostasse somente em jogadas seguras, ningum aumentaria as apostas contra ela. Embora devesse minimizar as perdas utilizando o estilo conservador, se o fizesse com frequncia, acabaria diminuindo as chances de vencer.
Esta noite, teria de dar a impresso de ser uma jogadora audaciosa. Os organizadores do evento haviam estipulado um limite de apostas para cada jogada. A inteno de Laurel, porm, era convencer Conner a jogar sem nenhum limite. Assim, ela no se sentiria muito pressionada. Foi invadida por uma onda de prazer ao vencer a primeira partida. Com indiferena, concentrou-se em reunir as fichas, como se vencer fosse algo frequente para ela.
Vencera! Ela vencera! Estava sendo at difcil disfarar o contentamento. Arriscou um olhar para Jack e viu um brilho de satisfao nos olhos dele. Como era bom vencer! Laurel queria experimentar aquela sensao novamente. E no demorou muito, pois tambm venceu a segunda partida. Agora ela j tinha mais fichas do que quando comeara a jogar.
Estava conseguindo se sair bem. Melhor do que imaginara. Conquistaria de volta todo o dinheiro que sua famlia havia perdido por causa de Conner. Sentia-se mais autoconfiante.
S no esperava perder os trs jogos seguintes. A alegria inicial logo cedeu lugar ao desapontamento. Conner permanecia impassvel. Laurel esperou que sua atitude estivesse igualmente camuflada. Sua pilha de fichas diminua cada vez mais; precisava recuper-las. Para tanto, seria necessrio lembrar das lies de Jack. , No jogo seguinte, pegou cartas melhores, e entre elas um valete. A carta especial de Jack. Lembrou de quando ele a prevenira de que jogadores inexperientes ficavam apreensivos quando pegavam tal carta. Contrariando o conselho que ele lhe dera, Laurel preferiu usar o valete em uma jogada conservadora. Perdeu.
Comeou a ficar aflita. No conseguia vencer! A famlia contava com ela; no podia desapont-los. Envolta por tal clima de apreenso, partiu para a jogada seguinte. O riso satisfeito que Conner fazia questo de exibir no ajudou muito a tranquiliz-la.
Jack sumira de repente. Logo agora que Laurel precisava que ele estivesse por perto para apoi-la. De sbito, viu um copo com uma bebida vermelha ser colocado a seu lado. Surpresa, levantou a vista, deparando-se com o olhar compreensivo de Jack.
Ele inclinou-se, tocando a nuca dela com movimentos relaxantes.
  suco de morango.
Laurel tomou um gole, apreciando o sabor levemente cido da bebida. Jack realmente pensava em tudo na hora certa. Sorriu para ele, agradecendo com o olhar. Pegou as cartas seguintes com dedos trmulos.
Uma... duas... trs rainhas.
Seu corao comeou a bater mais forte. No sabia se conseguiria suportar todas aquelas emoes at o fim. Alegria, apreenso, esperana...
Aos poucos o jogo voltou-se favoravelmente para ela. Conner encostou-se na cadeira. Mantinha o olhar e sorriso irnicos. Olhou dela para a pequena poro de fichas . Essa  sua ltima chance, parecia dizer.
A aposta final foi aumentada. Chegou a vez de Laurel jogar. O que faria? Precisaria se desfazer de pelo menos trs fichas para aumentar sua aposta. Procurou ignorar Conner. Ele tentara e quase conseguira distra-la. Laurel duvidou que ele estivesse com um jogo melhor que o dela em mos.
Decidida, apostou trs fichas. Depois mais uma, chegando ao limite. O sorriso de Conner se ampliou. Entreolharam-se por um momento. Laurel estudou bem a fisionomia do homem cuja obsesso pelo jogo destrura a vida de seu pai. Queria ganhar essa partida. Tinha de vencer.
Conner arqueou uma sobrancelha, mantendo o sorriso provocador. Laurel conhecia bem aquele riso. E s havia um jeito de acabar com ele.
Exibindo um sorriso to sarcstico quanto o dele, ela virou para si as cartas que recebera.

CAPTULO VIII

Prerturbadoramente confiante, Conner manteve o sorriso. Algumas pessoas que observavam o jogo fizeram comentrios entre si. Laurel preparou-se psicologicamente. Se perdesse ou ganhasse, deveria agir como se esse jogo no fosse mais importante que outro qualquer. Como se perder no significasse que todo o dinheiro que Adam lhe dera seria perdido.
Ela nem olhara o cheque. Porm, a quantidade de fichas que comprara com ele fora intimidadora.
Quanto mais esperava pela jogada de Conner, mais nervosa ficava. Olhou para as cartas que ele colocou sobre a mesa. Eram melhores que as dela.
	Muito mal, menina  Conner comentou.
Menina. Era assim que o pai costumava cham-la. Se fraquejasse, Laurel sabia que desmaiaria. Contudo, manteve-se firme, fingindo no dar importncia ao fato de haver perdido. No daria o gosto de mostrar a Conner que se sentia arrasada.
	 uma pena  disse simplesmente.
Notou algum se posicionar a seu lado. Era Jack. Levantou a cabea para ele, forando um sorriso.
	Quer ir embora?  perguntou a ele.
	Ainda no. Jogue isso  colocou uma poro de fichas vermelhas, azuis e brancas diante dela.
	Pensei que fssemos jogar esta noite, Hartman  Conner asseverou, observando Laurel arrumar as fichas.
	Quem sabe de uma outra vez  Jack deu de ombros.
	Quando?
	Entre em contato comigo na semana que vem  Jack respondeu num tom aborrecido.  Estarei em Marklands.
Farei isso.
Conner voltou a fitar Laurel com olhar desafiador. Ela apressou-se em apostar outra ficha. Jack depositou outro copo de suco sobre a mesa.
	Est indo bemele sussurrou-lhe.  Eu teria feito exatamente a mesma jogada que voc, se estivesse no seu lugar.
	E teria perdido  ela sussurrou de volta.
	Isso mesmo  ele sorriu.
A despreocupao de Jack deixou Laurel mais relaxada. O jogo recomeou.
	Venci! Venci!  Laurel encostou-se contra o assento do carro de Jack, abraando a si mesma.  Jack, por que no me disse que os vencedores se sentem assim?
	Sentem-se como, Laurel?
O tom de Jack era srio, como se ele no compartilhasse a alegria dela. Afinal, faz-la vencer era a meta principal desde o incio, no era?
Laurel suspirou, tentando encontrar palavras para descrever o contentamento que estava sentindo. Voltou-se para ele:
	Nesse instante, sinto que posso fazer qualquer coisa.
Jack assentiu, compreendendo o que ela queria dizer.
	Sentia o mesmo quando jogava e vencia?  Laurel indagou.
Por um momento ela pensou que Jack no fosse responder.       '

	Sim  foi como se a palavra houvesse sido forada de dentro dele.  Mas, sinceramente falando, voc no venceu tanto assim.
	Mas o suficiente para ganhar um dos prmios  Laurel contraps.  A menos que esteja se referindo ao prmio que escolhi.
Jack riu.
	Resolveu fazer uma contribuio para a empresa de sua irm?
Aquele enorme corao de cetim ficar perfeito em uma decorao, do Dia dos Namorados.
	Foi a nica maneira de eu retribuir o dinheiro que Adam me emprestou. Ele, Holly e Ivy ficaro extasiados quando souberem que venci!
Jack olhou-a de soslaio.
	Tudo bem, Laurel. E normal que esteja feliz, satisfeita, confiante. Mas no eufrica.
Laurel tirou os sapatos e comeou a massagear os ps.
	Qual o problema?
	Estou preocupado.
	Por qu?  Ergueu um pouco o vestido, cruzando as pernas sob si para massagear os ps melhor. - Demonstrou confiana em mim ao me entregar aquelas fichas.
	No podia deix-la sair do jogo depois daquela primeira rodada.
Conner no se interessaria em jogar novamente com voc.
	Est querendo dizer que ele s aceitou continuar o jogo para agrad-lo?
	Mais ou menos.
A euforia de Laurel se desvaneceu.
	E no por causa da memria de meu pai?
	Provavelmente no.
Jack conseguira acabar com a alegria dela. Ele podia pelo menos t-la deixado sentir aquilo por mais tempo. No era justo.
	Acha mesmo que  muito requisitado, no ?  ela retrucou.
Entraram na garagem da casa dela.
	Em que sentido est falando?
	Por Conner querer tanto jogar com voc.

	Oh.  Ele pressionou o boto que abria a garagem.  Pensei que estivesse se referindo ao fato de eu ser irresistivelmente atraente.
	No.
	Meu porte atltico?
	Jack!  Laurel repreendeu-o com o olhar. Ser que ele nunca falava srio?
	Alguma parte do corpo?
	Sim, seu pescoo. Quero apert-lo!
Jack riu, desligando o carro. Nenhum dos dois fez meno de sair.
	Como se sente agora?  ele perguntou, tocando uma mecha dos cabelos dela.
Laurel afastou a mo dele.
	Estou com raiva.
	Por qu?
	Porque... porque eu estava to feliz e voc estragou tudo!
	O problema  que voc estava feliz demais.
Laurel o encarou. Agora ele estava falando srio.
	Feliz demais?! Jack, trabalhei duro para vencer e consegui!
Mereo um pouco de felicidade.
Jack inclinou-se para o lado dela.
	Voc merece toda a felicidade do mundo, Laurel.
Distinguindo um inconfundvel brilho de desejo nos olhos de Jack, Laurel prendeu a respirao. Ele ia beij-la e Laurel mal podia esperar pelo momento. Tambm queria muito beij-lo.
Por que Jack estava fazendo isso com ela? Ele nunca agia da maneira esperada. Isso a deixava sempre na defensiva. Jack tinha o poder de confundi-la e diverti-la ao mesmo tempo. Sem dvida, tratava-se de um homem nico.
Laurel suspirou, expectante. Os lbios de Jack uniram-se aos seus de um modo deliciosamente gentil. Ela levou as mos  nuca dele, puxando-o mais para si. Por um instante Jack correspondeu, mas logo se afastou.
	Sua pele  to macia...
Deslizou o dedo pelo rosto e pescoo de Laurel.
	A sua no   ela tocou a barba levemente crescida.
	Eu sei.
	Mas no vamos nos preocupar com sua barba agora  Laurel sussurrou, trazendo-o para junto de si.
Dessa vez o beijo de Jack foi mais intenso. Arrepios percorreram o corpo de Laurel e um calor insistente insinuou-se entre suas pernas. Soltou um pequeno gemido quando a mo de Jack deslizou para o decote em suas costas.' Arqueou o corpo, permitindo que a mo quente percorresse sua pele nua.
	Esse vestido me deixa louco  Jack sussurrou-lhe ao ouvido.
 Passei horas atrs de voc, sonhando em tocar suas costas. Sua pele  ainda mais macia do que imaginei...
Laurel beijou o pescoo de Jack enquanto ouvia as palavras amorosas. Com um leve gemido, Jack voltou a beij-la. Um calor lnguido surgiu entre os dois, aumentando a onda de desejo que os envolvia.
	Voltou a ficar feliz?  Jack sorriu, tocando os lbios dela com a ponta dos dedos.
	Hum-hum  Laurel tambm sorriu.
	Isso  to bom quanto vencer, no acha?  questionou ele.
	... diferente  Laurel respondeu, recostando a cabea contra o peito dele. Ouviu as batidas compassadas do corao de Jack.  Formamos uma bela dupla  ela sorriu, satisfeita em estar ali, ao lado dele.
Voc foi maravilhosa hoje. No demonstrou sua inexperincia nem por um instante. Tambm teve muita sorte.
A euforia por haver ganhado o jogo voltou a tomar conta de Laurel.
	Sim, realmente estou me sentindo uma sortuda.
	Sabe que teve. de pagar todas aquelas fichas com dinheiro de verdade, no sabe?  Jack lembrou-a.
	Sim.
	Voc jogou por muitas horas...
	Mas ganhei todas as fichas de volta!  Laurel exclamou, triunfante.
A expresso de Jack tornou-se sria. O silncio foi preenchido pelo barulho distante dos fogos de artifcio anunciando o Ano Novo.
	Porque eu lhe dei mais fichas depois que voc j havia perdido todas.
	Isso s indica que eu deveria ter comeado o jogo com mais fichas. Minha sorte mudou logo no jogo seguinte!
	Voc poderia ter perdido.
	Sou muito competente para perder. De fato, depois que liquidarmos Conner, quem sabe no ser uma boa ideia fundarmos uma sociedade? Poderemos viver disso.
Laurel falara em tom de brincadeira, mas Jack levou o comentrio a srio.
	O que eu fiz, meu Deus?  ele perguntou como que para si mesmo. Saiu do carro e deu a volta, abrindo a porta de Laurel.  Saia.
	No sem antes...
Jack pegou-a pelo brao e a puxou para fora. Em seguida, conduziu-a para o interior da casa.
	Nem pense em se tornar jogadora profissional  avisou-a em tom de censura.
Laurel realmente no chegara a pensar em tal ideia, porm no gostou nem um pouco do tom que Jack usara para falar com ela. Em um minuto dizia palavras carinhosas ao seu ouvido, no outro achava que tinha o direito de mandar na vida dela!
	Se eu quiser me tornar jogadora profissional ser problema meu, no seu!
Laurel fechou a porta da cozinha com um estrondo.
	Ser possvel que no entende?  Jack passou a mo pelos cabelos e afrouxou a gravata.   provvel que os outros homens com os quais jogou na festa tenham deixado voc vencer.
	No deixaram!
	Eu poderia apostar no que.disse, Laurel.
 Por qu? E no me diga que foi por caridade!
	Voc  bonita. Gostaram de sua companhia e alguns deles provavelmente lembraram de seus pais. Voc iria embora se ficasse sem fichas, por isso deram um jeito de faz-la permanecer na mesa por mais tempo.
	No!  Laurel bradou, afastando-se dele.  Voc disse que eu jogava bem!
Jack deu um passo  frente, balanando a cabea.
	Eu lhe mostrarei o quanto voc sabe jogar.  Apontou a sala de estar.  Comece com quantas fichas quiser. Sem limite de apostas.
Ganharei todas suas fichas em duas horas.
Laurel cerrou os dentes, irritada. Descobriria agora se era ou no competente. E se ela no fosse, ento Jack mentira todo o tempo.
Encaminhou-se para a sala de estar, lutando contra as lgrimas que ameaavam inundar seus olhos. Recusava-se a chorar na frente de Jack. Virou o recipiente com as fichas sobre a mesa e fez um gesto para que ele pegasse algumas.
O semblante inexpressivo de Jack era tpico de um jogador profissional de pquer. Ele pegou um tero das fichas.
A respirao de Laurel se alterou. Que insulto!, pensou consigo. Pegou o restante das fichas, tambm mantendo o rosto inexpressivo, enquanto as dividia mentalmente. Faria questo de jogar com a mesma quantia que Jack. Nem precisaria tocar no restante, pois sabia que venceria, e de uma maneira honrosa.
Mostraria a Jack o quanto ele era um bom professor. Jogou os cabelos para trs, com um ar desafiador, e sentou-se, embaralhando as cartas.
Jack permanecia de p, com as mos nos bolsos, observando-a. Aps embaralhar as cartas, Laurel levantou a vista para ele, avisando-o para dividir o baralho.
Jack respirou devagar e meneou a cabea, indicando que recusava-se a cortar as cartas. Surpresa, Laurel o encarou, em busca de uma explicao. Mal haviam comeado a jogar e ele j quebrara uma de suas prprias regras!
Contrariada, dividiu as cartas devagar. Ainda em silncio, Jack
sentou-se em frente a ela, observando-a manipular o baralho. Um segundo antes de pegar suas cartas, Laurel olhou para ele. Ao contrrio da expresso impassvel, os olhos de Jack transmitiam um brilho desafiador. Viu quando ele pegou dez fichas azuis, colocando-as no canto da mesa.
O gesto deixou Laurel apreensiva, embora ela soubesse que a inteno de Jack fora exatamente essa. No jogo, as fichas brancas valiam um dlar, as vermelhas, cinco dlares e as azuis, dez dlares. Jack j comeara apostando cem dlares, uma quantia alta at mesmo para um jogo de mentira.
O corao de Laurel se acelerou. Suas palmas suavam. Mexeu nas fichas, recusando-se a olhar para suas cartas. Pouco importava quais eram; o principal no momento era fazer uma aposta  altura da de Jack.
Talvez estivesse esperando que Laurel apostasse mais fichas que ele, s para provar que era to ousada quanto ele. Bem, melhor no arriscar. Jack podia ter perdido o bom senso, mas ela no. Provavelmente era isso que ele esperava dela. S que Jack enganara-se. Ele iria derrot-la em duas horas? "Veremos!", pensou ela.
Quatro rodadas depois, Laurel teve que apelar para as fichas que ela jurara no usar. Na sexta rodada, Jack olhou para Laurel, em seguida para as fichas que ela deixara de apostar. Empurrou uma quantia igual para o centro da mesa. Ela teria de cobrir a aposta ou desistir.
Laurel mordeu o lbio, comeando a experimentar uma onda de ressentimento. Jack jogava de maneira irracional, fazendo apostas absurdas para intimid-la. No dissera uma palavra desde o incio do jogo. Quebrara regras que ensinara a ela.
Laurel tentara utilizar o mesmo mtodo ousado, mas acabara perdendo a primeira partida. Era quase como se ele estivesse conseguindo ver suas cartas, embora ela soubesse que isso era impossvel. Da maneira como ele estava jogando, podia ter desde um timo at um pssimo jogo em mos.
Numa ltima tentativa, Laurel apostou tudo que lhe restava de fichas. No mesmo instante, Jack exibiu as cartas.
 Venci  falou pela primeira vez.
O relgio soou duas vezes. Jack a derrotara em menos de uma hora. Laurel atirou as cartas sobre ele.
Como pde fazer isso?Empurrou a cadeira para trs, ficando de p.  Por que fez isso?
Jack no se moveu.
	Responda!  Laurel bradou.
Ele meneou a cabea.
Ela pegou dois punhados de fichas e tambm os atirou sobre Jack. Por que ele no respondia ou pelo menos dizia alguma coisa? Aquele silncio a deixou ainda mais furiosa. Atirou cartas e fichas no cho, como uma criana mimada.
	Por qu?  insistiu.
	Como se sente agora?  Jack perguntou com uma calma enervante.
	Eu odeio voc!  ela cobriu o rosto, soluando.
Jack a fizera perder o controle. Laurel nunca chorara, nem quando sua carreira fracassara na Califrnia. Odiava-o por t-la feito chorar.
Dois braos fortes e protetores a envolveram de uma maneira familiar. Por um instante, ela resistiu ao toque de Jack, batendo os punhos cerrados contra o peito dele. Mas, por fim, o choro a dominou.
	Tudo bem  Jack consolou-a, afagando-lhe os cabelos.
	Eu... odeio voc!  Laurel soluou.
	Eu sei.
Jack a embalava de um lado para ouro, como se faz com uma criana.
	As pessoas riram de mim esta noite, no foi?
	Ningum riu de voc.

	Eles... jogaram comigo como se eu fosse uma criana.
Laurel sentiu que Jack sorria.
	Posso lhe garantir que ningum a considerou uma criana.
	Voc sabe o que estou querendo dizer.
Jack suspirou.
	Eles no so o tipo de jogadores que voc enfrentaria em um jogo sem limites, como os que Conner costuma oferecer.
Laurel desvencilhou-se dos braos dele. No queria continuar se sentindo como uma criana.
	Enfrentarei jogadores como voc?
	Sim  Jack confirmou.
	Por isso quis fazer essa demonstrao?
	Estava falando em se tornar jogadora profissional. A quantia que voc perdeu em fichas, ainda h pouco, equivale a milhares de dlares. Como se sente a respeito disso?
Laurel olhou para o cho repleto de cartas e fichas espalhadas.
	Continua falando sobre meus sentimentos.
	Porque voc ficou extasiada com a sensao de vencer  Jack explicou.  Mas ficou histrica quando a contrariei. No  um comportamento normal, Laurel.
Ela se abaixou, comeando a recolher as fichas.
	Por acaso no lhe ocorreu que a maior parte da minha alegria se deveu ao fato de eu haver enfrentado Conner? Senti que podia derrot-lo, entende? Pela primeira vez, minha irm poderia confiar em mim e eu no iria decepcion-la.
Jack ajudou-a a recolher as fichas.
	Voc precisava aprender a lidar com a derrota; conhecer sua reao.  Colocou algumas fichas sobre a mesa.  Agora j sabe.
Laurel ainda estava furiosa demais para sentir-se embaraada pelo comportamento que tivera.
	Senti-me trada. Voc quebrou todas as regras.
	So estratgias de pquer, e no regras. Conner utilizar outras.
Queria que voc experimentasse a sensao da derrota.
	Muitssimo obrigada!  ela ironizou.
	Ento... diga-me como se sente.
Laurel fulminou-o com o olhar, demonstrando que no queria discutir sobre seus sentimentos.
	Ok, eu lhe direi ento  replicou Jack, posicionando-se diante dela.  Est morrendo de raiva porque todo seu dinheiro se foi.
Estava sempre pensando que sua sorte mudaria na partida seguinte.
Laurel fez meno de sair, mas Jack interrompeu-lhe a passagem, obrigando-a a ouvi-lo.
	Ou talvez tenha pensado em mudar seu estilo de jogo  ele continuou.  S que o jogo est terminado agora. Voc pe a culpa em uma onda de azar e queima a cabea, pensando em como pagar sua dvida. Logo comear a pensar no prximo jogo. Fica impaciente porque precisa arrumar tempo para comer e dormir quando na verdade tudo o que mais quer  voltar a sentir aquela sensao de vitria. Estou certo?
No era preciso saber muito de psicologia para notar que Jack falara tudo aquilo por experincia prpria.
	No creio que eu esteja to obcecada dessa maneira  retrucou.
	Mas tem todos os sintomas para ficar  respondeu ele, enfiando as mos nos bolsos.
	No tenho sequer dinheiro para sustentar um possvel vcio, Jack.
	Isso nunca foi empecilho para mim.
	Est bem, chega de lies por hoje. Estou morrendo de fome.
Vamos  cozinha comer alguma coisa.
Jack seguiu-a, obediente. Laurel foi direto  geladeira.
	Otimo  ela disse, olhando o interior.  O que quer comer?
 perguntou sem se voltar para ele.
	Laurel...
	Uma salada, um iogurte?
	Laurel...
	O que mais temos aqui?
	Laur...

	Oh, meu Deus!  ela levou a mo aos lbios.
	O que foi?
	Holly comprou fgado. Que horror!
Jack impacientou-se. Pegando-a pelos ombros, forou-a a virar-se para ele. Fechou a porta da geladeira com o p. No silncio que se seguiu, Laurel ouviu uma ou duas contas brilhantes de seu vestido carem no cho.
Estava de volta aos braos de Jack menos de dez minutos depois de haver se desvencilhado deles.
	Laurel?  Quando ela permaneceu em silncio, Jack prosseguiu:  No vim at aqui para fazer de voc uma jogadora profissional.
	Tampouco tenho inteno de me tornar uma.
Jack fitou-a com olhar incrdulo.
	Deveria ter se visto depois do jogo com Conner. Voc adorou a sensao de vencer.
Laurel no queria mais falar sobre aquilo. Estava mais interessada em abordar outro assunto que a deixara intrigada,
	Jack, qual  o favor que voc deve a Adam?
	Acha que est mudando de assunto?  Jack disfarou um sorriso.  No final de um semestre na faculdade, apostei e perdi o dinheiro da matrcula do semestre seguinte. Adam era um dos colegas que faziam parte de nossa fraternidade estudantil. Ele e mais alguns rapazes conseguiram o dinheiro para me emprestar. Usaram um dinheiro que seria destinado a alugar um salo t uma banda para o baile do Dia dos Namorados.
	E o que aconteceu?
Jack suspirou.
	No consegui pag-los em tempo e tiveram que cancelar o baile por minha causa. Tentei pedir dinheiro emprestado a todos os parentes que conhecia, mas eu j devia dinheiro para a niaioria deles.
Vendi meu carro, o relgio, meus livros...
	Seus livros da faculdade?!
	Sim, e mesmo assim continuei jogando. Na noite em que aconteceria o baile, eu j estava em outro jogo.
	Estou surpresa que eles no o tenham tirado da fraternidade.
	E tiraram. Tambm iam me processar, mas os mais velhos acharam que eu j tinha aprendido a lio.
	E voc aprendeu?
A resposta era muito importante. Ajudaria a entender um pouco mais o homem pelo qual ela tinha receio de estar apaixonada. Apaixonada por Jack? Que coisa mais ridcula de se pensar! 

CAPITULO IX

Apaixonada por Jack? Mas ele no era o tipo mais sindicado para o casamento! Laurel pretendia se casar com um homem que lhe oferecesse uma vida estvel, e no um aventureiro como Jack parecia ser. Como pudera deixar aquilo acontecer?
	Aprendeu a lio?  ela insistiu, segurando o brao dele.
Jack hesitou. Quanto mais ele demorava para responder, mais nervosa Laurel ficava. Talvez, no fundo, nem ela quisesse ouvir a resposta.
	Sim e no  Jack disse, por fim.
Que tipo de resposta era aquela? Laurel olhou bem para o rosto dele.
	Est querendo dizer que ainda joga por dinheiro?
	No  ele respondeu.  No jogo mais.
O rosto de Laurel exibiu uma expresso de puro alvio, revelando a Jack mais do que ela queria. Laurel se importava com ele.
	H mais coisas a dizer, no h?
Jack lutava para encontrar a melhor maneira de contar toda a verdade sem mago-la.
	Ainda sinto vontade de jogar  ele confessou.  Mas no pretendo me arriscar mais. Quando vi que o jogo estava se tornando um vcio incontrolvel, desisti. Agora luto contra o desejo de jogar.
Voc entende, Laurel?
Ela assentiu, embora no entendesse muito bem.
	Lembro-me da sensao que voc experimentou esta noite.  algo inebriante. Tive vontade de participar do jogo; quase cheguei a faz-lo. No imagina por que eu estava com aquelas fichas? Porm, lutei contra o desejo, e venci. Olhei para esse decote tentador em suas costas e prometi a mim mesmo que s a tocaria se me mantivesse longe do jogo.  Seus lbios curvaram-se num leve sorriso.  Confesso que tem sido torturante ensin-la a jogar.
Relutante, Jack soltou-a, sentando-se  mesa. Notou que Laurel ficara chocada. De certa forma ela tinha razo para estar. Para ele tambm no deixava de ser chocante admitir e confessar suas fraquezas.
Laurel era uma mulher independente, determinada. No toleraria fraquezas como aquela em um homem. Mas como desejava que ela o entendesse!
Laurel levou os dedos trmulos  testa.
	Ento por que Adam pediu a voc que viesse at aqui?  como pedir a algum que est fazendo regime para... para julgar o sabor de um bolo de chocolate!
Jack arqueou a sobrancelha.
	Talvez no seja exatamente a mesma coisa  ele contraps.
	Voc sabe o que eu quis dizer.
Laurel tambm sentou-se  mesa. Sua expresso era de preocupao, mas no de desagrado.
	Adam no tem ideia da extenso do problema  Jack esclareceu.  S algum que sofre da mesma compuno pode entender.
 Ele interrompeu-se, demonstrando seu desejo de que ela o entendesse.  No tivemos mais contato desde que ele se mudou.
Adam no sabe que deixei de jogar h anos.
Laurel pestanejou, contendo as lgrimas repentinas.
	E no contou a ele?  perguntou.
Jack balanou a cabea que no.
	Oh, isso foi tolo, mas corajoso tambm  Laurel suspirou.
Jack franziu o cenho. No queria que ela o visse como um heri!
	No foi corajoso, Laurel. Devo um favor a Adam, s isso.
	Sua atitude foi...  ela soluou.
	Hei, no chore. Odeio ver mulheres chorando.
Laurel o fitou com um gracioso olhar de afeio.
	 um homem de carter, Jack.
	Bem, comparado com Conner...
	Voc no se compara a ningum.
Havia admirao no rosto de Laurel. Jack no gostou nem um pouco daquilo; agora ela o estava colocando em um pedestal!
	No faa de mim algo que no sou.
	Mas voc tem integridade. Admiro isso.
	Se sou to ntegro assim, ento essa  mais uma razo para que eu no queira que voc se aproxime demais de Conner.
	Por qu?
Na vspera de Natal, Jack telefonara para alguns amigos do Texas, a fim de saber mais sobre o homem que Laurel e a irm tanto detestavam. Sem acusar Conner abertamente, os amigos de Jack haviam dito que ele no era mais bem-recebido nos jogos. Um outro detalhe interessante era que nenhuma mulher participava dos jogos de Conner.
	 provvel que ele trapaceie nos jogos  disse Jack.
	Isso no me surpreende.
	Por esse motivo, Conner est tendo dificuldade em encontrar parceiros que queiram jogar com ele.
	E devo sentir pena dele por isso?  Laurel questionou.
	No. Deve reconsiderar a ideia de desafi-lo. No creio que ele goste de mulheres.
	Imaginei que isso fosse possvel pela maneira como ele trata Patrcia.  Laurel estreitou o olhar:  Aonde est querendo chegar?
Jack inclinou-se para a frente:
	O problema  que se voc jogar com Conner, ele se sentir no direito de transgredir as regras do jogo.
	Em outras palavras, se ele decidir trapacear, ser contra mim, uma mulher insignificante. 
	Isso mesmo.
	timo  Laurel esfregou as mos, como que preparando-se para uma luta.  Enfrentarei o grande trapaceiro.
	No  Jack replicou, firme.
Ele no queria ver Laurel em contato com Conner novamente. Seria melhor se ela e a famlia esquecessem aquele plano. Laurel apoiou as mos sobre a mesa.
	Por que no?
	Ser arriscado demais. No ser bom ter Conner como inimigo.
Laurel comeou a rir.
	Impossvel que seja pior do que t-lo como amigo  retrucou ela.
	Oh, Laurel  Jack suspirou, tocando a mo dela por sobre a mesa.
	 esse o tipo de incentivo que oferece aos seus alunos?  ela sorriu, irnica.  No se preocupe. No estou mais orgulhosa de minhas habilidades no pquer.
	Laurel, voc no joga mal.
: S que no to bem o suficiente.
	Precisa aprender mais alguns truques, s isso.
	E ento? No vai me ensinar os truques que fez tanta questo de demonstrar h pouco?
Quanto mais falavam, mais preocupado Jack ficava. Laurel ainda queria desafiar Conner, e o pior era que pensava que ele tinha uma frmula mgica para faz-la vencer o jogo.
	Notei a maneira como Conner a olhou esta noite. Vi desdm nos olhos dele. S no sei se foi pelo fato de voc ser mulher, filha do ex-scio dele ou uma jogadora de pquer. Todavia, no h razo para que voc queira descobri-lo.
	Jack  foi a vez de Laurel segurar as mos dele , tudo dar certo. Estar l comigo, no ?
Jack notou a incerteza na voz dela. Laurel estava convencida de que sua vitria dependia dele. Sentiu como se um peso houvesse sido colocado sobre seus ombros. E se Laurel perdesse?
Talvez a nica maneira de convenc-la a desistir fosse pedindo  famlia dela que esquecesse o plano de vingana.
	J  tarde  comentou ele, ficando de p.  Amanh precisaremos ter uma conversa em famlia.
Teria Jack se dado conta de que dissera "famlia"?, imaginou Laurel, sentada  mesa da cozinha, na tarde do dia seguinte. Seria indicao de que Jack j se considerava da famlia? Estaria ele planejando ficar, depois que ela derrotasse Conner?
Jack era mesmo um homem magnfico, concluiu, deixando as antigas suspeitas em um canto quase escondido de seu corao. Ele era honesto, corajoso. E estava disponvel.
Ainda no dissera que a amava, porm, o faria mais cedo ou mais tarde. Provavelmente estava esperando que o problema com Conner se resolvesse.
Por outro lado, podia ser que nem o prprio Jack soubesse que a amava. Todavia, Laurel vira amor nos olhos dele. Na noite anterior, pela primeira vez eles haviam conversado sem que ele a provocasse. A conversa fora sria. Jack revelara seu lado vulnervel. Homens no costumavam fazer isso, a menos que estivessem apaixonados.
Laurel experimentou uma onda de expectativa. No via a hora de jogar com Conner.
	Por que est sorrindo?  a voz de Holly trouxe-a de volta  realidade. Esquecera-se de que o restante da famlia estava presente.
 No ouviu o que Jack disse? Ele acha que devemos desistir de tudo. Desistir!
Antes que Laurel pudesse responder, o telefone comeou a tocar.
	Deve ser Conner  Jack suspirou.
Aps atender, ele falou algumas palavras soltas antes de fazer um sinal, confirmando que se tratava de Conner.
	Pelo visto teremos que decidir logo ; Adam salientou.
	Bem, aceitarei o que acharem melhor  Ivy declarou, dirigindo-se  porta.  Vou para a sala, assistir tev.
	O que acha?  Holly perguntou a Laurel.  Depende de voc. Quer ou no continuar com o plano?
Como podiam exigir que ela tomasse uma deciso daquelas? Se desistisse, Holly ficaria magoada. Se continuasse, Jack no aceitaria.
	Quanto antes eu jogar com Conner, melhor  respondeu, num impulso.
	Mas Jack tem dvidas  Adam ressaltou.
	Ele est sendo superprotetor  Laurel olhou para Jack.
Aps desligar o telefone, ele voltou para junto deles. Laurel entrelaou os dedos nos dele. Jack lanou-lhe um sorriso rpido.
	Conner me convidou para um jogo s quatro horas.
	Hoje?  ela perguntou.
Jack assentiu.
	E o que disse a ele?
Ele olhou para Laurel, considerando a pergunta.
	Disse que iramos a um outro jogo  afirmou, esperando a reao dela.
	Iremos mesmo?
	Est decidida a continuar?
O sorriso de Laurel deixou-o preocupado.
	Claro  ela respondeu.
	Ok.  Jack tamborilou os dedos sobre a mesa, concluindo que Laurel e a famlia deviam saber o risco que correriam.  Sei de um jogo que acontecer hoje  noite. Ser entre alguns velhos amigos meus. Pessoas gentis, atenciosas. Um excelente lugar para voc comear, Laurel.
	Comear?  ela surpreendeu-se.  E o -que considera que aconteceu na noite passada?
	A atmosfera da festa foi muito diferente da de um jogo real.
No haver limite para as apostas no jogo de hoje. Voc precisa praticar com jogos de apostas altas.
Laurel corou.
	Fale com Holly e Adam. Eles esto bancando a "brincadeira".
 Ficou de p, preparando-se para deix-los a_ss. No queria ouvir aquela parte da discusso.  Estarei na sala com Ivy.
Os comentrios de Ivy durante o jogo de futebol exibido pela tev no ajudaram muito a tranquiliz-la. O que Jack estaria dizendo a seu respeito? Sem dvida ele estava preocupado, e tinha razo para isso. Depois da noite anterior, ela conclura que realmente ainda no estava bem preparada para enfrentar Conner. 
"Pessoas gentis e atenciosas? Uma ova!", pensou Laurel, esticando-se no sof, aps haver chegado do jogo.
Os homens com os quais ela jogara podiam muito bem ser descritos como lobos em pele de cordeiro. No conversara com Jack durante o trajeto de volta. Notara os olhares e a preocupao estampada no rosto dele.
Gemeu, cobrindo os olhos com o brao. Perdera uma quantia suficiente para pagar seu apartamento em Los Angeles durante meses, se ainda morasse l. Tudo se fora em apenas algumas horas de jogo.
	O que est fazendo aqui?  ouviu a voz preocupada de Jack.
	Assistindo tev.
	Ento seria melhor lig-la primeiro.
	Prefiro assim.
Laurel abaixou o brao. Jack aproximou-se do sof e ela dobrou as pernas para que ele pudesse sentar.
	Fiz um pouco de caf  disse ele, entregando uma xcara a ela.
Laurel sentou, aceitando a bebida. Olhando para o lquido, foi capaz de ver o fundo da xcara.
	Chama isso de caf?
	No fao isso com muita frequncia.
	Posso entender por qu.
	No mereo nem alguns pontos pela inteno?
	Claro  Laurel respondeu com um sorriso pesaroso.
Jack respirou fundo.
	Sobre o jogo...  comeou, mas foi interrompido pelo riso de Laurel.
	J vi que tem sempre um sermo preparado para depois de cada jogo.
Jack fitou-a por um instante.
	A culpa foi minha  declarou.  H muito tempo eu no tinha contato com eles.  Ao v-la em silncio, acrescentou:  No vai me contradizer?
	No. Foi sua culpa mesmo.
	Joguei com um deles uma vez. Um homem muito gentil, nascido no sul. Ou pelo menos costumava ser.
	Era, pode ter certeza. No h mais nem um pouco da gentileza sulista nele. Eu no devia ter ido at l  Laurel gemeu, passando a mo pelo rosto.  Como direi a Holly e Adam que perdi todo aquele dinheiro?
	Eles sabiam que no havia nenhuma garantia.
	No me parece muito consolador. Levarei anos para devolver o dinheiro!
Jack acariciou os cabelos dela, depois pegou a xcara e tomou um gole do caf. Com uma leve careta, depositou-a sobre a mesa.
	Eles no esperam que voc os pague, Laurel. Aceitaram o risco e pronto.
	Mas eu perdi o dinheiro.
	s vezes isso acontece.
	No  muito animador ouvir isso.
	Mas  a realidade. Entretanto, quando isso ocorre  preciso recobrar a confiana.
	Confiana? No me sobrou nem um centavo para alimentar essa tal confiana! J sei por que perdi. Fui muito conservadora, no fui?
	Talvez em alguns...
	Simplesmente entrei em pnico! Fiz tudo que voc me preveniu para no fazer! E mesmo sabendo que era tolice!
Laurel encostou a cabea contra uma almofada. Sentiu quando Jack colocou uma mecha de cabelos por detrs de sua orelha.
	Deve mesmo estar furiosa comigo  ele sussurrou.
	No  Laurel disse, a voz abafada pelo travesseiro.  Estou apenas me sentindo uma idiota.
	Isso vai passar. Lembra do que costumam dizer sobre cavalos?
	Sim. Quando se cai de um cavalo, deve-se bater a poeira e montar novamente. Mas no ouse comparar o que estou sentindo com isso!
	 a mesma coisa.  Jack deu-lhe um beijo casto na tmpora.
	Pois eu desisto! Meus dias de jogadora de pquer esto ter minados.
Jack ficou de p, obrigando-a a ficar tambm.
	Vamos treinar mais uma vez. Sem presses.
Laurel balanou a cabea, tentando se desvencilhar.
	No quero...
	Marcarei outro jogo para logo mais. S que com outros conhecidos meus. Garanto que esses sero gentis. Jogaro apenas com fichas, sem apostar dinheiro de verdade. Depois voc decidir se quer ou no enfrentar Conner.
Laurel no podia acreditar que Jack a convidara para outro jogo poucas horas depois do ltimo fiasco. E o mais curioso era que ela estava ganhando! Fazia sentindo. Ela sempre vencia quando no apostava dinheiro de verdade.
Puxou uma pilha de fichas azuis para si. Vencera o primeiro jogo. Procurou se conter ao ver o olhar de aviso de Jack. Ela estava se entusiasmando novamente. Por Deus, o jogo nem estava valendo! E Jack no estava jogando.
	Preciso de mais fichas  disse o jogador que se apresentara a ela como Slim.
Laurel aproveitou o ligeiro intervalo para esticar braos e pernas. Sentia-se num autntico saloon dos filmes de faroeste.
Fora muito gentil da parte de Jack encontrar aqueles homens para jogar com ela. Ele devia ter contado a eles sobre o fracasso da ltima experincia. Pelo visto eram amigos h muito tempo.
Havia quatro homens mais velhos que a chamavam de "madame" e "senhorita". Enquanto jogavam, eles a divertiam com histrias de jogos. Laurel chegou a lamentar quando o tempo do jogo acabou.
	Pode pegar o restante, senhorita  disse Slim, entregando as fichas que perdera para ela.
	Obrigada  ela sorriu para todos.   provvel que Jack tenha lhes contado o que aconteceu comigo a noite passada e o quanto fiquei desmotivada. Obrigada pelo que fizeram.
	No h o que agradecer, pode acreditar  comentou Slim, apontando a pilha de fichas diante dela.
	Oh  Laurel afastou as fichas para longe.  Sei que o jogo no deve ter sido muito emocionante para vocs, j que foi apenas por divertimento.
Slim ia acender um cigarro, mas parou o isqueiro no ar. Todos fitaram-na, curiosos. Em seguida, os olhares voltaram-se para Jack. Laurel entendeu a reao.
	Essas fichas valem mais do que imaginei, no ?  ela encarou Jack.
	Depende do que considera jogar por divertimento, madame 	disse um dos homens.
Laurel sentiu o sangue esquentar nas veias.
	Jack... quem pagou minhas fichas?
Rindo, ele apontou os prprios bolsos:
	Eu.
Parecia muito satisfeito consigo mesmo. Laurel no sabia o que pensar. No tinha ideia de quanto as fichas valiam, mas pela atitude dos homens, deveria tratar-se de uma quantia generosa.
Precisava sair dali antes que a sensao de vitria lhe subisse  cabea.
	Ora, obrigada, Jack  agradeceu num tom controlado.
	J fui derrotado uma ou duas vezes  Slim comentou , mas no dessa maneira.  Acendeu o cigarro.  Muito interessante, Jack. 
	No contei que o jogo era para valer para no deix-la nervosa ele esclareceu.
- Eu diria que voc ficou nervoso  Slim salientou. Jack riu.
	O que achou do jogo?  perguntou ele.
Slim pigarreou.
	Para ser sincero gostaria de outra oportunidade para recuperar meu dinheiro.
	Estou pensando em marcar um jogo para a sexta-feira  Jack declarou.  Esto todos convidados.
	S ns?
	Pensei em chamar Conner Mathison tambm. Vocs o conhecem?
Laurel permaneceu em silncio, imaginando o que Jack pretendia.
No deixou de notar as expresses contrariadas nos rostos dos homens. Teve receio de que eles recusassem o convite.
	Ah, Jack, no  possvel que a deixe jogar com ele  disse um dos homens.
	Ele e... a senhorita tm algumas contas a acertarJack insinuou.
Sorrisos de expectativa surgiram nos rostos dos homens.
	Nesse caso...  disse Slim.
Quando estavam no carro, Laurel explodiu:
	S-seu... Seu...!
	Cuidado com os nervos.
	Eu podia ter perdido, sabia?
	Mas isso no aconteceu  ele riu.
Era difcil permanecer nervosa sendo que Jack estava to alegre. A fria de Laurel se desvaneceu. Jack ainda acreditava nela.
	Diga-me s uma coisinha: ganhei dinheiro suficiente para pagar Holly e Adam?
	Oh, sim.
	Oh, no!  Laurel reclamou.  No me disse que havia tanto dinheiro envolvido! No quero nem saber quanto foi!
Jack ftou-a com olhar divertido.
	Por acaso essa  uma outra face sua? Sentir-se indignada mesmo tendo vencido?
	No gosto de jogar por tanto dinheiro.
	Otimo. Mantenha-se assim depois do prximo jogo.  Ele voltou-se para ela um instante:  Laurel, quero que me prometa que, vencendo ou perdendo, no voltar a jogar com Conner.
	S com ele?
	Estou falando srio  o sorriso sumira do rosto dele.
	Mas posso perder e...
	Aquele homem no presta, Laurel.
	Jack...
	Prometa  ele insistiu.
	Est me pressionando. Isso significa que s terei uma chance de derrot-lo.
	Quero sua palavra, caso contrrio cancelarei o jogo da sexta-feira.
	Ok  ela concordou rpido.  No gostei da ideia, mas tudo bem.
Seu estmago se contraiu. Sexta seria o grande dia. Foi assaltada por uma dvida repentina. Depois do jogo, o trabalho de Jack estaria terminado; no haveria mais razo para ele permanecer em Dlias.
Sexta tambm seria o dia final, ento. Jack voltaria para casa logo depois. Sozinho. Ser que suportaria ficar longe dele?

CAPITULO X

Os cabelos grisalhos de Conner brilharam sob a luz estrategicamente posicionada sobre a mesa de jogo quando ele puxou para si as fichas que ganhara.
A famlia de Laurel fingia pouco interesse pelo jogo, mas ela sabia que eles estavam conscientes de que ela acabara de perder a melhor jogada da noite.
Perder no a surpreendia mais, mas a perda dessa jogada em particular a deixara apreensiva. Fora quase como se Conner soubesse quais cartas ela tinha em mos!
Involuntariamente, seu olhar desolado encontrou o de Slim. Havia uma expresso de desafio no rosto dele quando apontou para uma parte do baralho que ainda no havia sido usada.
Laurel treinara muito nos dias que antecederam o jogo. Jack a ensinara como calcular as Jogadas para que ela soubesse o momento certo de arriscar uma aposta. Tambm a instrura em como refletir sobre as possveis cartas dos outros jogadores. Bem, seu clculo no fora muito bom dessa vez, mas pelo menos havia o consolo de no ter perdido sozinha.
 Intervalo  anunciou B.J., um outro jogador.
Conner lanou-lhe um olhar que indicava, segundo Laurel j aprendera, que ele estava muito irritado.
Ela deu graas pelo intervalo. Nunca sentira tanto sua falta de experincia e isso a estava desgastando. O clculo das jogadas no era algo que lhe ocorria automaticamente. Estava sendo obrigada a usar o raciocnio muito alm do normal. Ter que aparentar calma quando os pensamentos fervilhavam em sua mente era desgastante demais.
Notou que Jack conversava com alguns dos outros jogadores. Ivy e Holly j no conseguiam disfarar a preocupao.
	Voc e suas irms no simpatizam muito comigo, no ?  a voz grave de Conner interrompeu os pensamen-tos de Laurel.  Lamentam o fato de eu estar aqui e o pai de vocs no.
Laurel olhou-o, arqueando a sobrancelha. Quanta ousadia daquele homem! Ele no tinha o direito nem de tocar no nome de seu pai! Foi ento que ela se deu conta de que a inteno de Conner era justamente perturb-la, deix-la nervosa.
Encarou-o por um momento, mantendo uma expresso de desdm. O rosto de Conner continuava impassvel.
	Eu o avisei para no sobrevoar aquele poo  ele disse.
	Mesmo?  a voz de Laurel saiu calma.
Ele enrijeceu o maxilar.
	O que est insinuando?  indagou.
Laurel fingiu espanto e ingenuidade ao mesmo tempo. Ao notar que ela no tinha inteno de responder  pergunta, Conner enrubesceu.
	Sei que voc e suas irms pensam que agi mal com seu pai.
Tambm sei que disseram isso ao advogado que cuidou do caso.
	Ento tambm deve saber que ele no levou nossa opinio em conta  Laurel comentou com um sorriso sardnico.
	E se  mesmo parecida com seu pai, deve ter ficado furiosa com isso  Conner declarou quase num sussurro.
Laurel afastou a cadeira e ficou de p.
	Sim, sou muito parecida com meu pai.
Dizendo isso, andou com pernas trmulas at o outro lado da sala. Precisava afastar-se um pouco daquele homem, caso contrrio perderia a calma que tanto precisava para utilizar no jogo. Sobressaltou-se quando algum a segurou pelos ombros.
	Calma  Jack sussurrou.  Seu rosto est plido. O que ele lhe disse?
	Tentou me deixar nervosa. Mas no conseguiu.
	Hmm  Jack coou o queixo.  Slim acha que voc deveria ter ganhado aquela ltima jogada.
	Eu tambm  Laurel suspirou.
	Laurel, preste ateno em Conner quando ele estiver distribuindo as cartas.
Ela olhou-o com ateno.
	O que devo observar?
Jack respirou fundo.
	Observe as mos dele e as cartas que ele pegar, mas no faa nada.
Jack desconfiava de que Conner estava trapaceando! Laurel engoliu seco. Em seguida, pegou um copo de ch gelado que Ivy servira.
	Alguma prova?  perguntou a ele.
Jack meneou a cabea, indicando a aproximao de Conner. Ele passou por eles e foi cumprimentar Holly e Ivy. As duas ficaram visivelmente perturbadas. Holly mal conseguia disfarar a raiva no olhar. Ivy no sabia o que dizer. No era  toa que Laurel fora escolhida para enfrent-lo; suas irms no saberiam o que fazer se estivessem em seu lugar.
Jack segurou o queixo dela entre o indicador e o polegar.
	Quero falar com voc depois do jogo.
Apreensiva, ela o fitou nos olhos. Jack estava muito srio. No se parecia com algum que pretendia falar de um futuro para os dois. Talvez fosse isso mesmo, pensou Laurel, sentindo o estmago se contrair. Jack imaginava o que ela sentia por ele e procuraria deix-la da maneira mais gentil possvel. Diria que poderiam se tornar amigos, mas que ele teria de partir.
Procurou algum indcio de carinho ou afeio no semblante de Jack, mas no viu nada. Com certa dificuldade, conseguiu ingerir um gole de ch.
J no tinha dvidas quanto ao que sentia por Jack. No imaginava mais um dia de sua vida sem t-lo a seu lado. Sentiria falta das brincadeiras, do incentivo e, principalmente, da companhia de Jack.
Durante as aulas de pquer, conversavam sobre psicologia, estratgia, filosofia, matemtica. Todos da famlia gostavam de Jack. Ele era honesto e beijava como ningum. O que mais ela poderia querer de um homem?
"Uma promessa", a resposta lhe ocorreu no mesmo instante. Ela e Jack haviam discutido o presente, mas nunca o futuro de suas vidas. Quando voltara para Dlias, Laurel no tinha nenhum plano para o futuro, mas agora estava disposta a comear um com Jack.
	Ok  sorriu para ele.  Se  isso que quer, ento conversaremos.
Parecia que Jack desejava dizer algo mais, porm os outros jogadores comearam a voltar para a mesa. Laurel mordeu o lbio. Com uma expresso resignada, uniu-se aos demais.
O que ser que Jack ia lhe dizer? Bem, agora no podia mais pensar nele. Precisava se concentrar no jogo. Sentou-se no mesmo lugar que ocupara antes. B.J. insistiu em trocar de lugar com Conner. Mac, outro jogador, fez uma expresso de quem preferia desistir a ter que se sentar ao lado de Conner. Slim entregou o baralho a Lane, que ocupava o lugar ao lado de Mac.
 Dessa vez voc d as cartas  Slim disse a ele.
Lane obedeceu, recomeando o jogo. Laurel mal conseguia se concentrar. No foi surpresa quando viu que as cartas que recebera formavam um jogo horrvel. Vez por outra seus pensamentos voltavam-se para a conversa que teria com Jack. Tinha certeza de que ele ia se despedir. Como o convenceria de que precisava dele?
Com o passar do tempo, a necessidade da presena de Jack a seu lado tornou-se cada vez maior. Suas fichas estavam diminuindo. Adam e suas irms j no assistiam o jogo com tanta indiferena; a apreenso estava visvel em seus rostos.
Laurel observava cada movimento de Conner, mas no notou nada de anormal. Arriscou um olhar para Jack, porm ele se servia de um copo de ch gelado.
Ela voltou a analisar suas cartas. O jogo prosseguia, mas ningum apostou antes dela. Quando chegou sua vez de jogar, ela colocou algumas fichas no centro da mesa. S as contou quando foram caindo de sua mo. Fichas no representavam mais dinheiro para ela. Eram apenas fichas, sendo que as azuis valiam mais que as vermelhas e estas mais que as brancas.
Percebeu um movimento pelo canto do olho e levantou a vista. Jack franzira o cenho. Ela fizera algo errado? Jack lhe dissera para vigiar Conner e ela o obedecera. Teriam notado algo que lhe passara despercebido? Provavelmente no. Ela estava era sendo conservadora de novo. Precisava ousar mais.
Laurel engoliu seco quando Conner sorriu com ironia e aumentou a aposta.
Ela podia sentir o olhar de Jack sobre si quando aceitou o desafio e aumentou mais a quantia para continuar na rodada.
Um silncio de expectativa pairou sobre todos.
 Cartas?  Conner disse.
Laurel descartou as duas que queria negociar. Conner entregou-lhe outras duas. Laurel juntou-as s que tinha em mos, olhando-as como se fossem desaparecer se ela levantasse a vista. Conner pegou uma carta.
	Sua vez de apostar  avisou-a.
Laurel conhecia muito bem as regras do jogo e no precisava ter sido lembrada daquilo. Sua irritao contra Conner aumentou ainda mais. Todavia, tratou logo de descart-la; precisava se concentrar.
Conner tinha mais fichas que ela. Laurel suspeitou de que a inteno dele era faz-la apostar todas as fichas, pois se ela perdesse a rodada, sairia do jogo.
Por um momento Laurel desejou que isso acontecesse. Cansara-se de toda aquela presso vinda dos parentes, dos jogadores e de Jack.
	Aqui est, Conner.  Num impulso, ela empurrou todas suas fichas para o centro da mesa.  Quer que eu as embrulhe para presente?  ironizou.
Conner olhou as prprias cartas por um momento, antes de revel-las com um de seus sorrisos irnicos.
Ele vencera mais uma vez. Laurel sentiu-se estranhamente aliviada. Tudo terminara. .  Intervalo  B.J. anunciou.
Laurel estendeu a mo para Conner, cumprimentando-o pela vitria.
	Preciso tomar um pouco de ar  ela anunciou, retirando-se em seguida.
Foi direto para o jardim atrs da casa. O ar frio atingiu seu rosto ruborizado, aliviando um pouco o calor causado pela tenso. Quase no mesmo instante, ouviu a porta ser aberta e algum se aproximar. Era Jack.
	Perdi  disse Laurel.
	Eu sei.
A sensao de alvio voltou a domin-la.
	Est tudo terminado  ela anunciou, surpresa com a voz trmula.
	Sabe por que perdeu?  Jack perguntou.
	Porque Conner tinha um jogo melhor  Laurel declarou com um suspiro. Por um momento cheguei a pensar que meu jogo estivesse melhor que o dele.
	No estou surpreso.  provvel que Conner tenha lhe dado cartas boas s para engan-la.
Levou algum tempo para Laurel entender.
	Est querendo dizer que ele trapaceou?  Perder era desagradvel, mas perder por causa da desonestidade de Conner era intolervel.  Como?
Jack deu de ombros.
	Conner  esperto demais. Notou que os outros jogadores no fizeram apostas?
Laurel assentiu.
	Mas...  Ela ia argumentar, porm viu que no adiantaria.
Prometera a Jack que s jogaria uma vez com Conner.  Perdi devido  minha inexperincia.
	Em parte.
Jack passou a mo por baixo dos cabelos dela, acariciando-lhe a nuca. Laurel sabia que ele fizera aquilo com a inteno de confort-la, todavia, o arrepio que ela sentiu pelo corpo no tinha nada a ver com conforto.
Virou de frente para ele e repousou a cabea no peito forte, protetor. A sensao de estar ali, junto de Jack, era boa demais. Pensaria na derrota depois.
Ele a abraou por um longo tempo. Laurel foi a primeira a falar:
	Voc queria conversar comigo?
Jack respirou fundo.
	Lembra da promessa de no jogar mais com Conner?

	Era sobre isso que queria conversar?  Laurel afastou-se para encar-lo.
	Entre outras coisas.
	Eu lhe dei minha palavra. Terei que enfrentar Holly e Ivy como uma perdedora, mas o que vale  minha palavra. Voc est sempre enfatizando a importncia que se deve dar  palavra; por que duvida da minha?
	Laurel, no estou duvidando de sua palavra. S no sei se voc conseguir viver com isso.
	Refere-se ao fato de Conner haver trapaceado? No estou aparentando calma?  ela desviou o olhar.
	Sim. Mas est calma demais para o meu gosto. Pensei...
	O qu?  Laurel voltou a encar-lo.  Que eu fosse chorar ou fazer algum escndalo?
	Mais ou menos.
	Sou uma mulher adulta, Jack. Sei como enfrentar o peso de uma derrota.
Jack lanou-lhe um olhar incrdulo.
	O que foi?  Laurel perguntou a ele.
	Sob as atuais circunstncias, estou surpreso que me pergunte isso.
Foi a vez de Laurel olh-lo com desconfiana.
	Est sugerindo que eu quebre a promessa? No fundo, procura uma desculpa para ficar mais tempo por aqui, no ?
Jack enfiou as mos nos bolsos de trs da cala e levantou a vista para as estrelas.
	No pensei que precisasse de uma  ele disse.
	E no precisa mesmo. Mas fez questo de deixar bem claro que no via a hora de partir.
	Isso no  verdade.
	No foi por isso que me fez prometer que eu s jogaria uma vez com Conner?
Laurel chegou a pensar que Jack no fosse responder. Por fim, ele disse:
	No quero ver voc e sua famlia obcecados com a ideia de se vingar de Conner. Tampouco desejo v-los perdendo milhares de dlares por causa dele. Venc-lo em um mero jogo no ser suficiente para apagar o que pensam que ele lhes causou.
	Pensamos?  Laurel indignou-se.  Por acaso no acredita em ns?  Ela comeou a andar de um lado para outro.  Ivy localizou Conner, Holly pesquisou a vida dele, Adam descobriu um meio de termos acesso a ele. No foi um projeto elaborado para nos divertirmos durante as frias, Jack.
	Sei disso. Apenas acho que est na hora de sua famlia desistir de alimentar mgoas do passado. No quero que acabem perseguindo Conner por todo o pas,  procura de uma oportunidade de derrot-lo.
	E que importncia isso tem para voc?  ela bradou, irritada.
	Droga, eu te amo!  Jack tambm gritou, parecendo to frustrado quanto ela.  Mas no era dessa maneira que eu pretendia dizer isso a voc!
A frase ficou no ar enquanto os dois se encararam em silncio. Jack a amava! Por Deus, ele a amava! A vingana contra Conner j no tinha importncia alguma.
	Tive receio de que voc estivesse brincando com meus sentimentos  Laurel declarou quase num sussurro.  Pensei que quisesse partir logo.
Jack acariciou o rosto dela.
	Sim,  verdade que desejo partir, s que quero lev-la comigo.
Laurel estremeceu de pura felicidade.
	Voc sabe que sou louca por voc, Jack.
	No, estou sabendo agora  ele sorriu, abraando-a com carinho.
Laurel aninhou-se contra o peito dele. Em seguida, ficou na ponta do p, at que seu rosto alcanasse o dele.
	Estou completamente apaixonada por voc  sussurrou com os lbios prximos aos dele.
	Gostei de ouvir isso  Jack apertou-a mais contra si.
Ele tentou beij-la, mas Laurel estava to feliz que no conseguia parar de rir. Ainda abraada a ele, ela jogou a cabea para trs, rendendo-se ao sorriso e  felicidade.
	Oh, Jack! Se ao menos eu soubesse disso antes daquele jogo, teria podido me concentrar. Mas no importa. Acho que de qualquer maneira sa vitoriosa no final.
	No consegue mesmo esquecer, no ?
Laurel sabia que Jack se referia  vingana.
	No. Mas isso j no faz diferena para mim.
Jack fitou-a com olhar de dvida.
	A sombra de Conner ainda paira sobre ns  comentou ele.
	Ainda  muito cedo para dizer.
No fundo Laurel sabia que mentira. Conner e suas trapaas ainda continuavam a perturb-la.
	Vi os rostos de suas irms  Jack afirmou.  Elas tentaro persuadi-la a jogar com Conner novamente.
Laurel pensou em Holly e Ivy. Jack estava certo.
	Eu direi no.
	Ser?  ele procurou o rosto dela sob a luz do luar.
	Eu lhe fiz uma promessa, no fiz?
	No vai se arrepender?
	No  Laurel respondeu sem muita firmeza.
Por que ela no conseguia sentir a mesma alegria de antes? Era como se o amor que nutria por Jack aos poucos estivesse sendo obnubilado pela mgoa contra Conner.
	Quanto tempo esse jogo ainda vai durar?
Jack deu de ombros.
	Umas duas horas, suponho.
Laurel se afastou um pouco dele, tornando-lhe a mo.
	Ento vamos assistir.
Jack hesitou.
	Est pronta para enfrentar suas irms?
A imagem dos rostos desolados de Holly e Ivy surgiram na mente de Laurel. Tambm havia Adam. Ele investira muito dinheiro no plano.
O remorso comeou a domin-la. Ela perdera. E tudo por causa das trapaas de Conner. Fora lesada da mesma maneira que seu pai nos negcios. Devido s trapaas daquele homem, seus pais haviam perdido a vida.
Por um instante, Laurel foi capaz de encarar o olhar de Jack. Por fim, ela fechou os olhos.
	No posso aguentar  confessou.  Perder  uma coisa, mas ser trapaceada ... no  justo!  Ela parecia uma criana prestes
a explodir em lgrimas.  Talvez se voc me ensinar a jogar com trapaceiros...
Jack segurou-a pelos ombros com firmeza. Laurel podia sentir a tenso nos dedos dele. Teve receio daquela reao.
	Eu sabia!  ele soltou-a de repente.  Essa questo com Conner permanecer entre ns para sempre, no ?  Passou a mo pelos cabelos.  Teremos essa mesma discusso inmeras vezes.
	Isso porque o assunto no foi resolvido.
E nunca seria, se ela tivesse que manter a promessa que fizera a ele.
	E tudo seria maravilhosamente diferente se voc tivesse vencido?
	Ou se Conner perdesse de alguma maneira esta noite.
Jack abanou a mo, num gesto de pouco caso.
 No h chance  ele disse.  Nenhum daqueles jogadores tem experincia para derrot-lo.
	Mas voc tem.
Somente quando viu a expresso de total espanto no rosto de Jack, foi que Laurel deu-se conta do que havia dito.
Entreolharam-se por um tempo que pareceu uma eternidade. Laurel sentiu o corao se acelerar enquanto aguardava que Jack dissesse alguma coisa.
Quer que eu jogue
	Ento  isso  ele finalmente falou, com Conner.
Laurel permaneceu em silncio, mas em seu olhar havia um brilho de esperana.
	Por acaso sabe o que est me pedindo?  a voz de Jack saiu rspida.
	No estou...
	No acredito que me ame, caso contrrio no me pediria para jogar com aquele homem.
	No estou lhe pedindo para jogar, Jack. Esquea o que eu disse.
Uma parte dela sentia-se horrorizada por haver pensado em um jogo entre Jack e Conner. Outro lado, porm, nutria uma esperana de que Jack aceitasse o desafio pelo bem do futuro dos dois.
	Se eu no jogar com Conner, voc nunca vai me perdoar  Jack asseverou, quase como que pensando alto.
	Eu perdoarei...
	Perdoar?
	Jack! Foi a palavra que voc usou!
	Claro que foi muito inadequada.
Laurel fungou, exasperada.
	No vou mentir, dizendo que o pensamento de v-lo desafiar Conner nunca me passou pela cabea, mas, por outro lado, entendo como se sente a respeito de jogos.
	No h garantias  Jack declarou.  Eu poderia perder.
	Claro que isso no aconteceria  Laurel assegurou-o.  Voc  melhor do que qualquer um daqueles jogadores.
Ela fez meno de abra-io,' porm Jack se afastou. Magoada, Laurel olhou para ele. Jack mantinha uma expresso fria, distante.
	Como pode confessar que ama algum e no instante seguinte pedir que essa pessoa faa algo que ir mago-la? Se eu fosse um alcolatra, insistiria que eu tomasse champanhe em nossa festa de casamento?
	Tem razo  Laurel reconheceu.  Desculpe.
Dessa vez ela conseguiu abra-lo, beijando-o inmeras vezes no pescoo.
Com um gemido, Jack cobriu os lbios dela com os seus, beijando-a com voracidade. Depois de algum tempo permaneceram abraados em meio  quietude do jardim.
Consolando a perdedora, Hartman?
Os dois olharam para trs. Conner os observava com as mos enfiadas nos bolsos.
	O jogo vai recomear.  Seus olhos brilhavam, desafiadores.
 H um lugar vazio  dirigiu-se a Jack.
	No, obrigada  Laurel respondeu por ele.
Conner lanou-lhe um olhar de desdm antes de voltar a encarar Jack. Os dois homens se entreolharam em silncio. Por fim, Conner encaminhou-se de volta ao interior da casa. Antes de entrar, porm, lanou um ltimo olhar para Jack.
	No vem, Hartman?
Jack olhou para Laurel.
	Guarde o lugarreplicou ele, hesitante.  Irei em um minuto.

CAPITULO XI

Laurel esperou at que Conner entrasse.  Jack, no!  Segurou-lhe o brao.  Conner estava tentando convenc-lo a jogar. Ele sempre quis jogar com voc, no comigo.
O protesto de Laurel parecia sincero, mas Jack no esqueceu de que ela era uma atriz.
	Pois agora ele ter o que deseja  ele replicou.  E voc tambm.
	Mas Conner  um trapaceiro!
	Isso no a preocupava quando me pediu para jogar com ele, minutos atrs.
Laurel soltou o brao dele.
	Eu nunca pedi...
	Pediu, sim.  Jack j estava cansado daquela discusso.  Li o pedido em seus olhos, Laurel.
Ela abaixou a vista.
	J pedi desculpas por isso.
	Eu sei. Mas no paramos de falar na possibilidade at agora.
	Ento vamos parar agora!  ela bradou.
	Ok.
Jack cruzou os braos sobre o peito. Sabia que Laurel no conseguiria esquecer o assunto. Ela jogou os cabelos para trs, fingindo despreocupao. Ouviram um rudo vindo da casa e Laurel se virou no mesmo instante para ver o que era. Jack viu quando ela mordeu o lbio, pensativa, mas logo voltou a se recompor quando percebeu que estava sendo observada por ele.
	No consegue esquecer o jogo, no ?  Jack inquiriu.
Laurel respirou fundo.
Isso o deixa surpreso?
Jack tambm observou o movimento dentro da casa.
	Todas as vezes em que voc ficar silenciosa, imaginarei se est pensando no jogo.  Voltou a encar-la.  Quando olhar para sua famlia, lembrar do jogo. E quando olhar para mim tambm.
	Hei! Pelo menos me d o crdito de pensar em outras coisas!
Jack fitou-a com mais ateno.
	Vai me amar mais se eu vencer?  perguntou a ela.
Laurel arregalou os olhos, incrdula.
	Espero que tenha dito isso apenas por brincadeira.
	Na verdade, no.
	Meus sentimentos por voc no tm nada a ver com o jogo.
Jack duvidava. Ele se aproximou mais ao notar que Laurel dera um passo atrs.
	E se eu perder?  Jack indagou.  Vai continuar me amando?
	Na verdade, mesmo agora...
	No tem certeza se me ama.
	No era o que eu ia dizer!  ela protestou.
	No importa.
Ele j obtivera a resposta que queria. Laurel no disse que o amava. Mencionara seus sentimentos, mas no falara "eu te amo" com todas as letras.
. Deseje-me boa sorte.
Dizendo isso, ele beijou-a na testa e se dirigiu ao interior da casa.
O jogo j havia comeado quando Laurel entrou, minutos depois. Jack viu-se envolvido pelas sensaes contra as quais lutara durante tanto tempo: a expectativa de uma boa jogada, o desapontamento da perda, a satisfao de vencer. Estava se divertindo com tudo aquilo.
Talvez seu maior erro tenha sido deixar de jogar pquer como um divertimento, para encar-lo como profisso. Todavia, estava jogando a menos de meia hora e j voltava a se empolgar com as sensaes. Precisava se controlar.
Por que Laurel lhe pedira para jogar? Pior, por que ele concordara? Arriscou um olhar para Laurel. Ela mantinha uma expresso pesarosa no rosto. Seria culpa? Arrependimento? Ou seria desapontamento, pelo fato de ele ainda no estar vencendo?
Laurel enfrentou o olhar de Jack. Quantas vezes ela teria que desculpar? Reconhecia que cometera um erro, mas ningum era per feito. Se Jack esperava perfeio de sua parte, teria no s essa, mas muitas outras decepes.
	Ele me odeia  sussurrou para Holly.
	Quem? Canner?
	Jack.
Holly observou Jack antes de responder:
	Estou surpresa que ele esteja jogando depois de tudo que disse sobre Conner.
	A culpa  minha  Laurel admitiu, contrariada.  Estvamos conversando sobre o jogo e eu disse que ele era a nica pessoa que conseguiria derrotar Conner.
Holly voltou-se para encar-la:
	Pediu para ele jogar?	
	Na verdade foi Conner quem pediu, mas...
No adiantava mais se enganar. Jack estava jogando por ela. Entretanto, o sentimento de culpa ameaava domin-la. O olhar frio de Jack voltou a encontrar o seu. Estava sendo difcil suportar aquilo. Na primeira oportunidade, posicionou-se atrs dele, em um lugar onde pudesse ver as cartas sem ter que encar-lo.
Enquanto assistia Jack jogar, Laurel deu-se conta de que no havia substituto para a experincia. Pquer era um jogo que exigia habilidade. A sorte no afetava muito.
O tempo de jogo estava diminuindo. A tenso ia se tornando cada vez mais evidente. Mais de uma hora se passara desde que Laurel enfrentara o ltimo olhar de Jack. Ele adquirira uma quantidade considervel de fichas. Sua pilha estava mais ou menos igual  de Conner.
	Estou fora  B.J. anunciou.  Que ta! uma bebida?
Os demais concordaram em fazer um intervalo.
	Jack vai ganhar. Ele tem que ganhar!  Ivy sussurrou.
	Isso j no importa  Laurel replicou.
	O que est dizendo?
Ignorando a irm, Laurel seguiu Jack at o pequeno bar onde Adam servia bebidas para os homens.
	Jack, pare, por favor. Voc j jogou o suficiente.
Os olhos dele se estreitaram.
	Ainda no tirei todo o dinheiro dele, Laurel. Como pode achar que j  suficiente?
O tom sarcstico a magoou ainda mais. Laurel sentiu a voz em bargar na garganta ao se dar conta de que ela o deixara daquela maneira.
	No quero que jogue mais.
	No?  Jack fingiu espanto.
	No!  O tom desesperado atraiu alguns olhares curiosos.
 A mim, pouco importa se voc ganhar ou perder!
	 mesmo?
Jack falava sem emoo. Laurel desistiu de lutar contra as lgrimas. Elas fluram livremente, banhando seu rosto. Viu quando o olhar de Jack seguiu o caminho trilhado por delas.
	Mas que atuao : ele ironizou.
Voltou para a mesa de jogo, sob o olhar espantado de Laurel.
Atuao? Jack pensava que ela estava representando? A nica representao que estava fazendo era com Holly e Ivy, fingindo se importar com o resultado do jogo!
Do outro lado da sala, Jack estava pronto para recomear o jogo. Seu rosto mantinha uma expresso dura, radical. Aquele no era o mesmo Jack que ela conhecera. Seu Jack possua um senso de humor apurado e um entusiasmo contagiante. Contudo, aquele Jack se fora, e talvez nunca mais voltasse a v-lo.
Laurel fechou os olhos. O jogo no fora tudo que ela perdera esta noite. No conseguiu conter um soluo. Jack nem sequer a olhava mais. Agora o nico sentimento que nutria por ela era desdm.
Apesar da mgoa, Laurel manteve-se ao lado da mesa, acompanhando o jogo. Os jogadores foram desistindo aos poucos, mas permaneceram sentados, para observar a disputa final entre Jack e Conner.
Slim, o ltimo a sair, exceto por Conner e Jack, aproximou-se de Laurel e as irms.
 Ele  escorregadio, mas Jack conseguir agarr-lo.
Laurel sorriu sem muito entusiasmo. Ampliou o sorriso quando Jack a olhou.
timo. Se Jack ia mesmo desafiar Conner, pelo menos demonstraria seu apoio por ele. Sorriria muito para ele, dali em diante, pois agora tinha certeza de que o amava acima de tudo.
Posicionou-se de modo a ver as cartas e o rosto de Jack. O jogo prosseguiu. Todas as vezes em que Jack perdia alguma jogada e lhe lanava um olhar, l estava ela exibindo um belo sorriso. Era como se tentasse dizer: "Est vendo? Para mim pouco importa o resultado desse maldito jogo!"
	Parece at que est fazendo comercial de pasta de dentes Ivy sussurrou-lhe ao ouvido.
	Estou tentando demonstrar nosso incentivo a Jack. Como acha que ele ir se sentir se ficarmos em volta dele com expresses pesarosas?
Ivy pestanejou, refletindo sobre as palavras da irm.
	Tem razo  disse ela, no apenas sorrindo, mas acenando para Jack.
Holly sorriu sem muito entusiasmo. Adam olhou Jack e fez um sinal positivo com o polegar, antes de se dirigir  cozinha.
Jack mal acreditava no que via. Todos pensavam que ele estava prestes a derrotar Conner. Sentiu-se desapontado, especialmente com Laurel. E pensar que chegara a se impressionar com as belas pernas, os olhos expressivos e a histria de fracasso que ela lhe contara!
Queria desistir do jogo. J nem se importava com o fato de Conner haver desistido de trapacear. No estava com nenhuma carta de valor. Olhou de soslaio para Laurel. Aquele sorriso o estava irritando. Sabia que ela podia ver suas cartas, por isso apostou alto s para provoc-la.
Conner aceitou e aumentou a aposta. Jack fez o mesmo. A quantia em jogo j estava muito alta. Laurel ainda sorria. Ivy e Holly tambm. O que havia de errado com elas, afinal? Ser que no tinham noo da quantia absurda que ele apostara?
Foi ento que entendeu a situao. Queriam que ele acreditasse que elas no se importavam com o resultado do jogo, para no faz-lo sentir-se sob presso.
Desviou o olhar para Laurel, certificando-se de que ela o observava, e depositou o restante de suas fichas no centro da mesa.
O olhar de ambos voltou a se encontrar; o sorriso de Laurel ampliara-se ainda mais. Ela soprou um beijo para ele.
Surpreso, Jack desviou o olhar bem a tempo de ver que Conner assistira toda a cena. Claro que Conner no sabia que Jack apostara todas as fichas sem cartas boas para sustentar a aposta. Tratava-se de puro blefe.
Conner permaneceu imvel por um longo tempo. Jack sabia que Conner podia cobrir e aumentar a aposta, ainda lhe restando algumas fichas. Por um momento, Jack chegou a lamentar o que fizera. Ia contra tudo que ensinara a Laurel sobre apostas e blefes. Realmente fora idiotice da sua parte.
Jack esperou que Conner analisasse a jogada. Viu quando ele olhou para Laurel e a famlia dela. Em seguida, Conner desistiu.
Jack mal acreditou. Ouvia os risos e aplausos como que vindos de .longe. Conner desistira do jogo, sem cobrir seu blefe? Incrdulo, Jack olhou para o amontoado de fichas no centro da mesa. Tentara perder e acabara ganhando o jogo! Conner pensara que todos aqueles sorrisos indicavam que Jack tinha uma boa jogada em mos.
Jack olhou para Laurel e o resto da famlia. O sorriso que exibiam agora era de pura satisfao. Jack tambm no podia negar que estava satisfeito por experimentar aquela sensao de vitria mais uma vez.
	Jogarei na tera-feira  noite, em Houston  Conner anunciou, ficando de p devagar. Dirigiu-se a Jack:  Aceita outra disputa?
Jack olhou-o no mesmo instante, prestes a aceitar, mas uma voz feminina respondeu por ele:
	Lamento, Conner, mas Jack estar ocupado.
Laurel passou os braos pelo pescoo de Jack, abraando-o por trs. Aquele toque trouxe-o de volta  realidade. Ele no era mais um jogador de pquer; no devia jogar. Em vez da vitria dessa noite, ele tinha de lembrar de como se sentia ao perder.
Tambm precisava pensar em Laurel. E se ela quisesse jogar com Conner novamente? Sabia que apesar desse jogo, ela e as irms no sossegariam enquanto no derrotassem Conner completamente. Num impulso, tocou o brao de Laurel.
	Estarei ocupado na tera, mas que tal uma outra partida agora?
Dobro ou nada?
Houve um longo silncio. Laurel tornou-se tensa. Jack apontou uma terceira cadeira para que ela sentasse.
	Distribua as cartas  disse a Conner.
 Jack!  Laurel quase gritou.
	Jack  o tom de Adam continha um aviso.
Holly e Ivy chegaram a abrir a boca, mas permaneceram em silncio.
Conner voltou a se sentar, comeando a embaralhar as cartas. Jack fez um sinal para que os demais assistissem o jogo. Conner ofereceu o baralho para ser cortado. Jack o cortou uma vez. Arqueando uma sobrancelha, Conner comeou a distribuir as cartas.
Jack no tirava os olhos dos movimentos das mos de Conner, prevenindo alguma trapaa eventual.
Um... dois... Ele acompanhava os movimentos. Jack notou que Conner estava manipulando a segunda carta do baralho, mantendo a primeira para si mesmo.
No mesmo instante Jack segurou o pulso dele sobre a mesa, forando-o para baixo. Conner fez uma careta de dor. Ivy deu um gritinho.
	No dessa vez  Jack sorriu, ameaador.
Afastou-se um pouco para que todos pudessem ver o polegar de Conner segurando as cartas de modo a pegar apenas a segunda carta. Seus dedos estavam vermelhos, bem diferentes do rosto plido.
	Quer dizer que voc gosta mesmo de uma trapaa, Conner?
	Slim provocou, pegando a carta que Conner pretendia guardar para si. Era um rei.
Conner no se fez de intimidado:
	Chega, Hartman  disse, desvencilhando-se da mo de Jack.
Encostou-se na cadeira, olhando cada um dos outros jogadores.  Digam quanto querem  falou, por certo imaginando que eles tivessem um preo.
Todos olharam para Jack e este para Laurel. Ela ergueu o queixo.
	A vida e a reputao de meus pais. O negcio da famlia...	ela comeou.
Jack sentiu-se orgulhoso. Laurel estava lidando com a situao de uma forma muito calma. Conner fungou, impaciente.
	Isso faz parte do passado  declarou.  Deve ser esquecido.
Jack ficou de p, encarando-o com olhar frio.
	O mesmo acontecer com seus dias de jogador de pquer ele ameaou.
Os primeiros sinais de pnico surgiram nos olhos de Conner.
	Sou um homem rico  ele disse.
	Alm de trapaceiro  Laurel acrescentou.  Trapaceiros no so bem-vindos por aqui.
Ela foi at a porta da frente e a abriu. Um vento frio invadiu o aposento. Jack riu ao ver a dramaticidade de Laurel. At que ela no era m atriz.
Conner continuava sentado, tentando manter o pouco de dignidade que lhe restava.
Por favor  ele pediu com ar suplicante.
Jack arqueou uma sobrancelha e olhou para os demais, embora soubesse qual seria a resposta deles. Todos eram homens ricos. Jogavam pquer porque gostavam do jogo. Depois dessa noite, Conner nunca mais jogaria com os jogadores da elite.
Slim respondeu por eles:
	No  a primeira vez que voc trapaceia, Conner. Essa foi somente a primeira em que foi flagrado.
O ltimo brilho de esperana desapareceu dos olhos de Conner. Ele e todos os demais sabiam que no outro dia nenhum jogador decente o aceitaria mais em sua mesa. Ele levantou de sbito e se encaminhou para a porta. Chegando l, voltou-se para Laurel:
	Pedi a ele que no sobrevoasse aquele poo.
Laurel virou o rosto de lado, deixando as lgrimas escorrerem. Conner saiu sem olhar para trs. Holly e Ivy correram para fechar a porta. As trs irms se abraaram.
Jack, voc est a? Venha comemorar conosco  Laurel disse da porta do quarto no momento em que ele apareceu carregando uma pilha de roupas.
As bolsas de viagem estavam abertas sobre a cama.
	Vai partir?  ela perguntou, apreensiva.
	No est na hora?
	Precisamos conversar, Jack. Sobre ns.
Ele comeou a ajeitar as roupas na bolsa.
	Poupe-me da encenao, Laurel. J teve o que queria, e at mais.
	No, Jack. Eu quero voc.
Jack lanou-lhe uma olhar angustiado.
	Voc no sabe o que quer  disse, fechando uma das bolsas.
V-lo fazer aquilo foi deixando Laurel cada vez mais desesperada.
Precisava impedi-lo.
	Para onde voc vai?
	Qualquer lugar. Bem longe da tentao, de preferncia  ele sorriu, irnico.
Laurel detestava v-lo daquela maneira e saber que era por sua culpa.
	Deixe-me ir com voc  pediu.
Para que possa curar minhas feridas?  ele disse sem encar-la.
	No, obrigado.
O que mais ela podia fazer? Quanto mais se aproximava o momento de partir, mas ela queria que Jack ficasse.
	Enquanto eu o via jogar, dei-me conta de que j no me importava com o que Conner fizera.
	Antes tarde do que nunca.
Jack percorreu a vista pelo quarto,  procura de outros objetos seus.
	Pare!  Laurel implorou, deixando todo o orgulho de lado.
	Voc disse que me amava!
	Ainda amo.
	E eu disse que o amava!
	No, no disse  ele tentava pegar duas bolsas ao mesmo tempo.

	Pois direi agora: eu te amo, Jack!
Ele fechou os olhos, respirando fundo.
	Vai me ajudar ou no com essas bolsas?
Laurel olhou para a maior e sentou-se sobre ela.
	No.
Jack deu de ombros e encaminhou-se para a porta. Laurel no pretendia deix-lo sair de sua vida sem lutar. Ficou onde estava e esperou.
Jack retornou pouco depois para pegar duas outras bolsas e o computador. Saiu em silncio. Sobrara apenas a bolsa sobre a qual Laurel estava sentada.
	Pode sair da, por gentileza?  ele pediu ao voltar pela terceira vez.
	No at conversarmos sobre ns.
Jack suspirou.
	Nunca houve "ns", Laurel. Foi apenas uma iluso que voc criou. Quero uma mulher sincera, e no uma oportunista.
	Mas no sou uma oportunista!
Jack a fitou nos olhos:
	Quais so seus planos, agora que o velho Conner foi derrotado?
	No tenho plano algum.
	O que pretende fazer pelo resto da vida?
"Ficar com voc", Laurel pensou, magoada pela ideia de que fracassara em revelar seus verdadeiros sentimentos.
Jack meneou a cabea, interpretando aquele silncio como sinal de indeciso.
	Vou avisar pela ltima vez, Laurel, saia da ou terei que tir-la  fora.
	No vou sair daqui at que me d uma chance de explicao.
	Ok  Jack aproximou-se.
Laurel abriu a boca, pensando que ele estava disposto a ouvi-la. Todavia, Jack puxou a bolsa de baixo dela, fazendo-a cair sentada no cho.
	Hei!  ela o olhou, furiosa.
Jack comeou a descer a escada, carregando a bolsa. Laurel levantou depressa e correu atrs dele, gritando:
	Voc est  fugindo, Jack!
Passou pela famlia, reunida ao p da escada e o seguiu porta afora.
	Vou segui-lo para todo lado at que me oua!
Jack lanou-lhe um olhar rpido, antes de comear a colocar a bagagem no carro.
	Primeiro ter de me encontrar  ele salientou.
	Voc me ama!
	Conseguirei esquec-la.
Ele entrou no jaguar e fechou a porta. Laurel bateu no vidro at que Jack o abaixasse.
	No vou deix-lo sair da minha vida assim, Jack.
Ele girou a chave na ignio.
	Siga meu conselho, Laurel: primeiro decida o que quer da vida.
Antes que ele partisse, Laurel inclinou-se e o beijou. Mesmo que Jack fosse embora teria algo para se lembrar.
No incio ele resistiu, mas por fim levou a mo  nuca de Laurel, puxando-a mais para si. O beijo desesperado, aos poucos transformou-se era algo mais. A energia entre eles chegava a ser quase palpvel.
Laurel o beijava como se sua vida dependesse daquilo. Sentiu a esperana renascer ao ouvir o leve gemido de Jack. Finalmente se afastaram,
	Nunca mais quero v-la  ele disse olhando para a frente, as mos firmes no volante.
Laurel no se moveu.
	Voc me ama, Jack. No pode me deixar assim.
	No tenha tanta certeza.
Ele acelerou e partiu.
	Quanto tempo dura a caminhada?
Laurel olhou para o homem que pesava sacos de alimentos.
	Dois quilmetros, dois e meio, dependendo do seu ritmo.
	Mas tenho bagagem para carregar!  Laurel foi at a porta da loja e olhou a densa floresta.  Por onde devo ir?
O homem riu.
	Por onde quiser.
	Mas como encontrarei a cabana?  indagou ela, aproximando-se do balco.
	Siga na direo norte  ele respondeu.  Acabar encontrando-a.
O homem pegou uma bssola e a entregou a Laurel.
	Obrigada  ela agradeceu.
	So quatro dlares e noventa e cinco.
	Oh  Laurel assentiu, abrindo a bolsa.
	Vai caminhar com isso?  ele apontou as botas de meio-salto que ela usava.
	No tenho outro sapato mais apropriado  Laurel informou-o.
O homem resmungou algo ininteligvel e se dirigiu ao fundo da loja. Voltou pouco depois trazendo um par de botas e dois pares de meias.
	Experimente  ele disse.
As botas ficaram um pouco grandes, mas serviriam se ela usasse os dois pares de meias ao mesmo tempo.
Enquanto Laurel as experimentava, o homem acrescentou uma mochila e um casaco cor-de-laranja  pilha de compras. Quando ele colocou uma faca sobre o balco, ela protestou:
	Para qu  isso?
	Voc tem uma arma?
	No! Claro que no!
	Ento  bom levar uma por causa dos animais.
Laurel foi tomada por uma onda de medo.
	Existem animais l fora?
O homem comeou a rir alto, revelando os dentes amarelados.
	Talvez descubra por si mesma  ele disse.
O comentrio no foi nem um pouco animador, mas Laurel decidiu que seguiria em frente. A determinao de encontrar Jack era mais forte que tudo.
Quando comeou a caminhar por entre as rvores, notou que elas no eram to unidas quanto pareciam a distncia. Havia at uma pequena trilha entre elas. Esta ia mais ou menos na direo norte e Laurel resolveu seguir por ela.
	Acho melhor Jack apreciar minha atitude, caso contrrio ser um desafio muito frustrante  disse a si mesma enquanto caminhava.
Apesar do exerccio, Laurel estava com frio. Roupas do Texas no eram apropriadas para invernos em Nova York. Cada um de seus ps parecia pesar uma tonelada dentro daquelas botas. Quem precisaria de aulas de aerbica usando botas como aquelas?
A certa altura, parou para tomar um pouco de ar. Sentiu um leve cheiro de fumaa no ar. Bem, isso indicava que havia algum por perto. Pegou a bssola para verificar a direo certa. Seguiu para o norte, como o homem da mercearia dissera. Mais adiante avistou a cabana.
Laurel parou. Ajustou a mochila nas costas e se aproximou devagar. De onde estava, no conseguia ver nenhuma janela. Cada passo seu fazia barulho sobre as folhas secas. Circundou a casa at encontrar uma janela.
Prendeu a respirao um instante, apurando os ouvidos. Silncio. Encostou a mo em concha contra o vidro e ficou na ponta dos ps para olhar o interior da casa.
Viu-se face a face com um homem barbudo. Laurel levou um susto e comeou a correr. Ou pelo menos tentou. As botas pesadas no facilitavam seus movimentos. Quando tentou erguer um p para pular um tronco cado no meio do caminho, o peso da bota a fez tropear e cair sobre um amontoado de folhas.
Sentiu duas mos tocarem seus ombros, forando-a a levantar. Assustada, tentou se desvencilhar.
- Hei! Pare com isso!
Ao ouvir aquela voz, Laurel virou a cabea, encarando o homem de olhos verdes.
	Jack?  Aliviada, soltou a respirao contida, sentando-se no cho.  No o reconheci com essa barba.
	O que est fazendo aqui?
Ele sorria. Laurel considerou aquilo um bom sinal.
	Sendo uma mulher sincera.  Ficou de p, limpando a cala.
 Uma mulher que decidiu o que quer da vida e resolveu lutar por isso. Decidida, independente  ela cerrou os punhos  e forte.
	No estou  procura de nenhuma Mulher Maravilha.

	Otimo. Tambm no sou tudo isso que falei.
Jack riu.
	Vamos para a cabana  convidou-a.
Laurel pegou a mochila com mos trmulas. Jogou-a sobre os ombros e seguiu Jack. A cabana tinha um quarto e um banheiro. Os mveis eram rsticos e o computador parecia deslocado em meio quele ambiente.
Ignorando a cadeira em frente ao computador, Laurel foi sentar em uma poltrona prxima  lareira.
Jack ficou de p, observando-a.
	Como me encontrou?  questionou ele.
	Ivy e eu pensamos muito. Lemos livros de psicologia que tratavam sobre o ego masculino. Isso nos deu uma ampla possibilidade de localizao e...
	Voc ligou para minha me.
	Oh, ela  um amor de pessoa, Jack.  Laurel lanou-lhe uma olhar maroto:  Sabe que ela quer ter netos?
; O que disse a ela?  ele se sobressaltou. Laurel riu.
	Que eu faria o possvel  pestanejou vrias vezes, olhando-o de modo sugestivo.
Jack balanou a cabea, sentando-se em uma cadeira.
	Ok, Laurel. Por que veio at aqui e para qu isso?  ele apontou a mochila com o p.
Laurel engoliu seco.
	Se voc no quisesse abrir a porta, eu pretendia obrig-lo a sair com o aroma de huevos rancheros.
Jack mordeu o lbio.
	At que podia acabar funcionando. E depois, o que faria?
	Diria a voc o que quero da vida.
Organizar a vida virara o principal objetivo de Laurel nas ltimas seis semanas, desde que ele partira. Jack inclinou a cabea para o lado.
	Ento diga-me, Laurel, o que pretende fazer de sua vida?
Havia um leve tom de sarcasmo na pergunta, mas ela no se deixou intimidar:
	Ivy e eu fizemos uma lista de todas as minhas qualificaes.
Tenho um diploma de comrcio, estudei arte dramtica, sei lidar com vendas e decorar rvores de Natal como ningum.  Ela interrompeu-se, esperando que ele risse. Contudo, Jack continuou srio.
	Por isso...  tirou um carto do bolso e entregou a ele  ...voil.
Jack leu o carto.
	Agncia Laurel Hall? Representante de atores?
	Sim. Eu sempre fui boa em escolher pessoas adequadas a um determinado papel, embora nunca tenha sido boa atriz.
	Mas voc no tem experincia alguma no ramo!
	Tenho sim. Fui representante de Ivy em um comercial de xampu.
Laurel notou o sorriso incrdulo de Jack.
	E ela conseguiu o papel?  ele indagou.
	No, mas recebeu dois telefonemas de outras empresas interessadas em contrat-la.
Jack riu, balanando a cabea.
	Meus parabns. Desejo que tenha sucesso.
Aquilo no soou como uma declarao de confiana. Teria ela cometido um erro ao ir procur-lo?
	Meu prximo trabalho ser reunir o elenco de um casamento, sabe. J tenho a noiva, madrinha, dama de honra e a me do noivo.
	Mordeu o lbio.  Sabe que voc ficaria-perfeito no papel de noivo?
	Laurel, no posso me casar com voc.
Ela fechou os olhos ao notar o tom de pena na voz dele. Sentiu-se humilhada. Quanto tempo ser que levaria para voltar  entrada da floresta, onde deixara o carro que havia alugado?
Sentiu Jack tocar seu brao.
	No posso me casar com ningum. No depois de haver participado daquele jogo. E se eu readquirir o vcio do jogo?
Ao abrir os olhos, Laurel viu receio no rosto de Jack.
	Eu o manterei ocupado demais para que isso possa acontecer	insinuou ela.
Surgiu um brilho diferente nos olhos verdes, mas ele logo se dissipou.
	Voc merece coisa melhor.
	Um homem mais que perfeito? Isso no existe.
	Oh, Laurel...  ele acariciou o rosto dela com a ponta dos dedos.  No posso.
	Mesmo me amando?
	 justamente por am-la que no posso.
A atitude de Jack no deixava de ser louvvel. Mas Laurel estava pouco ligando para isso no momento.
	No quero que lute sozinho  disse a ele.  Alm do mais, faremos uma boa dupla. Voc tem experincia em administrar dinheiro dos outros. Sei que quer se tornar um corretor independente.
Poderemos montar um escritrio. Ajudarei os atores a ganhar dinheiro e voc os ajudar a gast-lo.
Jack ficou visivelmente tentado pela ideia.
	Parece...
	Exatamente o que voc estava pensando em fazer  ela completou.
Os olhos verdes a fitaram com ateno.
	Mais do que poderia imaginar.
O corao de Laurel se acelerou.
	Se as cartas iro controlar sua vida, ento deixe que elas decidam por voc.
	O que est querendo dizer?
Laurel pegou a mochila e retirou um baralho, comeando a em-baralhar as cartas.
	Uma ltima aposta  disse a ele.
	No. Ser possvel que no ouviu tudo que falei?
Laurel continuou a embaralhar as cartas.
	Corte  mandou, pondo o baralho sobre a mesa.
	No!
Ela deu de ombros e espalhou as cartas em uma longa fileira sobre a mesa polida.
	Uma aposta. Uma carta. Se aparecer uma figura, casaremos e seremos felizes para sempre. Valor numrico, irei embora agora mesmo.
Pousou os cotovelos sobre a mesa e esperou.
	Isso  loucura. Est disposta a decidir seu futuro atravs de cartas?
	No  isso o que voc est fazendo? Pelo menos dessa maneira teremos uma chance de vencer.
Jack andou de um lado para outro.
	Como pode basear um casamento em uma aposta?  perguntou, por fim.
	Jack, querido, casamento  a maior de todas as apostas!
Ele hesitou, abrindo e fechando as mos. Finalmente aproximou-se da mesa.
	Casaremos se eu tirar uma carta com figura e voc ir embora se for uma com nmero?
Laurel assentiu.
	Voc est blefando  a expresso de Jack era de incredulidade.
	Tire a carta.
Ele hesitou um momento.
	Ok.
Laurel notou que os dedos dele estavam trmulos ao tocar as cartas.
	No quer mesmo desistir?  ele arriscou.
	De jeito nenhum.
Jack tocou uma carta com o dedo indicador, afastando-a das outras. Olhou para Laurel uma ltima vez, antes de vir-la. Era um valete.
	No acredito...  ele sussurrou.
Laurel sorriu, os olhos marejados de lgrimas. Jack tambm sorriu.
	Se isto for algum sinal...  ele ergueu as mos.
Abraaram-se com a nsia de dois apaixonados que no se viam h muito tempo. Laurel no se cansava de acariciar o rosto do homem a quem amava.
	Jack, eu te amo! Quero deixar isso bem claro a partir de agora, para que no me acuse de no t-lo dito com todas as palavras.
Ele sorriu, feliz.
	Nunca deixei de am-la... Mesmo quando fiquei aborrecido com sua atitude.
Laurel fitou-o nos olhos.
	Eu sei, mas  bom ouvi-lo dizer isso.
	S mais uma coisa  ele tornou-se srio.  Essa foi a ltima vez que apostei.
	E eu tambm  Laurel suspirou. Apontou a lareira:  Por que no queimamos as cartas, como queimei aquele vestido preto?
Jack concordou com um sorriso. Ajoelharam-se diante da lareira acesa.
	Primeiro essa  Jack mostrou o valete que tirara do baralho.
Mal posso acreditar nisso  comentou.  Hei, lembra-se daquele filme de James Bond, no qual ele tenta seduzir uma caadora de fortunas e...
Ele tornou-se srio e olhou para Laurel. No mesmo instante ela fez meno de atirar o baralho no fogo. Jack segurou-lhe a mo a tempo de impedi-la.
	...e havia s uma carta em todo o baralho?  ele completou, conseguindo tirar as cartas da mo dela.
Espalhou-as pelo cho. Todas eram valetes. Laurel ficou paralisada, esperando qualquer reao da parte dele.
	Voc trapaceou!  ele disse, surpreso.
	Prefiro dizer que foi um "favorecimento da sorte".
Jack lanou-lhe um olhar frio, antes de desvirar cada uma das cartas.
	Fizemos uma aposta, Jack. Pretende manter sua palavra?  Laurel prendeu a respirao.
Jack olhou-a por um instante. Aos poucos um sorriso insinuou-se em seus lbios.
	Voc venceu, Laurel.

CAPTULO XII

Ainda no acredito que ter coragem de k-fazer isso!  Holly resmungou quando a limusine virou a esquina.
	Sorria, Holly!
Laurel acenava para os fotgrafos reunidos do lado de fora da igreja.
	No posso!  Holly levou a mo  barriga com nove meses de gravidez.  Estou parecendo uma baleira encalhada dentro desse carro vulgar!
	Desde quando limusines brancas so vulgares?
	Desde que passaram a conduzir noivas vestidas de vermelho!
 Holly replicou.
	Tudo pela publicidade, querida. Queremos que a Agncia Hartman seja um sucesso.
	Estou achando tudo isso emocionante!  Ivy exclamou, divertindo-se com a situao.
Holly gemeu.
	Isso no  um casamento,  um golpe publicitrio!  protestou.
- Jack e eu estamos comeando uma nova vida e queremos que o mundo inteiro saiba.
O motorista abriu a porta. Laurel sorriu para as irms.
	Apressem-se, meninas! No quero deixar Jack esperando.
Sorriu quando inmeros flashes iluminaram seu rosto. Ergueu um pouco o vestido e galgou os degraus da entrada, fazendo o vu vermelho agitar-se com o movimento.
Vestido com um smoking preto e gravata vermelha, Jack a esperava no alto dos degraus. Pousaram para mais algumas fotos antes de entrarem.
Contudo, bastou olhar para os olhos verdes do futuro marido e Laurel esqueceu de tudo. No fundo, s o que importava era o imenso amor que sentia por ele.
	Adorei o vestido  Jack sussurrou-lhe ao ouvido.  Porm, melhor do que v-la vestida nele, ser tir-lo depois...
Laurel sorriu, corando.
Aps a cerimnia, os dois recebiam os cumprimentos dos convidados quando foram avisados de que Holly no passava bem. Encontraram-na sentada em um dos bancos da igreja, com Adam segurando sua mo.
 Precisamos lev-la para o hospital  ele avisou.  Ela entrou em trabalho de parto.
	Vamos lev-la para a limusine  Jack sugeriu.
Holly arregalou os olhos.
	Naquele cairo no!  protestou ela.  No quero correr o risco de dar  luz naquele...
	Boa ideia  Adam disse a Jack.
	Grande ideia, Holly!  Laurel exclamou, fazendo um sinal positivo para a irm.  Pense na publicidade!
"Imediatamente depois da cerimnia, uma das damas-de-honra foi levada para o Hospital de West Side, onde deu  luz um menino. No momento, os noivos esto passando a lua-de-mel em uma ilha do Caribe e voltaro para Los Angeles no dia da inaugurao na Agncia Hartman"
Laurel dobrou o jornal.
	No acha que foi muita sorte Holly ter tido Nicholas bem naquele momento?
Jack passava loo bronzeadora nas costas dela.
 Sim. Mas agora prefiro esquecer esse assunto. Estamos na praia, em uma ilha tropical, e casados h apenas dois dias.  Fez com que Laurel se virasse para ele.  Acho que estamos falando demais, sra. Hartman  deitou-se sobre ela.
	Concordo plenamente, sr. Hartman  Laurel murmurou antes que os lbios de ambos se unissem em um beijo cheio de promessas...

FIM

